Clóvis de Figueiredo Cardoso - Poetas e Poesias
O TEMPO DE UMA ABAETÉ
A avó Maria segurava sua mão e caminhavam para o sítio na “Boca do Jarumã”, por onde passava o antigo ramal de Beja, numa distância de mais ou menos cinco quilômetros.
Era uma aventura aquela caminhada. Tanto pela lonjura quanto pela descoberta que no caminho a avó fazia questão de iniciá-lo.
A velha senhora, feições típicas de cabocla ribeirinha, carregava um ‘aturá’, grande cesto tecido de cipós, no qual passava uma espécie de cinta que ia presa em sua testa. Utensílio indígena com toda certeza.
Uma parada e apanhavam camapús, noutra, tucumãs e inajás, que pendiam sob armadilhas de espinhos.
Após o “Campo da Aviação”, antes do “Laranjal”, ficava um sororocal, onde pombos-do-mato arrulhavam em grande algazarra.
Sempre tinha a vez da paradinha para acender um cachimbo de cabeça de barro, após fatiar-se o “tabaco de mole” e amassá-lo nas mãos. Apesar da avó fumar o tabaco de mole, que era comprido como uma vara e vinha enrolado numa embira, no aturá ia o tabaco “Leão” que era o do gosto do avô. Na “Bera” tinha também o tabaco “Papão” que, tal qual o Leão, já vinha cortado, desfiado e empacotado. A paixão pelos times do Payssandu ou do Remo é que definiam a diferença de marcas e o gosto do fumante...
Às vezes cortavam caminho pela mata, passando pela tapera do Manduca, lanterneiro fazedor de lamparina a partir de lata de leite ninho, e por um afamado “terreiro” onde se cultuava Mãe Mariana, a Rainha da Turquia que se encantou nas matas da Amazônia.
Mas o que impressionava o menino eram os ensinamentos que recebia. As folhas e ramas de murta braba eram reconhecidas e apanhadas calmamente com um ritual religioso. A identificação do pé de verônica e a forma de se retirar suas partes sem matar a planta que junto com outras ia compor uma milagrosa garrafada para apertar vaginas e ajudar as raparigas e moças de família a resolverem diversos problemas sexuais, afetivos e financeiros. Além dessas, muitas e outras plantas da flora amazônica revelavam suas mágicas para o garoto.
Para se chegar no sítio, antes se passava pela floresta de ingazeiros, castanheira, andirobeira, bacuri-pari e açu, pepino do mato, pé de ginja, cacau, cacaui, açaí, bacaba, e uma bela casa-de-farinha com seus pilões, pás, remos, tipitis e o gigante forno de cobre para torrar a farinha d’água.
O menino corria para o avô e o abraçava. O avô,cego, segurando em uma mão uma vara e noutra a pequena mão, contava o que mais gostava de ouvir: a história da Rainha Encantada Maria de Portugal que vivia no olho d’água perto do Tijuquaquara e que explodia nas noites de lua cheia à qualquer aproximação humana.
A noite todos os sons e todos os encantamentos passavam na ilharga daquela casa abençoada. Mapinguari, Cobra-Grande, Negrinho da Pororoca, Labisonho, Padre-Sem-Cabeça e todos os entes do tempo.
Ao amanhecer o menino segurava a mão do avô cego que seguia pela mata, mas que a conhecia com a alma. Banhavam-se nas águas do igarapé ao lado de currais de mandioca braba que fermentavam tucupi em suas entranhas. Acarás passeavam tranqüilos sobre as águas.
Esse tempo anda vagando pela lembrança de um homem adulto, jogado no mundo que não lhe pertence, em qualquer metrópole da Terra.
O tempo pertence ao avô que doou sua carne e seu espírito para germinar um pé de andiroba na ilharga de um igarapé.
O tempo pertence à avó que encantou-se Matinta Perera e que espera seu neto trazer-lhe um bom tabaco de mole.
Cuiabá, 29 de outubro de 2009
Clóvis Figueiredo Cardoso
TRIPA DE ACARI
Quando íamos pescar na Ponte Grande (assim denominávamos o Trapiche), seguíamos um ritual: arranjar a linha de pesca, o s anzóis e a chumbada que era comprada em tiras e amassadas. Depois arrumar a isca, que dava um trabalho danado: ou roubávamos um pedaço de charque no Tio Raimundo Figueiredo ou pegávamos emprestado uns camarões na Beira. Às vezes conseguíamos alguma minhoca lá Muinha, mas era difícil. Daí, era ficar na “cabeça da ponte” e lançar a linhada na esperança de algum mandiÍ ou mandubé se interessar pelos petiscos, quando não vinha candiru, baiacu ou bacu pra atazanar nossa diversão. Mas tinha dois problemas gravíssimos. O primeiro era esquivar a linha da quantidade de canoas, montarias, bajaras, batelões e barcos que aportavam ou simplesmente passavam pelo local. O segundo problema era o mais difícil. Era quando puxávamos a linha e ela ia se amontoando, e nesse amontoar ela se enrolava toda formando um nó górdio de impossível solução. Nesses momentos, não tinha santo pra quem recorrer....a única alternativa era lançar mão de um mantra proveniente de nossos ancestrais via tradição oral. Então, como monges tibetanos, púnhamos a concentração naquele emaranhado de fios de nylon, recitando como uma prece infinita: -“tripa de acari...tripa de acari... tripa de acari...tripa de acari... tripa de acari...tripa de acari
Quando íamos pescar na Ponte Grande (assim denominávamos o Trapiche), seguíamos um ritual: arranjar a linha de pesca, o s anzóis e a chumbada que era comprada em tiras e amassadas. Depois arrumar a isca, que dava um trabalho danado: ou roubávamos um pedaço de charque no Tio Raimundo Figueiredo ou pegávamos emprestado uns camarões na Beira. Às vezes conseguíamos alguma minhoca lá Muinha, mas era difícil. Daí, era ficar na “cabeça da ponte” e lançar a linhada na esperança de algum mandiÍ ou mandubé se interessar pelos petiscos, quando não vinha candiru, baiacu ou bacu pra atazanar nossa diversão. Mas tinha dois problemas gravíssimos. O primeiro era esquivar a linha da quantidade de canoas, montarias, bajaras, batelões e barcos que aportavam ou simplesmente passavam pelo local. O segundo problema era o mais difícil. Era quando puxávamos a linha e ela ia se amontoando, e nesse amontoar ela se enrolava toda formando um nó górdio de impossível solução. Nesses momentos, não tinha santo pra quem recorrer....a única alternativa era lançar mão de um mantra proveniente de nossos ancestrais via tradição oral. Então, como monges tibetanos, púnhamos a concentração naquele emaranhado de fios de nylon, recitando como uma prece infinita: -“tripa de acari...tripa de acari... tripa de acari...tripa de acari... tripa de acari...tripa de acari
A LENDA DA ILHA DA PACOCA
José Cardoso, navegador como todos nós que o barro de Abaetetuba procriou, amigo dileto do Orkut, arremessou um indignada e justa reclamação contra os gerentes de ontem e de agora de nosso arraial. É que nunca tinha lido em qualquer lugar a "Lenda da Ilha da Pacoca" nosso maior patrimônio fabulesco. Essa história permanece viva pela transmissão oral de nosso povo. Só por isso. Faltava zelo aos governantes para mandar imprimir um texto com esse patrimônio cultural abaetetubense.
Retruquei essa afirmação de José Cardoso dizendo que na Escola "Álvaro Guião" em São Carlos, São Paulo, onde concluí o 2º Grau, possui uma biblioteca muito boa, onde existia um exemplar da obra "Lendas Amazônicas" onde estava narrada a Lenda da Pacoca, embora ignorando nosso município. Foi, entretanto a única ocasião que li tal lenda. Aliás, só vil esse livro uma vez. Voltei a procurá-lo e não mais encontrei.
José Cardoso, Oficial da Marinha Mercante como dois irmãos meus e vários outros amigos, disse que não tinha conhecimento que algum filho da terra tivesse a hombridade de passar para o texto aquela história.
Ficamos por aí.
Passados alguns dias, dei-me conta que ele tinha razão e que tinha lançado aquele desafio para mim. Mandei uma mensagem aceitando o desafio mas propondo que ele ajudasse a completar a história, pois eu tinha lembrança do essencial, mas não tinha certeza quanto ao todo. Infelizmente não obtive resposta.
Tentei quietar, mas não consegui. O desafio merecia ser respondido à altura. Inclusive pela preservação do patrimônio de nosso povo.
Assim, escrevi a lenda.
A LENDA DA ILHA DA PACOCA
Demóstenes, no auge de sua juventude, sentiu ardor no peito. Não, não era doença braba, mas um não-sei-o-quê, um não-tem-lugar, uma apertação no corpo, uma friagem quente que nem ele, com seu sentir, podia explicar o que era. Tinha aparecido no arraial de N. Sra. da Conceição quando viu aquela mocinha, tão bonita como as girandas de brinquedos. Era a Sebastiana, filha mais nova do Velho Bruno, tecedor de matapi lá do Furo-Grande.
O doente de não-sabe-o-quê, filho único de navegadores dos rios e do mar, estava só no mundo desde a adolescência, quando o pai não respeitou a tradição de presentear os negrinhos-da-pororoca com a destilada cana de Abaeté, perecendo entre ondas e remansos do encontro de águas doces e salgadas.
Homem de habilidades, Demóstenes dominava a ciência de se conduzir pelas águas, salgadas ou doces, calmas ou revoltas, no claro ou no escuro, de qualquer forma. Se tivesse apenas uma enxó construía qualquer embarcação, dependendo da madeira e do tempo. A matemática dos mastros e dos cascos lhe pertencia. A mecânica dos astros, o cheiro e a direção dos ventos, e as marés, era tudo o que precisava para navegar em qualquer água. Cortava o pano com o cálculo da experiência , encerava-o com resina de plantas ou de peixes, organizando qualquer velame.
Não tinha paragem. Hoje aqui, amanhã outro porto.
Mas jurou ficar ponte pelo amor da linda Sebastiana.
Tanto cantou, tanto cercou, tanto falou e ouviu, que Sebastiana também sentiu ardor no peito , o não-sei-o-quê , a apertação, o não-tem-lugar, as friagens, ou seja, apaixonou-se pelo navegador Demóstenes.
Pediu a moça em casamento e levou, não só a benção de seus pais, mas uma terra para se quietar: um lindo paraíso de várzeas, igapós e terra-firme, chamada de Ilha da Pacoca porque lá moravam muitas pacas.
Demóstenes e Sebastiana fixaram residência e domicilio e se amavam mais e mais conforme o passar do tempo. Até que uma noite a esposa cai doente: febre, tremedeira, diarréia, vômitos e desmaios. Era necessário buscar auxílio na vila imediatamente. Mas a noite era de temporal e de águas agitadas.
O mestre navegante observou o tempo e viu que era praticamente impossível vencer as ondas, correntezas e remansos, com apenas uma montaria que possuíam na Ilha, pois, desde que casou, não mais possuía outra embarcação para não ser tentado a voltar a navegar como antes.
Mas era o tempo ou a morte de seu amor. Resolveu enfrentar a natureza. Mas quando buscou sua montaria, percebeu que o temporal foi mais esperto e levou a embarcação em suas brabezas.
O desespero tomou conta do corpo e da alma daquele caboclo. Não tendo alternativas, pegou sua amada mulher nos braços e jogou-se no rio para levá-la a nado até onde pudessem salvá-la. Entretanto, o rio o devolvia para a margem com fúria e força. Após várias tentativas, e vendo seu amor suspirando de morte, Demóstenes começou a gritar clamando pelos encantados da floresta e dos rios. Pedia clemência pela vida de sua paixão. Não obtendo resposta, correu para casa e pegou todos os panos que lá tinham e os estendeu sobre as árvores, amarrando-os pelas bordas e pontas, formando um velame. Agarrou o remo que sobrou da sua montaria e, na beira do rio, mergulhava-o na água com o movimento de quem rema.
Tentava, com o velame de seus panos e com as remadas de seus braços, transformar a Ilha da Pacoca em embarcação, navegando na noite de temporal para salvar sue esposa. Demóstenes gritava por todos e por tudo e, de repente, sentiu que a ilha se mexia e navegava. Alegre, foi abraçar sua esposa desfalecida quando teve o assombro de não mais sentir sua respiração e seu calor: Sebastiana não suportou e faleceu.
Num impulso indescritível, Demóstenes levantou o corpo de Sebastiana aos céus gritando com a voz de cem trovões quando aconteceu um encantamento: a Ilha da Pacoca se iluminou toda, com as luzes de centenas de faróis e luas; os panos feitos velas se inflaram, e a Ilha da Pacoca começou a navegar velozmente sobre as furiosas águas do temporal.
Assim, até hoje, quando se tem um temporal feio na região do Rio Maratauíra, nas proximidades de Abaetetuba, uma grande embarcação, toda iluminada, com velas e velas, surge singrando as águas do rio e lá se vê, em sua proa, um homem com uma mão no cordame e, em outro braço, um corpo de mulher. É a Ilha da Pacoca, encantada, com Demóstenes levando Sebastiana para tentar salvá-la.
Clóvis Figueiredo Cardoso
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Benedito Bitencourt Passei minha infância navegando por essa ilha, quando ia pro engenho de meu pai, saudades. Bela lembrança.Belini Lobato GOSTEI, MUITA INSPIRAÇÃO!.Dores Araújo Até emocioneiMaria Ferreira Gente amo essas lendas! Lembro muito do meu saudoso pai que contava muitas pra nós. ...Maria Do Carmo Ferreira Beleza!!! Passei muito por lá!!! Saudades...Marilena Ribeiro Dias Parabéns Clovis Figueiredo conseguiste passar muita emoção, lendo agora a Lenda que escreveste, me transportei pra minha casa na Av D Pedro II, e parecia ouvir meu saudoso pai Pedrinho Ribeiro, que também conhecia como ninguém as marés, contar pra gente a Lenda da PacocaClovis Figueiredo Seu Pedrinho Ribeiro...quantas vi tua família ansiosa esperando retornar de viagem...e a maleta 007 que tinha cascas de bala 22...Valter Lobato Houve um tempo q passei muito a trabalho pelas bandas da madrugada nas proximidades da Ilha da Pacoca. Pra quem vem do Botelho, é incrível como a penumbra de sua ponta se confunde com a proa de um navio. Aí meu amigo, vc arrepia e tua imaginação toma conta do resto, e entra no sonho.!!! Vc não consegue mais discernir se a tua embarcação é q tá indo ou a ilha q tá vindo.!!! Viví essa experiência muitas vezes, e em todas fui induzido pela "fantasia" do navio também iluminar e q também poderia ser pro obra da boiúna.!!! RsssMaria Da Paixao Almeida Muito linda! Essa Lenda. Eu quando criança ouvia muitas estórias da Ilha fa Pacoca
Nilton Araujo Reconheci a Jurema e SandraRosália Célia Martins Martins A primeira é a Mírian NegrãoExpedito Pantoja Dos Santos Santos Da esquerda para direita. Miriam, Jurema, Filha do Biguara, Sandrinha, a setema é Antonieta Busquetti.Eliana Dias A 8° é a Elivalda DiasMadalena Negrão De Oliveira Machado A primeira é minha irmã, Mírian Negrão.Driellen Gonçalves Dias Jurema Dias olha a senhora tia Reginaldo Costa N:4 é minha prima Sandra Felgueiras, mulher que parava trânsito, digo, bicicleta na época.Anelena Silva Aracaty Lobato A número 1, Jurema Dias é linda! Lembro deste dia. Prima linda que tenho!!! Jeanete Coelho Só gatinha.... Quem venceu o concurso? Alguém sabe?Nilton Araujo A SandraIzabel Lobato A segunda é Márcia Andrade!Izabel Lobato Número 2Terezinha Barbagelata Minha amiga do Socorro Aires e a CClaudia Marcia Macedo de Andradetambém Vlamir Ferreira A
mana foi escolhida a miss verão... sem desmerecer as demais que são
todas lindas princesas, mas a Sandrinha,como disse o Tugito, parava o
mundo!
Era um remédio para cólica menstrual. Mas o Berilo Carvalho, João Pedro Maués, Zeguidegue, Roberto Botijão etc, usavam pra cabeça... vendido no bar do Parente, fez muito nego viajar no espaço sideral...
Foto da Miss
Eneida Ohaze Minha irmã linda....
Continua belíssima. ..
De família lógico...
TRIPA DE ACARI
Claudio Aladio Sandra Olivia Dias Miss Verão mão lembro o ano, representou a BarãoConceição Ferreira Sobrinha da SilvaneyElza Dias Nobushige Poxa Clóvis, ias gostar de um comentário desses sobre sua irmã? Eu não gostei.Sandra Olivia Dias Justamente naquele ano 1984 se deu inicio ao fio dental.... me divertir muito férias inesqueciveis na minha terra querida.Davi Paes Figueiredo Me lembro dela, meu pai era muito amigo do seu Silvio e depois compramos a casa dele que ficava na Barão com a Santos DumontSirley Dias Eu nasci naquela casa...Sandra Olivia Dias O que o Claudio Aladio
sabe é que quando desfilei quem organizava o desfile era a Lucinha irmã
dele porque o pai dela era o presidente da Barao e iamos juntos para
todos os lugares. Kk nos divertimos muito.João Pedro Maués O que sei é sobre uma paixão que eu nutria pela Sandra Olivia Dias
no tempo em que ela foi miss verão. E eu implorando pro filho do Aleixo
"fazer os papos" pra mim. Mas ele dizia que não , porque ela era muita
areia pro meu caminhãozinho... Por isso eu fazia as coisas sozinho ,
viu Benicio Lobato CruzHerminio Ribeiro Sandra mora em Castanhal filha do meu amigo Silvio TeixeiraWilderson Paes Dos Santos Paes Dos Santos Afilhada da Professora Silvaney
Agora so assim vestidinha
Eneida Ohaze Minha irmã linda....
Continua belíssima. ..
De família lógico...
TRIPA DE ACARI
Quando íamos pescar na Ponte Grande (assim denominávamos o Trapiche), seguíamos um ritual: arranjar a linha de pesca, o s anzóis e a chumbada que era comprada em tiras e amassadas. Depois arrumar a isca, que dava um trabalho danado: ou roubávamos um pedaço de charque no Tio Raimundo Figueiredo ou pegávamos emprestado uns camarões na Beira. Às vezes conseguíamos alguma minhoca lá Muinha, mas era difícil. Daí, era ficar na “cabeça da ponte” e lançar a linhada na esperança de algum mandiÍ ou mandubé se interessar pelos petiscos, quando não vinha candiru, baiacu ou bacu pra atazanar nossa diversão. Mas tinha dois problemas gravíssimos. O primeiro era esquivar a linha da quantidade de canoas, montarias, bajaras, batelões e barcos que aportavam ou simplesmente passavam pelo local. O segundo problema era o mais difícil. Era quando puxávamos a linha e ela ia se amontoando, e nesse amontoar ela se enrolava toda formando um nó górdio de impossível solução. Nesses momentos, não tinha santo pra quem recorrer....a única alternativa era lançar mão de um mantra proveniente de nossos ancestrais via tradição oral. Então, como monges tibetanos, púnhamos a concentração naquele emaranhado de fios de nylon, recitando como uma prece infinita: -“tripa de acari...tripa de acari... tripa de acari...tripa de acari... tripa de acari...tripa de acari
Meu primo sumano Adenaldo Santoscardoso,
Grão Mestre da Sociedade Alternativa, me enviou duas fotos da casa onde
morei em Abaetetuba. Fiquei horas olhando enquanto minhas memorias
passeavam em torno de mim. A sapataria do seu Alcimar, o mercadinho do
seu Tiburcio, o bar do Antonio do Gidonda, o Boteco do Estelo, a Dona
Maria do tacacá, a Nina Abreu dos mingaus, a Maria Paca vendendo Tucupi,
os pontos de taxi, a loja Prolar, o ponto de bicicleta, o Aranha
trabalhando pro Papai, o Chinês, a
Esmeralda prostituta que sempre vinha bebada num carrinho de mão la da
Bera, a casa do seu Pedrinho Ribeiro com um leao de pedra do jardim..
E o mais importante, os amigos de infancia naquele quarteirão...Amiraldo, Andrelino, Pedro Jorge, Alciana Araújo, Marcia Márcia Iasi, Armando Contente Dias, Aderildo Araújo, Mata-Galinha Filho, Elias e Lucivaldo lobato, Marlea, Mariléa Araújo entre tantos..,
reminiscencias de minha vida. Lembrancas de uma historia vivida num lugar espantodamente mágico!
Nao arrependo de nada e agradeco a todos que ajudaram a construir minha identidade!
Minha família na Festa de São Sebastião no Beca — com Antonio Roberto Figueiredo Cardoso e outras 2 pessoas.
Francisco Girard Rodrigues Já é finado o Careca!
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