quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

Poesias de Celso de Alencar - Poetas e Poesias

Poesias de Celso de Alencar - Poetas e Poesias
20/12/18
Amigos e amigas, a Editora Penalux publicou a 3ª edição do O Primeiro Inferno e Outros Poemas, com uma pequena ampliação. Foi incluído o poema As 111 Picas com um breve documento crítico do professor e poeta, Fabiano Fernandes Garcez. Esse poema foi publicado na primeira edição do Poemas Perversos. Agora, exponho um áudio da musicalização desse poema pelo cantor e compositor Doctor Xyss, acompanhado pela atriz e apresentadora, Gigi Anhelli(Gigi do Bambalalão). Creio que essa gravação tenha uns 20 anos. O poema foi criado em 1997.





Celso de Alencar Beth Brait Alvim Maria Beth, posto aqui um poema que tem 38 anos, criado para o concurso de poesia falada da revista escrita, e agora publicado no Desnudo. O seu "policia de montaria", "eugenia", "extermínio", levou-me a postar esse poema. Beijos TODOS NÓS ÉRAMOS HIPÓCRITAS

Estávamos todos ali.
Atentos a nós mesmos
às nossas palavras.
Atentos a páginas de livros envelhecidos.
Fora do prédio, surgida do céu,
enfurecida estava a puta na rua.
Loira, meia idade, olhos alemães
voz embriagada e roupas de mulher viúva.
Já se passara o amanhecer
mas ainda estava manhã.
De sua boca, adjetivos de satã
eram dirigidos a um homem que
ameaçava-lhe bater com uma perna de cadeira.
Estávamos todos ali, atentos, envidrados.
Seus gritos confundiam-se com as buzinas dos automóveis.
Afora os olhos do povo nas calçadas,
nossos olhos pertenciam agora àquela imagem.
Não mais ouvíamos as suas palavras.
Víamos sim os seus gestos
a sua dança, os passos da loucura.
E foi então que
sob o sol opaco do dia
Como mágica
como o pano preto da máquina de fotografia
ergueu a curta saia
e com mãos de ódio, com profundo ódio,
esfregou a fulgurante buceta.
Havia rancor
em seus gestos e palavras.
Estávamos todos alí
bêbados dentro de um aquário
observando a vida.
Não houve tempo para
o homem consumar seu crime.
Surgidos do inferno
dois homens montados
em cavalos pretos
arrebataram-nos pelos pescoços
como se apanhassem
cachorros ou gatos novos
arrastando-os pela rua.
Èramos hipócritas sim antes
de voltarmos para o nosso inferno.



envio-lhes o convite o convite para o lançamento do tranSPassar. E um dos meus poemas da Antologia.
DESPOJOS DA RUA GUAIANASES

Amanhece o dia como

um dia que não principia.

Há uma neblina escondendo
os fios da energia elétrica.
Os pombos dormem
e estão tranquilos.
Embaixo se encontram os mortos
jogados nos meios-fios
e nas calçadas.
Eu disse: um dia eles vão morrer
sobre uma bandeira noturna.
Todos estão mortos cheios de silêncio.
As lojas estão fechadas.
Não há nenhum comprador
não há ninguém na rua.
Somente os gatos se movimentam
com seus passos provisórios
e seus rabos desviados das pequenas poças.
Todos estão mortos com seus ossos.
Eu disse que iriam morrer.
Agora, aguardam o caminhão do governo
para transporte de mortos.
Alguns prédios começam
a acender suas lâmpadas.
A rua é antiga e está terrivelmente triste.
Faz tempo que é triste
e se consome com leves tremores de inverno.
Ninguém entendeu as minhas
palavras quando eu tratava de mortos.
Eu disse que iriam morrer.


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