História do Pará
João Meirelles
José Marajó Varella: Mercedários vieram com Pedro Teixeira (1639) ao Pará da volta da viagem a Quito (1637).
8/9/18
Mestre Cazuza e Seu Martinho no processo de confecção do Curimbó, instrumento de percussão, de formato roliço, originalmente indígena. É feito de tronco de árvore oco, coberto normalmente com pele de animais silvestres em uma das extremidades. O Curimbó é utilizado para ritmar o Carimbó, gênero musical nativo do Pará, que tornou-se Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil em setembro de 2014.
História do Pará
Os portugueses começam a fazer incursões no atual território do Estado do Pará
durante a União Ibérica, no século XVI. Na mesma época, holandeses, ingleses e
franceses o invadem em busca de sementes de urucum, guaraná e pimenta. A Coroa
Ibérica se vê diante da necessidade de consolidar seu domínio pela Região Norte
do País.
Em 1616, uma expedição entra num rio, hoje chamado Guajará, junto à Ilha de
Marajó e constrói o Forte do Presépio, origem da Cidade de Belém. Entretanto, a
colonização do território para ser eficiente, é preciso destruir os engenhos
holandeses que existem ali.
A metrópole envia reforço militar, estimula à emigração para as zonas
estratégicas e descentraliza a administração da região. Inicia-se a
colonização.
Em 1621, passa a fazer parte da Capitania do Maranhão e Grão-Pará, subordinado
diretamente a Portugal, abrangendo a área dos atuais Maranhão, Piauí, Ceará e
Pará e 6 Capitanias, a de Caeté, Cabo do Norte, Marajó, Cametá, Xingu e a
Capitania Real de Gurupá. Os missionários entram pelo sertão.
Em 1647, destrói-se os últimos contingentes holandeses. A economia paraense
firma-se na exportação de cana, algodão, café e cacau.
Em 1667, Portugal envia degredados com o objetivo de aumentar o número de
colonos. A agricultura prospera.
Logo após o Tratado de Madri, de 1750, que deu a Portugal o direito de posse
sobre uma vasta área até então pertencente à Espanha, começam a ser construídas
novas fortalezas em pontos da fronteira.
Entre 1752 e 1754 as Capitanias passam à Coroa e em 1755, o Governador do
Grão-Pará extingue a escravidão indígena e acaba com a influência jesuítica nas
missões e para dinamizar a economia regional e estimular as atividades
agrícolas além do extrativismo, é criada a Companhia Geral do Comércio do
Grão-Pará e Maranhão.
A Capitania do Maranhão e Grão-Pará é desfeita em 1774.
Em 1778, chegam casais açorianos à região e surgem algumas localidades, como
Óbidos. A região desenvolve-se rapidamente e, no início do século XIX, Belém
desponta como um grande centro urbano, com edificações de vulto, civis e
religiosas e um jardim botânico para estudos de espécimes vegetais.
Em 1821, a Revolução Constitucionalista do Porto, em Portugal, encontra apoio
no Pará, marcando o Estado como o primeiro a se revoltar no País inspirado no
liberalismo.
Entretanto, o Pará, devido à autonomia imposta pela Metrópole, fica à margem
dos acontecimentos do restante do País e fica excluído da Independência do
Brasil, necessitando de várias batalhas para ser incorporado ao Governo
Imperial. O domínio português só termina em 1823. Inicia-se uma série de
revoltas pela Província, revelando a impotência das autoridades: a mais
importante, a Cabanagem (1835), chega a decretar a sua Independência. Quando a
Cabanagem é dominada, a população da Província encontra-se dizimada e muitos
núcleos, em áreas produtivas, desaparecem. A lavoura e a pecuária acham-se
arruinada.
Nesta época, metade da década de 1850, as reservas de seringueiras da Amazônia
despertam o interesse do Reino Unido e dos Estados Unidos, que promovem
expedições científicas à região.
Surge, então, em 1870, estudos sobre a arqueologia amazônica, tendo no Pará, a
cultura marajoara do Pacoval, na área do Lago Arari (foz do Amazonas)
despertado maior interesse.
De 1870 em diante, o Pará se integra totalmente ao restante do País e sua
economia e seu povoamento crescem gradativamente devido ao ciclo da borracha.
Belém volta a ser metrópole regional. Abrem-se novas ruas e avenidas com
traçado moderno; empresas bancárias (Banco do Pará, Banco de Belém, Banco
Comercial do Pará), hotéis, hospitais, teatros, a Biblioteca Pública de Belém e
o Museu Paraense (hoje Goeldi), e constroem-se casas. Em 1874 estabelece-se a
ligação telegráfica entre Belém e o Rio de Janeiro, e em 1896 começa a
funcionar o serviço de luz e força.
Com o colapso da borracha, em 1919, o Pará entra numa fase difícil. Em algumas
regiões, implantam-se novos recursos econômicos com o objetivo de equilibrar a
economia do Estado, como por exemplo a lavoura em Bragança, a pesca em Salgado
e o gado em Marajó.
De 1950 em diante, inicia-se um novo período de recuperação econômica do Pará.
A abertura da Rodovia Belém-Brasília e da Transamazônica, a aplicação de
recursos governamentais nas comunicações e usinas hidrelétricas e a criação da
Superintendência da Amazônia (SUDAM) levam para a Amazônia Legal investimentos
de grandes empresas e incentivos à diversificação econômica, além do retorno
dos fluxos migratórios. Entre 1970 e 1980, vários projetos polêmicos foram
executados no Estado.
A construção da Usina de Tucuruí, inaugurada no final de 1986, projetada para
fornecer energia para o futuro parque industrial do Estado, desperta uma série
de denúncias sobre o desmatamento e o desastre ecológico; o garimpo de Serra
Pelada causa uma migração caótica que arruína a vida e a saúde de milhares de
pessoas e esgota seus recursos devido à exploração descontrolada; surgem
conflitos fundiários com sucessivos crimes de morte.
Um dos poucos projetos que dão certo, é o Projeto Carajás, exportação do
minério de ferro extraído da Serra de Carajás através do Porto de Itaqui, no
Maranhão. Em 1996, é anunciada a descoberta de uma das maiores jazidas de ouro
do mundo, em Serra Leste, provocando um grande conflito entre a Companhia Vale
do Rio Doce (autorizada a explorá-la) e os garimpeiros de Serra Pelada, que
alegam ter direito de lavra sobre a área, necessitando a intervenção do
Exército e da Polícia Federal.
Um dos principais problemas sociais enfrentados pelo Estado é a grande
concentração fundiária, que provoca conflitos entre trabalhadores rurais sem-terra,
grileiros, posseiros e índios.