Iolanda Parente - Poesias, Crônicas e Textos - Abaetetuba e Região
2/4/2015
Os jardins de d. Rosa
O jardim de d. Rosa,
Não era qualquer jardim,
Debruçava-se todo prosa
Sobre o igarapé-mirim.
No jardim, claro, haviam rosas
Aliás, muito formosas
Como todas as rosas.
Mas, também haviam jasmins
Naquele jardim.
O jardim era suspenso
Como os da Babilônia
Era consenso....
Plantados por cima da ponte,
Davam flores e begônias.
Parece que ainda estou vendo,
O magro tio arrastando
Suas mãos sobre a cerca,
Que separava o jardim da ponte
Arquejando, arquejando...
Olhando o horizonte.
E o popopô dos barcos
Como se fossem galés
Entrando no Igarapé,
Com os bois para o sacrifício .
Pobres bichos, que suplício!
E os pesados passos,
Do seu Pompeu enxugando a testa
Com o seu lenço carmim.
A lembrança é o que resta,
De d. Rosa o jardim.
18/03/2019
09/12/18
Quem mora em beira de rio amazônico sabe que por lá acontecem cousas estranhas e inexplicáveis de vez em quando. Dou meu testemunho como ribeirinha que fui um dia.
Meu irmão Cid mora ainda em frente ao Maratauira, onde também residia o Jones ,o irmão mais velho que já partiu.
Anos atrás,quando o mundo quedava-se em silêncio e todos dormiam, ocorreu um fato inusitado que deixou o povo da beira de cabelo em pé.
Vindo de não se sabe donde , um barulho intenso de gente correndo pelos forros das casas acordou todo mundo.
E pior, aquela coisa desceu dos forros e começou as chutar as portas de madeira das casas, derrubando tudo no chão. Assim aconteceu nas casas dos meus irmãos.
De onde surgiu aquilo, que força era aquela? Gente não era .
Coisa parecida havia acontecido muitos anos antes, quando meu pai ainda era vivo.
Em certa tarde calorenta, um barulho intenso invadiu a casa onde estávamos expulsando todo mundo de lá.
O que era, o que não era ninguém era doido de ficar pra descobrir. Só voltamos horas depois. E tudo estava absolutamente em seus lugares.
Se alguém tiver uma explicação para esses fenômenos me explique porque estão muito acima de minha compreensão.
Marcia Vasconcelos Já presenciei isso dentro na mata Iolanda. Todos correram e subimos em árvores. víamos.os passos invisíveis afundando o capim e o barulho horrivel de um grunido incompreensível.
Era outra língua.
Ficamos nas árvores até o anoitecer quando tudo ficou calmo. o problema era que as árvores em que estávamos estavam localizadas à margem do rio.
Ao descermos, encontramos as cobras.
foi outra correria.
Céus, a experiência foi inesquecível.
A explicação dos moradores: o espírito de índios que habitaram o local, e se sentiram invadidos no seu local sagrado. ficaram bravos mesmo. ai ai ai.
kkkkkk
2/4/2015
Os jardins de d. Rosa
O jardim de d. Rosa,
Não era qualquer jardim,
Debruçava-se todo prosa
Sobre o igarapé-mirim.
No jardim, claro, haviam rosas
Aliás, muito formosas
Como todas as rosas.
Mas, também haviam jasmins
Naquele jardim.
O jardim era suspenso
Como os da Babilônia
Era consenso....
Plantados por cima da ponte,
Davam flores e begônias.
Parece que ainda estou vendo,
O magro tio arrastando
Suas mãos sobre a cerca,
Que separava o jardim da ponte
Arquejando, arquejando...
Olhando o horizonte.
E o popopô dos barcos
Como se fossem galés
Entrando no Igarapé,
Com os bois para o sacrifício .
Pobres bichos, que suplício!
E os pesados passos,
Do seu Pompeu enxugando a testa
Com o seu lenço carmim.
A lembrança é o que resta,
De d. Rosa o jardim.
18/03/2019
Nicola Maria Parente, um pioneiro esquecido
Publiquei no facebook uma nota sobre meu bisavô Nicola Maria Parente. A matéria foi retirada de um estudo de tese sobre cinema de um professor da Universidade da Paraíba, em cuja capital existe uma academia dedicada ao cinema cujo patrono é justamente ele, Nicola Maria.
A nota despertou a atenção de diversos amigos que me pediram para tecer comentários sobre essa personalidade esquecida pela terra que escolheu como seu refúgio, Abaetetuba, aonde não existem quaisquer referências sobre a passagem dele, sendo ignorado pela imensa maioria dos seus cidadãos, como, aliás, é muito comum no Brasil, a existência de uma população sem memória de sua cidade e das pessoas que nela viveram em tempos passados.
Não é sem razão porque quase nada sobre sua própria cidade se aprende na escola. Digna de louvor é a atitude do prof. conterrâneo Ademir Rocha, que está realizando um estudo sobre as raízes das principais familias de Abaetetuba, inclusive as de minha familia.
As raízes de minha família paterna estendem-se pela Itália de norte a sul. Meu bisavô era italiano, e tornou-se lendário devido a algumas façanhas reais ou imaginárias. Causa espanto imaginá-lo saindo de onde saiu, na primeira metade do século XIX, de uma terra inóspita, perdida entre as montanhas, bem ao norte da Itália. Como ele e seus irmãos conseguiram deixar aquele lugar até hoje uma pequenina cidade que nem hotel possui e chegar até o porto de Nápoles, o mais próximo? Ano passado estive naquela região montanhosa e o caminho é difícil até para os modernos carros, tal a quantidade de subidas e descidas pelas encostas, sempre à sombra do Vesúvio na maior parte da viagem. E olha que não cheguei a ir na cidade natal do velho Nicolau ou Nicola, como era chamado.
Nicolau era um visionário. Conhecia Paris e estava à par das últimas invenções, como a fotografia e o cinema.
Radicado na Paraíba, lá trabalhava como protetico e fotógrafo. Quando surgiu a invenção dos irmãos Lumiére, o cinema, viajou até a Europa e de lá trouxe o cinematógrafo, e começou a exibir o invento pelas capitais, sempre causando furor entre os apreciadores da novel arte pela qualidade dos filmes exibidos. Dizem os entendidos nessa história que Nicolau, por ser amigo dos inventores, foi o único a trazer para o Brasil verdadeiro cinematógrafo, os outros eram já imitações, daí o sucesso que fazia com seus filmes.
Nicola Maria acabou seus dias na cidade de Abaetetuba, aonde radicou-se com a familia e numerosos parentes, formando uma pequena colônia de italianos que muito contribuiram para o progresso da então vila de Abaeté. Ele foi vítima da explosão de uma lâmpada de carbureto, perdendo um braço. Levado a Belém, devido às longas horas de viagem e à gravidade dos ferimentos acabou falecendo, sendo enterrado no cemitério de Santa Izabel.
A nota despertou a atenção de diversos amigos que me pediram para tecer comentários sobre essa personalidade esquecida pela terra que escolheu como seu refúgio, Abaetetuba, aonde não existem quaisquer referências sobre a passagem dele, sendo ignorado pela imensa maioria dos seus cidadãos, como, aliás, é muito comum no Brasil, a existência de uma população sem memória de sua cidade e das pessoas que nela viveram em tempos passados.
Não é sem razão porque quase nada sobre sua própria cidade se aprende na escola. Digna de louvor é a atitude do prof. conterrâneo Ademir Rocha, que está realizando um estudo sobre as raízes das principais familias de Abaetetuba, inclusive as de minha familia.
As raízes de minha família paterna estendem-se pela Itália de norte a sul. Meu bisavô era italiano, e tornou-se lendário devido a algumas façanhas reais ou imaginárias. Causa espanto imaginá-lo saindo de onde saiu, na primeira metade do século XIX, de uma terra inóspita, perdida entre as montanhas, bem ao norte da Itália. Como ele e seus irmãos conseguiram deixar aquele lugar até hoje uma pequenina cidade que nem hotel possui e chegar até o porto de Nápoles, o mais próximo? Ano passado estive naquela região montanhosa e o caminho é difícil até para os modernos carros, tal a quantidade de subidas e descidas pelas encostas, sempre à sombra do Vesúvio na maior parte da viagem. E olha que não cheguei a ir na cidade natal do velho Nicolau ou Nicola, como era chamado.
Nicolau era um visionário. Conhecia Paris e estava à par das últimas invenções, como a fotografia e o cinema.
Radicado na Paraíba, lá trabalhava como protetico e fotógrafo. Quando surgiu a invenção dos irmãos Lumiére, o cinema, viajou até a Europa e de lá trouxe o cinematógrafo, e começou a exibir o invento pelas capitais, sempre causando furor entre os apreciadores da novel arte pela qualidade dos filmes exibidos. Dizem os entendidos nessa história que Nicolau, por ser amigo dos inventores, foi o único a trazer para o Brasil verdadeiro cinematógrafo, os outros eram já imitações, daí o sucesso que fazia com seus filmes.
Nicola Maria acabou seus dias na cidade de Abaetetuba, aonde radicou-se com a familia e numerosos parentes, formando uma pequena colônia de italianos que muito contribuiram para o progresso da então vila de Abaeté. Ele foi vítima da explosão de uma lâmpada de carbureto, perdendo um braço. Levado a Belém, devido às longas horas de viagem e à gravidade dos ferimentos acabou falecendo, sendo enterrado no cemitério de Santa Izabel.
09/12/18
Quem mora em beira de rio amazônico sabe que por lá acontecem cousas estranhas e inexplicáveis de vez em quando. Dou meu testemunho como ribeirinha que fui um dia.
Meu irmão Cid mora ainda em frente ao Maratauira, onde também residia o Jones ,o irmão mais velho que já partiu.
Anos atrás,quando o mundo quedava-se em silêncio e todos dormiam, ocorreu um fato inusitado que deixou o povo da beira de cabelo em pé.
Vindo de não se sabe donde , um barulho intenso de gente correndo pelos forros das casas acordou todo mundo.
E pior, aquela coisa desceu dos forros e começou as chutar as portas de madeira das casas, derrubando tudo no chão. Assim aconteceu nas casas dos meus irmãos.
De onde surgiu aquilo, que força era aquela? Gente não era .
Coisa parecida havia acontecido muitos anos antes, quando meu pai ainda era vivo.
Em certa tarde calorenta, um barulho intenso invadiu a casa onde estávamos expulsando todo mundo de lá.
O que era, o que não era ninguém era doido de ficar pra descobrir. Só voltamos horas depois. E tudo estava absolutamente em seus lugares.
Se alguém tiver uma explicação para esses fenômenos me explique porque estão muito acima de minha compreensão.
Marcia Vasconcelos Já presenciei isso dentro na mata Iolanda. Todos correram e subimos em árvores. víamos.os passos invisíveis afundando o capim e o barulho horrivel de um grunido incompreensível.
Era outra língua.
Ficamos nas árvores até o anoitecer quando tudo ficou calmo. o problema era que as árvores em que estávamos estavam localizadas à margem do rio.
Ao descermos, encontramos as cobras.
foi outra correria.
Céus, a experiência foi inesquecível.
A explicação dos moradores: o espírito de índios que habitaram o local, e se sentiram invadidos no seu local sagrado. ficaram bravos mesmo. ai ai ai.
kkkkkk
Morávamos em uma grande casa ali na Avertano Rocha e entre os habitantes havia o famoso sharpei Feijoada, de pelo negro e reluzente, cheio de peles no pescoço. Só de olhar para ele dava medo, rsrs.
Deu-se que em uma daquelas tardes chuvarentas a Odete, que era dona do Feijoada, viu um vira-lata estendido no asfalto, mais morto que vivo. Sem pensar convocou o aeu Joäo, que era um “faz de tudo” em casa, para socorrer o animal ferido. E ele trouxe o cão, desmaiado, nas últimas. Arranjaram um canto para ele embrulharam-no e ele ficou lá até que um belo dia levantou-se, começou a latir e mostrar os dentes pra todo mundo.
Quando enxergou o dono do pedaço, o Feijoada, virou o cão chupando manga. A antipatia foi mútua e muito custou para separar os contentores.
Nem as grades evitavam as brigas, eles ficavam latindo e mostrando os dentes im para o outro.
Aí dei o ultimato:- Fora com o viralatas!
Convocamos o seu João e lá se foi ele na bicicleta, com o cachorro amarrado por uma corda. Voltou satisfeito, largara o brigão lá para as bandas da Estrada Nova.
Não demorou nuito e ouvimos latidos no portão. Era o maledeto novamente. E a guerra continuou. Quantas vezes era despachado quantas vezes voltava.
Minha filha Odete, então, teve uma ideia. Colocou o animal em seu carro e o levou até o recem inaugurado Ver o Rio.
Chegou sem o cão e dizendo:
- Mãe, levei o cachorro lá pro Ver o Rio, deitei-o no meu colo e quando ele dormiu fui embora. Ele não vai passar fome, os pescadores vão dar comida para ele!
Nunca mais vimos o cachorro ingrato.
E foi assim que a paz voltou a reinar no casarão da Avertano Rocha.
Iolanda Brasileiro Parente
O livro "Retratos da Vida", de Iolanda Parente,
é um livro recente e que retrata sua vida como
Promotora Pública no Estado do Pará e onde
pode se encontrar a História-Memória sua e
de sua família e muitos dados sobre a Genealogia
da Família Parente
Contracapa do livro de Iolanda Parente e
a canoinha, como cultura de Abaetetuba
Comentários de Michelly Murchio na orelha
da capa do Livro
Comentários na orelha da contracapa do
livro "Retratos da Vida" de
Iolanda Parente
5ª G/Tn, IOLANDA BRASILEIRO PARENTE/Iolanda Parente, nasceu em Abaetetuba em 16/11/1944, estudou o ensino médio no Instituto Nossa S. dos Anjos e o curso de Direito na UFPA concluído em 1976, ingressou no final de 1983 no Ministério Público do Estado do Pará como Promotora Pública de Justilça, tendo iniciado suas funções no termo Judiciário de Mocajuba e depois foi nomeada para a segunda Entrância, Comarca de Itaituba e posteriormente foi transferida para Tucuruí e desta para a Capital e atualmente é aposentada. Foi em cima de sua função como Promotora Pública de Justiça que Iolanda Parente escreveu o seu livro de memórias “Retratos de Vida”, lançado em 5/2012, onde faz um apanhado das dificuldades de, como Promotora, em orientar, defender e proteger juridicamente os direitos dos cidadãos e, nessa função, passar por uma série de dificuldades e infortúnios que afetavam a vida de quem se decidia cumprir o seu papel de defensora de justiça pelo interior do Estado do Pará e no mesmo livro retrata alguns trechos da rica memória e genealogia de sua Família Parente e da sua inesquecível fase de criança até a juventude em Abaeté quando pôde vivenciar a fase áurea e o início do fim das atividades comerciais e industriais da firma fundadas por seu bisavô Nicola Maria Parente e herdada por seu avô Garibaldi Parente. Iolanda Brasileiro Parente é contemporânea de Ruth Martins, Deolinda Machado, é casada e com duas filhas, 6ª G/Tetranetos/Ttn: Odete e Rosana/Rosana Parente Alves.
Transcrevemos o que Iolanda escreveu sobre seu bisavô Nicola Maria Parente:
· “Em 1895 os irmãos Luiz e Augusto Luminiere, em Paris, apresentavam as primeiras projeções de “fotografias animadas” através do aparelho denominado “Cinematógrafo”. Cabe lembrar que a primeira pública de cinema no Brasil ocorreu em julho de 1896, no Rio de janeiro. Nessa época, Campinas era temida pela peste, entretanto, apenas dois anos após a invenção do cinematógrafo, o teatro São Carlos fora o espaço escolhido para a primeira exibição da novidade francesa em Campinas. Esta escolha talvez tenha sido devido a sua importância cultural. Sua estrutura era modesta, porém avançada para os padrões da cidade ou até por ser frequentada pela “fina flor campineira”
Nunca é demais ressaltar a importância de Nicola Maria Parente, meu bisavô, na divulgação do invento dos irmãos Luminiere em nosso país. A visão futurista do italiano o levou a investir seu dinheiro e de outros empresários no cinema, com uma ousadia sem precedentes. Era um ser inquieto e jornais de diversos Estados brasileiros registraram a presença de Nicola Maria parente, no final do século 20, com seu cinema mabembe.
· Segundo Castro Mendes, a novidade foi apresentada no dia 2 de outubro de 1897, trazida pela grande companhia de variedades dirigida por Faure Nicolay, empresário e prestigiador. Entretanto, as melhores e mais perfeitas demonstrações do novo aparelho foram as proporcionadas pelo empresário Nicola maria parente, que apresentaria o cinematógrafo Luminiere, em 1899.
· Também na fotografia Nicola Maria Parente foi um pioneiro. Leal Willis assim se refere à Nicola maria: “Um outro italiano que teve estreita ligação com a fotografia foi o dentista Nicola Parente. Ele foi, provavelmente, um dos primeiros fotógrafos a instalar-se na Paraíba”.
· E iolanda Parente reclama: “realmente NICOLA MARIA podia ser considerado o homem dos sete instrumentos, um pioneiro esquecido pela terra que lhe deu abrigo”.
· Segundo estudos sobre a época, Nicola Parente foi pioneiro na realização das primeiras projeções cinematográficas na Paraíba, em 1897, por ocasião da Festa das neves (alusiva a fundação da cidade que nasceu sob o nome de Philipeia de Nossa senhora das Neves. Willis comenta ainda:
“O aparelho de Parente. Um Luminiere, foi comprado pelo italiano em paris, em 1896. Aqui, em João Pessoa, como ocorria com quase todos os estrangeiros, se dedocava ao comércio e, nas horas vagas, aos inventos”.
Histórias de fantasmas ou sobrenaturais:
Iolanda Parente Certa vez, fomos passear no Tucumanduba, o Aristides estava ainda entre nós. Em determinada hora chegou um rapaz levado por outras pessoas, jogado no fundo de uma canoa e contavam uma história incrível. O rapaz fora espancado na mata e os agressores vestiam longas capas pretas com capuz. O rapaz estava delirando e o botaram em uma rede e logo surgiu uma benzedeira, com seu galho de arruda e suas rezas. Surreal. Tenho vontade de voltar um dia nesse lugar para gravar essas histórias, antes que o progresso chegue lá. Meninos, eu vi!
Iolanda Parente Cobra grande? A Sônia Parente foi juíza muitos anos em Óbidos. Contava ela que certa vez uns conhecidos seus conseguiram leva-la, depois de muita insistência, a um lago aonde havia uma cobra grande. Disse-me que o bicho era gigantesco, nunca vira nada igual.
Canoa a vela GARIBALDI atracada no porto da Casa Italiana.

Eram os anos 60 e o mundo estava mudando rapidamente.Eu era uma garota confusa, iniciando a adolescência em meio a dificuldades de toda ordem.Iniciara o curso ginasial no colégio das freiras. Para isso tive que candidatar-me a uma bolsa de estudos. Para consegui-la, prova escrita.As freiras apesar da rigidez, eram boas mestras e devo muito a elas, adorava estudar.Um dia, um grupo de jovens vestindo roupa cáqui entrou no colégio e os rapazes foram de sala em sala convidando as alunas para assistir a uma peça de teatro a realizar-se no palco do cine-teatro Imperador, então um prédio imponente .Naquela Abaetetuba de antigamente, onde nada acontecia, a repercussão foi muito grande.À noite, a nata da sociedade local encheu as poltronas do cinema. Freiras , padres, ginasianas, o prefeito, até o juiz estava lá.Quando as cortina se abriram, lá estavam os rapazes fardados, tipo Fidel Castro. E portando ao que parecia serem armas de fogo. Não lembro do que diziam, pareciam palavras de ordem, gritavam!Em certa hora levantou-se da plateia um padre conhecido por sua brabeza. Ele parecia um armário. E começou a falar alto, denunciando o caráter comunista da peça encenada pelos jovens. A começar pelas roupas de guerrilheiros.Terminado o discurso o padre saiu pisando forte , seguido pelas freiras, prefeito, juiz, as ginasianas e o povo em geral.Vou contar pra vocês, se aquele padre pega os pretensos guerrilheiros iria fazer um estrago, tal a sua ira.Até hoje não sei quem eram. Ainda devem estar correndo do padre por alguma encosta do inferno.Em tempo, o padre em questão tinha o sugestivo apelido de “ Chumbinho “.Volta, padre Chumbinho. E traz o teu bacamarte , herança dos tempos de guerra na Itália.( da série, “memórias de uma abaeteuara”).Quem souber sobre esse episódio, pode emendar, corrigir, encompridar, enfeitar, rsrs
Não, eles eram barbudos e não pareciam brasileiros, tinham um sotaque estranho. Bem, esse fato aconteceu décadas atrás, eu era ainda adolescente, tinha apenas 16 anos, mas meus olhos de ver captaram e guardeu na memória tudo o que vi. E ouvi
Interação com os escritos de Iolanda Parente:
Belini Lobato
Padre Chumbinho e sua moto Rally dayson, um refugiado da segunda guerra, combatente de Hitler e do comunismo, sujeito estranho de poucos amigos, que morava na igreja mal assombrada de Nazaré, no bairro São Lourenço, muitos diziam que não era padre, mas andava de batina, o cara mais justiceiro que já apareceu em ABAETÉ, muitos o adimiravam e outros o temiam, padre chumbinho acredito que nunca celebrou uma única missa, mas era muito respeitado, branco de estatuta mediana, cabelos pretos, ombros largos, de olhar profundo e de poucas palavras, parecia que era um ex atleta, seu apelido veio de uma escopeta 12 que sempre carregava, quando as festas passavam do horário, lá estava o padre Chumbinho, mandando acabar com a festa, certa vez o sonoros Bailar de Pacamão não quiz obdecer; padre Chumbinho sacou a escopeta e fuzilou, destruindo o boca de ferro do barulhento bailar. Dizem que padre Chumbinho vagava pelas noites sem sua cabeça. Entederam, era um padre que de vez em quando perdia a cabeça. Padre Chumbinho chegava no nercado e era tão respeitado, pois também fazia o papel de delegado, e os açougueiros e peixeiros, o presenteavam com pedaços suculentos de carne, ou belos peixes, que agradecia e agasalhava no bolso da batina, esse era um refugiado de guerra que se exilou em ABAETÉ chanado de Padre Chumbinho.Não tenho essa certeza, mas pelo sotaque estranho, apesar de ouvi-lo falar pouco, pois acredito que tinha dificuldade de falar o português, e têm mais eu deveria ter uns 12 anos, e toda molecada tinha medo dele, pois ele prendia a bola quando a gente jogava futebol na rua. Com certeza era europeu, e ouvia falar que estava fugindo de Hitler.
Mário Júnior
Hitler já tinha se suicidado quando o Pe. Chumbinho chegou em Abaetetuba. É possível que estivesse fugindo das perseguições que se desencadearam na Europa pós-guerra. Os civis dos países derrotados foram muito perseguidos, independente de culpa ou não. Estigmatização do pós-guerra.
Ubiraci Conceiçao
Nessa época Padre mandava no prefeito, no juiz e era a autoridade maior numa cidade. Era desse jeito na minha cidade. ..
Reginaldo Santos Conceição: Fiquei lembrando da nossa busca por uma foto pro seu livro do tal cinema nunca lhe falei isso. Tai uma coisa fantástica que eu fiz pesquisa o passado a palavra italiana até hoje eu lembro em minhas memórias que família fantástica é a sua. Tu ainda deve um livro sobre Evandro Almeida sobre o seu parente vendedor de máquinas projetores de cinema e porque não, um sobre o Humberto Parente quem sabe História conta igual a Guerras das pupunheiras que você acabou no machado.
Nas fímbrias da noite
Escondo minha solidão
Trêmula, procuro-te em
Meus loucos sonhos
Estás distante ,
És um meteoro
Que não vejo com
Meu pobre olho nu.
Preciso de você
minha estrela Orion
Via Láctea de
meus sonhos.
Sei, não devia,
Fui sentenciada
A só ser.
Ousei sonhar.
Por que, por que te fostes
tão de repente
Levando a esperança.?
Agora,
Fico assim, perdida
Tão só, tão só,
Mais uma vez.
( a um amor perdido)
Não, não quero ver jornais
Televisivos
Tão incisivos
Não quero ver enterro de policia
Nem massacre de milicia.
A pobre mulher que vendia churrasquinho
morta por bala perdida
Não volta mais pro seu ninho
Toque de recolher
A vida é pra viver
Na festa de arromba
Mais vitimas tombam
Um drone mapeia a favela
É a polícia no cerco
Ao traficante,
Ao avião e à amante
No ap do menino rico
Carreiras da droga maldita
Cheiradas a seco,
Regadas a sangue
Tiros e morte lá em cima,
A vítima cai exangue.
Embaixo é outro clima
O viciado delira
Como Nero e sua lira.
Favelados e viciados
Todos escravizados
Pelo torpe
Entorpecente
Que destrói corpos e mentes.
Meu doce coração aonde vais,
neste vão anseio
por um amor que inexiste?
Entendo tua angústia,
A vida se esvai
A neve do tempo cai.
E ele não veio.
E você não viu
O crepúsculo, que chega
Sorrateiro
Nem minha solidão
de janeiro a janeiro .
Iolanda
neste vão anseio
por um amor que inexiste?
Entendo tua angústia,
A vida se esvai
A neve do tempo cai.
E ele não veio.
E você não viu
O crepúsculo, que chega
Sorrateiro
Nem minha solidão
de janeiro a janeiro .
Iolanda
As frutas dependuradas
Tal enfeites de natal
As águas
O verde, o azul e o sal
Da terra encantada
Quando eu nasci veio um anjo engraçado ...
Uma anja desajeitada
E um querubim safado
E um aprendiz
De mim
Ficaram ali a olhar
Aquele bebê gorducho
E a se perguntar
O que fazer com o pequerrucho
Do primeiro ganhei o riso fácil
Do segundo o jeito desastrado
Do terceiro, melhor ficar calado...,,
A aprendiz de mim nada
Aprendeu
E fiquei com esse jeito complicado
Causa de que
Homem nenhum me quis
Rainha do lar
Temendo um destino infeliz.
Não sei se foi sorte ou azar
Iolanda
Ficaram ali a olhar
Aquele bebê gorducho
E a se perguntar
O que fazer com o pequerrucho
Do primeiro ganhei o riso fácil
Do segundo o jeito desastrado
Do terceiro, melhor ficar calado...,,
A aprendiz de mim nada
Aprendeu
E fiquei com esse jeito complicado
Causa de que
Homem nenhum me quis
Rainha do lar
Temendo um destino infeliz.
Não sei se foi sorte ou azar
Iolanda
Como eram belas
As coloridas velas
Das vigilengas
De antanho
Como num sonho.....
Zamir Cruz Cruz: Conheci uma oficina que fabricava e consertava velas. Ficava na 28 de setembro, O nome: Casa Ilhavense.
Iolanda Parente: Em minha infância conheci o João Veleiro, que fervia os panos das velas em imenso tonel sobre uma fogueira de grossos troncos à beira do Maratauira
As coloridas velas
Das vigilengas
De antanho
Como num sonho.....
Zamir Cruz Cruz: Conheci uma oficina que fabricava e consertava velas. Ficava na 28 de setembro, O nome: Casa Ilhavense.
Iolanda Parente: Em minha infância conheci o João Veleiro, que fervia os panos das velas em imenso tonel sobre uma fogueira de grossos troncos à beira do Maratauira
O amor que sonhei
Cheirava a primavera
E tinha o sabor de quimeras
Mas, como amei!
A casa está vazia...
O cão vem ao meu encontro
E seus latidos ecoam
Nas paredes tão frias
E já não ouço tua voz
E meu coração anda tonto
Procurando a tua lembrança
Entre o que ficou de ti
Cadeiras, mesas, roupas
Teu santo de devoção
Tuas plantas tua cama
Teu cheiro,
Estão ali, a esperar
Tua impossivel volta
Carolina.
Já não estás na janela
Sempre tão bela..
Teu sorriso triste apagou
Agora brilha entre as estrelas
Mana
Mas tua saudade,
Essa...
Para sempre ficou.
À mana Carolina
Ah!Meus anos
Iolanda Parente
De onde vem essa brisa?
Virá do mar?
Das asas das borboletas
Que pelos campos deslizam?
Ou dos amantes a suspirar....
Iolanda
Oberdan Parente (tio) e sua esposa Maria Amelia.
Iolanda Parente com Izabel Lobato e Eurica Rodrigues.
21 de julho 2017
OS X
Tempos do ginasial. Ginásio Na. Sa. dos Anjos, Abaetetuba.
Da esquerda para a direita; Izabel Lobato, Marise, Eurica Rodrigues ( pendurada de cabeça para baixo), Maria de Nazarė Carvalho e eu. Atras, Julia Rosa de Castro.
Iolanda Parente
Iolanda Parente com Elizabeth Parente.
21 de julho 2017 às 23:19 · OS X
Meu avô Garibaldi e os netos Jones e Elizabeth.
Claudia Andrade, Garibaldi Parente ( meu avoo) e Anita Calliari.
Benedito Bitencourt Impressionante essa foto, Dona Anitta Caliari, esposa de seu Lulu Bahia, mães do meu Amigo e colega de faculdade de agronomia Ítalo Caliari. Pessoas educadas de coração muito bom, dona Anita só vivia sorrindo. Moraram também na Rua Manoel Barata, em Belém. Sempre ia em sua residência estudar com o Ítalo. Saudades.
Iolanda Parente Anita era irmã de Roma, que era mãe do Italo
Benedito Bitencourt: Desculpe Iolanda Parente, é realmente a Dona Roma mãe do Ítalo que morava na Manoel Barata. Fiz confusão porque o Ítalo parecia que tinha duas mães, Dona Roma e Dona Anitta, lembra?
Iolanda Parente: Isso mesmo.
Ariadne
Ah este amor amado
Em entrelinhas bordado.
Sem esperar o amanhã
Tecido com a ciência
De uma deusa pagã
É minha sina
Ah este amor amado
Em entrelinhas bordado.
Sem esperar o amanhã
Tecido com a ciência
De uma deusa pagã
É minha sina
Da vida que tanto ensina.
Como Ariadne
A esperar Teseu,
Teço os fios
Que me conduzem
Pelo corpo teu.
E quando o tempo te leva
Neste quarto frio,
Fica o teu cheiro de pinho
E o eco de teus carinhos
Iolanda Parente
29 de junho de 2014
As águas refletem a imagem.
Refletirão meu interior?
Talvez as tantas miragens
Das quimeras do amor
Nessas águas encantadas,
Habitavam as ilusões
Que são como agulhas fincadas
Dentro de meu coração.
Quanto amor desperdiçado
Quanto tempo hei perdido
Em busca do ser amado
Dentro do lago escondido.
As águas do lago secaram
E já se foram as quimeras
E tanto meus olhos choraram
Que nem vi a primavera.
Iolanda Parente
Livro MARATAUÍRA E OUTRAS ÁGUAS
A festa de lançamento de meu livro foi linda. Senti-me envolta em uma nuvem de carinho e amor, perto dos Meus queridos sobrinhos, minha mana Bete e Meus amados amigos.
Já é meu terceiro livro, já sei com são os lançamentos. Convida-se 100 pessoas para ter 25 .
Quem não foi perdeu uma festa bela, mas cada um dos convidados que não compareceu deve ter tido um motivo especial.
O livro está ótimo graças a Deus. E pago integralmente, melhor ainda.
Obrigada a todos que de alguma maneira me apoiaram nessa empreitada difícil que é gerar e parir um livro, especialmente ao querido Fernando Pessoa, Paulo Guedes, Dal Dias e Necy Bonfim. E o Reginaldo Regis, claro. Jamais agradecerei o bastante.
Iolanda Parente
Muita gente não sabe o que significa a palavra Maratauíra, muito menos de onde tirei o título do livro a ser lançado amanhã, dia cinco.
Maratauíra é o nome do rio que banha a cidade de Abaetetuba, em cujas margens nasci e me criei.
Diz a lenda que o nome é a junção de duas palavras, Mar e Tuira.
Rios amazônicos tem suas águas escuras, mas há uma variação para mais ou menos, conforme a época.
Tuíra é uma palavra indígena que significa pardo, escuro..quando iam pescar, e a água estava mais densa do que o normal o caboclo dizia que " o mar tá tuíra". Daí então a origem da palavra.
Maratauíra é o nome do rio que banha a cidade de Abaetetuba, em cujas margens nasci e me criei.
Diz a lenda que o nome é a junção de duas palavras, Mar e Tuira.
Rios amazônicos tem suas águas escuras, mas há uma variação para mais ou menos, conforme a época.
Tuíra é uma palavra indígena que significa pardo, escuro..quando iam pescar, e a água estava mais densa do que o normal o caboclo dizia que " o mar tá tuíra". Daí então a origem da palavra.
Interações com os escritos de Iolanda Parente:
Belini Lobato:
POSSO ESTAR MUITO ERRADO, MAS JÁ LI EM ALGUM LUGAR UMA TRADUÇÃO DO TUPY PARA O PORTUGUÊS, EM QUE MARATAUIRA (MARA = FORMIGA, TAUIRA = FOGO) SIGNIFICA LUGAR DE FORMIGA VERMELHA, OU FORMIGA DE FOGO. E ISSO TÊM MUITO A VER COM UMA LENDA ABAETETUBENSE, EM QUE UM PADRE AMALDIÇOOU A CIDADE COM A INVASÃO DAS FORMIGAS ASSASSINAS (FORMIGA DE FOGO), E LEMBRO QUANDO CRIANÇA, QUE EM QUALQUER LUGAR DE ABAETÉ VOCÊ AS ENCONTRAVA DAS PEQUENAS AS GRANDES SAÚVAS. QUALQUER COISA PODE DELETAR TUDO QUE FICA TUDO CERTO!
POSSO ESTAR MUITO ERRADO, MAS JÁ LI EM ALGUM LUGAR UMA TRADUÇÃO DO TUPY PARA O PORTUGUÊS, EM QUE MARATAUIRA (MARA = FORMIGA, TAUIRA = FOGO) SIGNIFICA LUGAR DE FORMIGA VERMELHA, OU FORMIGA DE FOGO. E ISSO TÊM MUITO A VER COM UMA LENDA ABAETETUBENSE, EM QUE UM PADRE AMALDIÇOOU A CIDADE COM A INVASÃO DAS FORMIGAS ASSASSINAS (FORMIGA DE FOGO), E LEMBRO QUANDO CRIANÇA, QUE EM QUALQUER LUGAR DE ABAETÉ VOCÊ AS ENCONTRAVA DAS PEQUENAS AS GRANDES SAÚVAS. QUALQUER COISA PODE DELETAR TUDO QUE FICA TUDO CERTO!
Cabinho Lacerda
Que dia assombrosamente belo pra uma quarta-feira. Fui um dos convidados do lançamento do lindo livro MARATAUÍRA E OUTRAS ÁGUAS, da minha parceira e amiga Iolanda Parente. Pra comemorar o sucesso fomos até o Espaço Cultural Boiúna, onde encontramos o cantor, arranjador, instrumentista (baixo e violão) e compositor carioca Maurício Maestro, do Boca Livre. De quebra deu show maravilhoso. Belém, Belém, eu te quero bem.
Iolanda Parente
Falando em batelão, lembro de um fato engraçado que me aconteceu quando eu era criança. Estava brincando em um deles amarrado à escadinha próxima à loja quando sem mais nem menos resolvi desamarrar a embarcação, sob o olhar curioso do Zé Coré, "seu" Aprígio e do próprio senhor Clóvis, meu pai. A embarcação, livre das amarras, foi se afastando lentamente da ponte e eu, quando dei pela coisa, fiquei apavorada e abri o berreiro. A essa altura a turma de gaiatos estava soltando gargalhadas e nem se importaram com meu desespero. Quando eu já estava muito longe, o seu Aprígio pegou uma veloz canoa e foi resgatar-me. Acho que meu pai se divertiu tanto que nem se lembrou de me dar as bordoadas merecidas. Iolanda p
Iolanda Parente
Eram tempos de regatões e marabaenses. Para os leigos na matéria vou esclarecer.
Regatões - grandes barcos de um ou dois passadiços, usados no transporte de passageiros e mercadorias pelos rios amazônicos .
Marabaenses - esguios barcos de um só passadiço, com uma proa alongada , apropriados para navegar sobre as corredeiras. Eram usados no transporte de castanha do Pará.
Não sei se ainda existem .
A Casa Italiana possuía uma linda ponte em madeira, debruçada sobre o rio Maratauira e sustentada por fortes toras de acapú.
Rente ao perau, a parte mais funda do rio, a " cabeça" da ponte, com as grossas vigas que eram a defesa dos barcos durante a atracação .
Naquela tarde calorenta estava no porto um regatão entupido de castanhas e os dois meninos, Cid e Olga, escaparam da vigilância da mãe e do pai, ganhando a ponte, sorrateiros. Iam pedir um punhado de castanhas
Ao chegarem próximo ao barco trataram de atravessar o pequeno estrado que dava acesso ao barco. Cid foi na frente e Olga atrás. Não tinha mais que cinco anos de idade. Mas seu pé falseou, perdeu o equilíbrio e caiu na água, indo ao fundo.
Mas, Olga ainda tinha muito que viver. Um caboclo que a tudo observava, pulou na água e foi procurar a menina no fundo. Não a achou, a água era escura. Quando já vinha subindo superfície ela atracou no pescoço dele, salvando-se de morrer afogada.
Quando d. Rosa e seu Clovis souberam , ela já estava a salvo, Nem tiveram tempo de assustar-se.
Interações com os escritos de Iolanda Parente:
Interações com os escritos de Iolanda Parente:
Mário Júnior
Belo. Eu venho de uma família de regatões, amiga Iolanda
Parente. Tenho belas lembranças das viagens de meu pai, algumas delas cheguei a acompanhá-lo. Qualquer hora devo ensaiar alguns escritos sobre o tema, que me fascina, por hora tenho apenas o título "Regatões, os Bandeirantes da Amazônia". Grande abraço, tenho rezado por sua irmâzinha, Deus a tenha.
Iolanda Parente
19/9/2016
Olga
Que posso dizer agora? Olga foi embora, um pedaço de mim se foi.
Oh! Morte, aonde está a tua vitória?
Olga era minha irmã mais nova, minha confidente, minha companheira solidária de toda a vida.
E já não posso olha-la pela última vez nem beijar suas maos.
Obrigada pelo carinho, pelos lindos sobrinhos que me deste, pela ternura com que sempre me olhaste adivinhando minhas secretas tristezas.
Obrigada minha irmã querida, que os anjos de luz iluminem teus caminhos.
Um último beijo
Da tua mana
Olga
Que posso dizer agora? Olga foi embora, um pedaço de mim se foi.
Oh! Morte, aonde está a tua vitória?
Olga era minha irmã mais nova, minha confidente, minha companheira solidária de toda a vida.
E já não posso olha-la pela última vez nem beijar suas maos.
Obrigada pelo carinho, pelos lindos sobrinhos que me deste, pela ternura com que sempre me olhaste adivinhando minhas secretas tristezas.
Obrigada minha irmã querida, que os anjos de luz iluminem teus caminhos.
Um último beijo
Da tua mana
Interações com os escritos de Iolanda Parente:
Preciosa De Matos Cunha
Querida amiga Yolanda! Minhas mais sinceras condolências pelo falecimento da sua querida irmã Olga. Estou muito triste pela pessoa maravilhosa que ela foi na terra e que além de sua irmã , era sua melhor amiga e confidente. Que Deus Poderoso , possa consolar seu coração.
Iolanda Parente
Olga
Olga era uma nutricionista como poucas. Não ligava muito para dietas da moda, tabus alimentares, alimento bom ou ruim.
Um dia lhe falei sobre os bikes lanches e ela disse; - Ê o que eles têm para comer, melhor do que passar fome!
Gostava de tomar açaí no café da manhã e detestava margarina. Muito melhor passar manteiga no pão, mas.. um tiquinho;
Adorava os frutos de nossa terra, todos, Piquiá, umari , araçá, inajá, cupuaçu, não escapava nenhum.
Por causa de um triste episódio passou a detestar frango, não comia de jeito nenhum.
E adorava uma cerpinha, bem gelada. Só parou de apreciar quando a doença não lhe permitiu mais.
Era uma das pessoas mais bem humoradas que já conheci. Eu " passava mal" na mão dela, por conta das minhas maluquices, que ela gentilmente apelidou de " iolandices".
Uma pessoa mais que especial
Você faz muita falta, mana
Para a Olga, aonde estiver
Falecida em /9/2016
Cai a noite sobre o terra
Desce um anjo benfazejo
Vem em busca de outro anjo
Que os olhos já encerra
Dos páramos celestiais
Viu outro anjo em sofrimento
A chorar seus tristes ais
Em contrita oração
No mais puro sentimento
Do mais nobre coração
Pediu a Deus permissão
Para levar o anjo terreno
Pondo fim aos seus tormentos
Iolanda Parente
Era um tempo de curumins
Em florestas do sem fim...
Nos rios passeavam iaras
Brincando com as pirararas..
No leito do Urubueua ,
Descansava a cobra-grande
Com o rabo no rio Tauerá.
E, com a maré lançante,
Ao som de um boto berrante
Vinham cardumes de maparás.
Nos aningais escondido,
Um boto olhava o mundo,
Feito de barro e bonança.
Nas velas ao sabor do vento , carregando a esperança,
Passavam as belas canoas
Rindo à toa
das marolas feitas do alento
Dos sonhos daquela gente,
Que habitava aqueles rios ,
Morando na paxiuba ,
Na palafita sem janelas
Cercada de açaizeiros.
Ah o velho Sirituba...
Cheio de miritizeiros!
Ah o velho Tucumanduba,
Dos pagés e rezadores,
Dos Reis e outros autores.
( quem quiser que conte outro)
Iolanda Parente
Ah! O MUNDO SEMPRE FOI,
UM CIRCO SEMPRE IGUAL,
ONDE TODOS REPRESENTAM BEM OU MAL,
PORQUE A FARSA DO PALHAÇO É NATURAL.
Iolanda Parente
"Já faz tempo que troquei Abaetetuba pela "cidade grande"em busca de novos horizontes para minha vida. Mas meu olhar sobre ela é sempre voltado ao passado e, mesmo sabendo ser impossível, muitas vezes vejo-me a suspirar pela volta à pequena cidade de minha infância e adolescência, sem atentar que ela continua dentro de mim, enquanto que a outra, a real, embora ocupando o mesmo espaço físico da cidade de outrora, com ela já não tem a menor semelhança.
Gostaria de ter feito como Carlos Drummond de Andrade, o poeta maior, um mineiro da cidade de Itabira, que se foi para a cidade grande e nunca mais voltou à terra natal. Diz Drummond em um de seus poemas, que preferia preservar a memória de sua infância e juventude, uma cidade pequena e acolhedora, de muitos amigos, mesa farta e clima ameno. Se vivo fosse, acrescentaria mais um quesito, uma cidade sem violência".
Do livro inédito de minha autoria,
UM RIO DE LEMBRANÇAS
Iolanda Parente, Procuradora de Justiça do Ministerio Publico Estadual do Pará, onde trabalhou de dezembro de 1983 – abril de 2006 (22 anos 5 meses) Belém do Pará e já está aposentada desse emprego. Formação acadêmica em Direito , bacharel em Ciências Jurídicas pela UFPA. Atualmente dedica-se à divulgação de seu livro RETRATO DE VIDA e à compilação de novas cronicas tendo em vista o lançamento de um segundo livro.
Sem amor
Já não amo....
Sem amor
Acabou-se a poesia.
Já não sinto...
Já não sinto...
Quando eu amava,
bordava sonhos
de doces 🍭 confeitos
e pintava telas com
asas de borboleta ...
Tecia finas rendas
de ternura
E
Imaginava versos
De amor 
Contava estrelas ....
Agora? O que tenho?
Uma parede vazia
é a realidade,
Dura e fria .
Iolanda Parente
Pai, sei que sou diferente
Dos santos e dos anjos.
Não quero ser como eles
Me basta ser simples gente!
Senhor sou apenas uma reles
Poeta , nem demônio nem arcanjo.
Sou feito de carne e versos
E sentimentos diversos
Sou poeta, nada mais,
Santa? Jamais!
Iolanda Parente
Tua saudade teima em se abrigar
Dentro do meu peito
Quero que vá embora
E ela, timidamente chora,
Pede para ficar num canto qualquer.
Prometo, diz ela, prometo não incomodar.
Vou ficar quieta, mesmo que sem jeito.
São coisas de mulher.
Que só sabe amar
Porque amo lembrar-te docemente,
Porque tua saudade alimenta meu viver,
Não, não vou te deixar
Nem vou te fazer sofrer.
E deixo-a ficar, minha eterna saudade.
Fazer o que?
Envolva em tênues mantos
Minha tristeza paira entre os telhados
Da vida ela rouba o encanto
Seu vulto é o do meu amado
E ela voa ao sabor dos ventos
Me faz ficar tão sozinha
Tristeza, dai-me um alento
Leva em tuas asas a saudade
E traz meu amor, caridade!
Iolanda
Na quietude da noite,
Ouço meus passos
Vibrando como açoites,
Pra espantar o meu cansaço.
Perscruto a escuridão
Procurando o teu vulto,
Perdido na imensidão
Quisera eu ver-te agora
Mas, sei, és a ilusão
Que desfaz-se com a aurora.
Iolanda
Iolanda Parente
Não era para ser outono
E sim, eterna primavera
Vieram as noites e dias
De muitos sonhos...
Tristezas e alegrias,
E de repente a primavera,
Fundiu-se em doce quimera.
Foram-se os dias e as flores,
Vieram as tardes sombrias
Partiram os meus amores,
Levaram minha alegria.
Iolanda Parente
Passou o último folião,
Carregando a fantasia,
De rei, príncipe ou poltrão,
Mentindo sua alegria!
Passa a linda princesinha,
Com seu vestido dourado...
Leva consigo sua sina,
Sob o seu olhar cansado!
Somos todos nesta vida,
Uns eternos foliões,
Trazemos nossas feridas
Lá dentro dos corações...
Acho que deu a louca em meu coração!
Ele anda aí aos pulos, descompassado,
Sem juizo nenhum; com uma canção
A entoar, lembrando o passado!
Lembra-te oh! coração sem vergonha,
Das promessas que um dia fiz,
Das noites solitárias e enfadonhas,
Do quanto aquele amor eu quis!
Ah! coração doce e terno,
Mas com tantas artimanhas,
A encobrir as mentiras
De quem me jura amor eterno
Por que não te tenho ira?
E me quedo assim obediente,
Como diante do altar o crente,
Aos teus mandos e desmandos
Que me fazem seguir amando....
Iolanda
Que bom é viver..
Embora morrendo a cada dia
Se se morre de amor
Se se ri de alegria
Se o corpo te causa dor
Se o tempo segue inclemente
A atropelar toda a gente,
Colha flores
Esqueça as dores
Ame apaixonadamente,
Desbragadamente
Ria às bandeiras despregadas
Abafe o pranto
Se puder
Ou derrame lágrimas
Sentidas
Faz parte da vida
Esqueça o tempo
Que corre
Só ele pra curar
Nossas feridas
Ame, ame
Sem medida
De amar.
O amor deveria ser como as flores
As flores são tão belas!
Tão singelas....
Mas flores não causam dores
Estou só como um navegante
Perdido em alto-mar
Tão só quanto um amante
Cansado de tanto amar
Choro eu, quem me consola?
Minhas lágrimas enxugo eu,
Abro da vida a cancela,
Deixo entrar os sonhos meus.
Pobres e desenganados sonhos
Perdidos no tempo e na mente,
Tantos foram, tantos são,
Os sonhos do coração.
Deixem-me com meus sonhares,
Gosto de sentir a ilusão,
Que se tem daqueles amores,
Sonhados que são em vão.
Ser só
Ser só é caminhar entre as gentes
se sentindo diferente?
Pássaros voam aos pares,
Outros bichos em seus andares,
sempre andam aos bandos.
Por que ficamos sós?
Por que somos sós,
Nós?
para melhorar o astral, uma foto bem malcriada, rsrs
Ah esperança,
Aonde estás que não te vejo?
Procuro até onde a vista alcança,
Te quero, te desejo!
Mas, você, malvada
Parece perdida
Em meio à minha estrada
Sou fera ferida
À procura da luz
Meu mal não tem cura,
O abismo me seduz
Mas, faço o sinal da cruz
E prossigo em meu caminho..
Encontro espinhos,
Encontro dor
Só não encontro
O meu amor. Ah esperança,
Aonde estás que não te vejo?
Procuro até onde a vista alcança,
Te quero, te desejo!
Mas, você, malvada
Parece perdida
Em meio à minha estrada
Sou fera ferida
À procura da luz
Meu mal não tem cura,
O abismo me seduz
Mas, faço o sinal da cruz
E prossigo em meu caminho..
Encontro espinhos,
Encontro dor
Só não encontro
O meu amor.
O que fazer com
O coração
Quando a alma
Se queda triste?
Cantamos uma canção?
Fingimos um amor
Que não existe?
No fundo o que
Me acalma
E traz de volta
O sonhar
É aceitar sem revolta
Que nasci para
Só estar.
E já são tantos os dias e foram tantas as vias
de tristeza e alegrias
Tanta vida já vivida
Tanto pranto derramado
Tantos risos esparramados
Sementes pelo caminho
Vida sofrida, é a vida
Tanta beleza mundo afora
Tantos amores indo embora
E tanta vida desabrochando
E lágrimas foram rolando
De dor e felicidade
De tantas tantas saudades...
Te amo vida!
Quanta gratidão te tenho
No fundo do coração.
Vida, minha Vida.
Desconfiem do meu silêncio,
Ele é barulhento!
E traz mensagens ocultas...
Desconfia quando me recolho
ao meu quarto escuro
Em estado de conflito puro..
Escuta!
Se puderes, leia em meus olhos...
Neste silêncio lento,
Lerás a minha alma.
Seja meu intérprete para o mundo
Me acalma.
Acolha-me em teus braços até
o meu adormecer..em sono profundo..
Faça-me acreditar
que o amor existe,
e que eu ainda posso amar,
Apesar de desiludida e triste.
{Katheryn, minha linda neta}
O que resta de mim, daquilo que fui um dia, dos meus sonhos de alecrim? Das minhas fantasias? Agora busco os pedaços/ espalhados pelo chão/mas perdi meus endereços/minha busca é em vão.
Na roda de meu destino,
Escrito em seus escaninhos,
Estão sentenças
E espinhos
Tantos amores,
Tanta falta de carinho
Tantas dores...
Mas também muita esperança,
A cada dia cultivadas
E a cada lua crescente,
Tantas desperdiçadas!
Vida, minha vida...
Nenhuma Rosa roubada
De algum pobre jardim
Chegou até mim
Pelas mãos de um sonhador...
Olhando as estrelas no céu
Que vagam assim ao léu,
Não vislumbro algum amor
Perderam-se pelo caminho...
Iolanda
Gosto da vida assim
Colorida
Pulsando dentro
De mim
Gosto de me amar
E amar
Alma ao vento
Olhar atento
Mesmo que as
Marés
E suas correntes
Me peguem
Em torrentes
Pelo convés.
O sol ainda dormia
Quando o poeta
Que em mim habita
Sem minha alforria
Despertou para o dia
Um dia vou embora deste mundo
Eu sei..
E levarei no mais profundo
Do meu ser
O amor que te dediquei.
Vieram as tormentas
E as calmarias
Que a alma inventa..
Vieram as noites frias
E tão. longe eu estava
Do teu encanto
E, no entanto,
Em cada canto
Havia a poesia
Do teu doce desencanto...
Em cada recanto
Desta alma que sofria...
E, assim tão sozinha,
Com essa dor tão minha,
Não deixei em nenhum momento
De te amar
E de recordar
A ti, que és meu amor
E meu tormento.
Ao amor que perdi
Ioiô
Solitário
É caminhar entre as gentes,
Indiferentes
Ao teu calvário
Tristeza
É te ver passando
Com leveza
E eu derramando
Poesia
Aspergindo
Agonia
Em cada rima torta,
Olhando a porta
Por onde esvai
Minha alegria .
Neste domingo de sol
e céu azul
onde gostaria
de ver o arrebol?
Em alguma ilha ao Sul
ou em um mar de encantarias?
Gostaria de seguir
a trilhas dos golfinhos
ou o caminho das baleias,
mesmo sozinho....
e sem peias.
Navegar de caiaque
pelas corredeiras
de algum rio selvagem,
sem choradeiras...
e seguir viagem
pelas trilhas do sonho
mesmo tristonho....
Fui.....
Porta-retratos
A menina de olhos tristes
Olha-me assim desconfiada..
Será que ela ainda existe,
Ou perdeu-se pela estrada?
Passo por ela de esguelha
Mal vejo a menina
Que o porta-retrato espelha
Assim tão pequenina....
Vou seguindo adiante
Disfarço pra não chorar
Olhando ali na estante
A menina a me olhar.
Às vezes..( às vezes)
Com tantos revezes
Me pareço com uma bailarina
De pernas quebradas
Que sonha em surdina
Voar libertada
Da inútil matéria
Que lhe prende ao solo
Que é sua miséria
E o seu desconsolo
Quando desperta.
E por falar de amor
Amores perfeitos
São flores
Conto de fadas
É isso, mais nada
Romances?
Romeu e Julieta
Deu em falseta
Desdêmona? coitada
Mal amada,
Foi assassinada.
Amantes ciumentos,
Ou desatentos..
Ou infiéis!
Finais crueis!
Ok! sou uma descrente!
Mas, por favor ,
quem pensa diferente
Me encontre,
Neste ou noutro horizonte,
Outra rima para o amor,
Além da dor.
Iolanda
(Castelo da Cinderela)
Amores perfeitos
São flores
Conto de fadas
É isso, mais nada
Romances?
Romeu e Julieta
Deu em falseta
Desdêmona? coitada
Mal amada,
Foi assassinada.
Amantes ciumentos,
Ou desatentos..
Ou infiéis!
Finais crueis!
Ok! sou uma descrente!
Mas, por favor ,
quem pensa diferente
Me encontre,
Neste ou noutro horizonte,
Outra rima para o amor,
Além da dor.
Iolanda
Quimera
O amor que não tive,
Com gosto de primavera,
E que no peito ainda vive..
Como vivem as quimeras.
Aquele abraço apertado
Que sonhei ganhar de ti,
Aquele beijo roubado
Como jamais senti..
Tantas foram as quimeras
Tantos foram meus amores
Quanto tanto eu quisera
Ter amores e não dores.
Esse rio é minha rua
Bordado por verdes matas,
Que em suas aguas flutuam,
Como notas de uma sonata
Águas do rio Guamá
Se confundem com a baía
Baia de Guajará,
Que de longe tudo espia...
E, ao entardecer vem o vento,
arrepiar essas águas,
como um amante ciumento
A vigiar sua amada.
Faça versos
Quando a alma estiver triste,
Pode até sair aos pedaços
Ou serem versos adversos
Que importa?
Se o amor fechou a porta.
E não mais existe...
Se o riso foi embora,
Se a dor à flor da pele
Aflora?
Se tua alma chora,
Se o canto não mais
Te encanta,
E nada mais te importa,
Faça versos.
Quando, amor, te perdi?
Em que dia e hora me restou esquecer,
Em que vereda do tempo te escondi,
Tu, que eras a razão do meu viver?
Agora ando eu como um errante,
Na busca inútil do teu amor perdido...
Meu terno e eterno amante,
Que trago aqui no peito escondido.
À noite plena de escuridão
Fico a sonhar distraída...
Com essa louca paixão,
Que se foi de mim esquecida.
Iolanda
"Que é de ti, melancolia,
Onde estás, cuidados meus?
Sabei que minha alegria,
É toda vinda de Deus"
Os jardins de d. Rosa
O jardim de d. Rosa,
Não era qualquer jardim,
Debruçava-se todo prosa
Sobre o igarapé-mirim.
No jardim, claro, haviam rosas
Aliás, muito formosas
Como todas as rosas.
Mas, também haviam jasmins
Naquele jardim.
O jardim era suspenso
Como os da Babilônia
Era consenso....
Plantados por cima da ponte,
Davam flores e begônias.
Parece que ainda estou vendo,
O magro tio arrastando
Suas mãos sobre a cerca,
Que separava o jardim da ponte
Arquejando, arquejando...
Olhando o horizonte.
E o popopô dos barcos
Como se fossem galés
Entrando no Igarapé,
Com os bois para o sacrifício .
Pobres bichos, que suplício!
E os pesados passos,
Do seu Pompeu enxugando a testa
Com o seu lenço carmim.
A lembrança é o que resta,
De d. Rosa o jardim.
POEMA RIBEIRINHO
Nasci de frente pro rio,
Assim bem rente ao Maratauira!
Donde os botos passeavam
Enfileirados ao assobio,
Das mocinhas que brincavam
A samaumeira derramava seus galhos,
Dançando feito espantalhos,
Tentando beijar as aguas!
As saracuras cantavam,
Anunciando a alvorada,
E, na tarde que caia
Vinham elas alvoraçadas
Cantar o seu triste canto…
Quebra-pote, quebra-pote,
Seu canto de agonia.
As águas do igarapé,
Que com as do rio se confundiam
Lavavam os pés do casario.
E, à luz do sol poente,
Nas tardes quente do estio,
Os barcos nas pontes atracados,
Com respeito à Ave-Maria,
Suas bandeiras à proa arriavam….
E se algum incauto esquecia,
Essa norma derradeira,
Vinha o coro lá da beira,
A gritar:
- Arria a bandeira, Arria a bandeira!
Iolanda.
Estou só como um navegante
Perdido em alto-mar
Tão só quanto um amante
Cansado de tanto amar
Choro eu, quem me consola?
Minhas lágrimas enxugo eu,
Abro da vida a cancela,
Deixo entrar os sonhos meus.
Pobres e desenganados sonhos
Perdidos no tempo e na mente,
Tantos foram, tantos são,
Os sonhos do coração.
Deixem-me com meus sonhares,
Gosto de sentir a ilusão,
Que se tem daqueles amores,
Sonhados que são em vão.
TUCURUI
Quem aprisionou as águas
do velho Tocantins?
Foram-se os assurinis
Gaviões e Paracanås,
Desta terra dos confins.
Afogaram os castanhais,
Desnudaram suas colinas...
Saiu o trem..
Veio o jato, o lago,
as turbinas.
Veio o capixaba, o gaúcho
Os nordestinos,
Em busca de seus destinos.
Veio o progresso,
não houve regresso!
"Fiat lux"! Disse o homem...
A luz jorrou..
E o curumim chorou.
Existe em meu jardim,
Um pequenino pé de jasmim..
Daqueles com florzinhas brancas,
E perfume embriagador;
Pois o meu jasminzeiro,
Tão frágil e tão verdadeiro,
Sabendo de minha dor,
Como um amigo sincero,
Deu-me o seu melhor olor.
Iolanda
Ah! Tempo! Tempo....
Roubastes o que tinha de mais precioso,
A esperança.
Já não posso mais dar meus suspiros,
De amor
Nem sonhar com fadas e gnomos
Tempo, tempo que me leva e leva
Meus sonhos...
Chegou o outono
E ele não veio!
Logo chegará o inverno
E ele não virá.
O meu amado
Amante
Que se foi
Para nunca mais voltar.....
Poesias de Iolanda Parente
Iolanda
Envolva em tênues mantos
Minha tristeza paira entre os telhados
Da vida ela rouba o encanto
Seu vulto é o do meu amado
E ela voa ao sabor dos ventos
Me faz ficar tão sozinha
Tristeza, dai-me um alento
Leva em tuas asas a saudade
E traz meu amor, caridade!
Iolanda
Na quietude da noite,
Ouço meus passos
Vibrando como açoites,
Pra espantar o meu cansaço.
Perscruto a escuridão
Procurando o teu vulto,
Perdido na imensidão
Quisera eu ver-te agora
Mas, sei, és a ilusão
Que desfaz-se com a aurora.
Iolanda
Iolanda
Envolva em tênues mantos
Minha tristeza paira entre os telhados
Da vida ela rouba o encanto
Seu vulto é o do meu amado
E ela voa ao sabor dos ventos
Me faz ficar tão sozinha
Tristeza, dai-me um alento
Leva em tuas asas a saudade
E traz meu amor, caridade!
Iolanda
Na quietude da noite,
Ouço meus passos
Vibrando como açoites,
Pra espantar o meu cansaço.
Perscruto a escuridão
Procurando o teu vulto,
Perdido na imensidão
Quisera eu ver-te agora
Mas, sei, és a ilusão
Que desfaz-se com a aurora.
Iolanda
O amor parece chegar devagarinho...
Não, te afasta de mim, vai embora
Amor, deixa-me ir agora.
Por que amar é um precipício
É imolar-se em sacrifício.
Prefiro o limbo das noites frias.
Não tenho medo da solidão,
O que temo é a agonia,
Das dores do coração.
Iolanda.
Iolanda Parente
O que desejar para o novo ano?
Que eu tenha saúde, paz e harmonia.
Que não me venham os desenganos,
Que não me faltem os amigos e o pão de cada dia.
Que eu tenha o amor de meus familiares
E que não me faltem sorrisos e cantares.
E que meu barco me leve a outras paisagens
Afinal, é bom respirar outros ares,
Em muitas, muitas viagens.
Amém
São velhas tábuas de um azul envelhecido,
Daquilo que um dia foi meu lar.
Lembranças de um tempo já perdido
Velhos pedaços de memória a relembrar
Correrias de crianças a brincar,
Odores e sabores na cozinha.
Passos de pessoas a caminhar
Ah! Quantas lembranças minhas...
Nada restou daqueles verdes anos
Foram-se as águas, foi-se de tantos a vida
Restou a saudade sem tamanho,
Daquela casa tão querida.
Iolanda Parente
O amor parece chegar devagarinho...
Não, te afasta de mim, vai embora
Amor, deixa-me ir agora.
Por que amar é um precipício
É imolar-se em sacrifício.
Prefiro o limbo das noites frias.
Não tenho medo da solidão,
O que temo é a agonia,
Das dores do coração.
Iolanda Parente
Iolanda Parente
Só somos
Num assomo
Eu só
Você com dó
Dó de mim
De minha solitude
Mas, é assim. ....
Só somos
Está é nossa virtude
Ou nosso pecado?
O recado está dado.
Iolanda Parente
Desde a época das
minhas raras viagens Abaetetuba/Belem a bordo do Caliandares ou do Peri, que
pareciam casca de nozes no meio da baia de Guajará, e das viagens pela estrada
de terra nos bancos de um pau de arara até Na. Sa. do Tempo, viajar para mim
sempre foi uma aventura.
Gosto de voar, e não compreendo por que algumas pessoas têm medo de aviao. Ora, para morrer basta estar vivo, ja dizia minha mãe que, alias, adorava viajar.
Quis o destino que minhas filhas alçassem voo para outras plagas e que fizesse eu amizade com pessoas que, como eu, gostam de estar pra la e pra cá.
Amanhã, lá vou eu novamente para as terras do Tio Sam, que, alias, é um tio muito bacana para mim e para minha família. Não vejo a hora de apertar nos braços os meus queridos e desfrutar ainda que por pouco tempo, de um lugar sem muros, cercas elétricas, pichadores ou flanelinhas.
Aqui em Belem jaz meu coração, mas, nele cabem também muitos lugares do mundo.
E vou continuar indo e vindo até que o tempo me avise que é hora de parar. Em que lugar? Não sei.
Gosto de voar, e não compreendo por que algumas pessoas têm medo de aviao. Ora, para morrer basta estar vivo, ja dizia minha mãe que, alias, adorava viajar.
Quis o destino que minhas filhas alçassem voo para outras plagas e que fizesse eu amizade com pessoas que, como eu, gostam de estar pra la e pra cá.
Amanhã, lá vou eu novamente para as terras do Tio Sam, que, alias, é um tio muito bacana para mim e para minha família. Não vejo a hora de apertar nos braços os meus queridos e desfrutar ainda que por pouco tempo, de um lugar sem muros, cercas elétricas, pichadores ou flanelinhas.
Aqui em Belem jaz meu coração, mas, nele cabem também muitos lugares do mundo.
E vou continuar indo e vindo até que o tempo me avise que é hora de parar. Em que lugar? Não sei.
Hoje não estou para brincadeiras
Até São Pedro concorda comigo
Melhor calar-se que dizer asneiras
Porque hoje é sábado, meu amigo
Antes que o final aconteça,
Ainda quero sonhar como um anjo
Antes que o corpo pereça
Quero amar ao som de um banjo
Banjo pede um violão
Um pandeiro malemolente
E a guitarra portuguesa
Para adormecer docemente
As dores do coração
Quando afinal vier o anjo
Salvar-me deste calvário
Que venha ao som de violinos
Sax e cavaquinhos.
Iolanda Parente
Até São Pedro concorda comigo
Melhor calar-se que dizer asneiras
Porque hoje é sábado, meu amigo
Lá fora cai uma chuva de fininho
E nem tenho rede para me embalar
Muito menos um amor para amar
Nem sol, lua ou carinho
Mas, mulher que é mulher não desiste
Põe brinco, sandália e perfume francês
Finge que a tristeza não existe
E vai à luta outra vez .
E nem tenho rede para me embalar
Muito menos um amor para amar
Nem sol, lua ou carinho
Mas, mulher que é mulher não desiste
Põe brinco, sandália e perfume francês
Finge que a tristeza não existe
E vai à luta outra vez .
Antes que o final aconteça,
Ainda quero sonhar como um anjo
Antes que o corpo pereça
Quero amar ao som de um banjo
Banjo pede um violão
Um pandeiro malemolente
E a guitarra portuguesa
Para adormecer docemente
As dores do coração
Quando afinal vier o anjo
Salvar-me deste calvário
Que venha ao som de violinos
Sax e cavaquinhos.
Iolanda Parente
Nesta noite fria, entre as quatro paredes que encerram minha solidão, a mente voa até um tempo já distante.
Lembro de um quarto comprido, feito de madeira, com muitas redes, porque eram muitos os filhos, alumiado pela bruxuleante chama das lamparinas. Em uma pequena rede, um recém-nascido, porque ribeirinho que se preza já nasce deitado em uma delas.
Em um canto do quarto, um fogareiro, alimentado pelo carvão em brasa. Por cima, um paneiro com os cueiros do bebê, ali postos para enxugar, porque as chuvas impediam que o sol brilhasse, crianças vivem fazendo cocô e xixi e os panos eram poucos.
E, para perfumar os cueiros, colocavam sobre as brasas alecrim e alfazema.
E todo o ambiente ficava impregnado daquele maravilhoso perfume.
A magia daquele quarto de minha infância jamais saiu-me da mente.
~~
Lembro de um quarto comprido, feito de madeira, com muitas redes, porque eram muitos os filhos, alumiado pela bruxuleante chama das lamparinas. Em uma pequena rede, um recém-nascido, porque ribeirinho que se preza já nasce deitado em uma delas.
Em um canto do quarto, um fogareiro, alimentado pelo carvão em brasa. Por cima, um paneiro com os cueiros do bebê, ali postos para enxugar, porque as chuvas impediam que o sol brilhasse, crianças vivem fazendo cocô e xixi e os panos eram poucos.
E, para perfumar os cueiros, colocavam sobre as brasas alecrim e alfazema.
E todo o ambiente ficava impregnado daquele maravilhoso perfume.
A magia daquele quarto de minha infância jamais saiu-me da mente.
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Da crônica " Para viver um grande amor"
Para viver um grande amor,
É preciso, antes de tudo,
Entregar-se com ardor
E fazer da razão um escudo
Para não ferir o coração
Para viver um grande amor
É preciso sagrar-se rainha
De um só súdito.
E ter pele de veludo,
E carícias nas mãos,
E boca que silencia
Mas beija com sofreguidão.
Necessária a poesia
Para desfiar tolos versos
Ao pé do ouvido amado.
Sem pensamentos adversos
Sem tempo marcado.
E ser fiel e confiante
Isso é o bastante.
E amar, porque de amor
São feitos todos dias
Iolanda
Não
serei a musa de teus versos loucos/Não suspirarei por teus
carinhos/Serei sim uma estrela de Andrômeda/A vagar pela Via Láctea /A
rainha louca / Ariadne a tecer eternamente os fios do destino/ A
dissoluta cafetina de um cabaré marciano/Desfiarei minhas desditas pelas
crateras lunares/E me acorrentarei aos pés de Prometeu acorrentado/
Vagarei eternamente pelo Universo sem fim/Até mergulhar no buraco negro,
túmulo das estrelas.
Se estou maluca? Quem não é?
Iolanda Parente
Deixem o poeta
Chorar seu luto.
Quem morreu?
Morreu um sonho.
Amanhã?
Haverão outros sonhos
E outros risos
Em Aldebaran !
Se estou maluca? Quem não é?
Iolanda Parente
Deixem o poeta
Chorar seu luto.
Quem morreu?
Morreu um sonho.
Amanhã?
Haverão outros sonhos
E outros risos
Em Aldebaran !
Iolanda Parente
Convivi muito poucas vezes com minha avó paterna, uma italiana de gema, natural da cidade de Treviso, que fica a poucos minutos de Veneza. Crianças, certa vez, época da festa de Conceição, passavamos pelo Canto do Rádio e a sala estava toda iluminada. Dentro, o andor de Na. Sa. da Conceição e minhas tias enfeitando a Santa com lindas flores. Perto, apreciando a cena, a minha avó sentada em uma cadeira. Entramos para tomar-lhe a benção, meio que medrosos. Muitos anos depois, falei com tia Ione, a filha mais nova dela, sobre o fato e ela então contou-me que na época estavam cumprindo uma promessa feita a Na.Sa da Conceição e tinham ido a Abaeté especialmente para isso
Minha tia Olga, sua irmã, contou ela, fora vitima de uma grave enfermidade e desenganada pelos médicos. Fizeram, então, uma promessa à Santa e ela curou-se do tumor que quase a matara. E estavam convictas de que a Padroeira operara o milagre. Acredito.



