Famílias do Marajó, Índios e História
12/05/2019
“A CONQUISTA DO MARAJÓ”: Uma Tela para a História da Amazônia
Numa das últimas vezes que reencontrei José Tadeu Ferreira de
Araújo, desenhista, pintor, escultor e, especialmente, artista plástico
marajoara, nascido em 28/10/1968 em Abaetetuba, migrante para Breves aos 5 anos
de idade, conversamos sobre o famoso “Acordo de Paz”, celebrado em agosto de
1659, no Alto Mapuá, entre a expedição liderada pelo Padre Antônio Vieira,
representando a Coroa Portuguesa, e os caciques das diferentes nações indígenas marajoaras. Falamos da
importância de uma pintura desse momento para a história das artes no Pará e,
especialmente, para o Marajó. Dois anos se passaram e hoje Tadeu publicou em
seu face a grande obra de arte. E que obra!!! Nasceu bela, memorial, histórica,
impactante!!!
Parabéns, meu amigo Tadeu. A tela assina sua presença definitiva no rol das artes plásticas da Amazônia e da Amazônia Marajoara.
Parabéns, meu amigo Tadeu. A tela assina sua presença definitiva no rol das artes plásticas da Amazônia e da Amazônia Marajoara.
Para saber mais leia:
Daniel, João (1722-1776). Tesouro descoberto no máximo rio
Amazonas. V.1. Rio de Janeiro: Contraponto, 2004.
Pereira, José Varella. Em entrevista a Lílian Leitão - O acordo
que sela a conquista lusitana. In: Amazônia em Outras Palavras. IPAR –
Instituto de Pastoral Regional, nº 13, Belém, Dezembro/2005, pp. 35-37.
_____. Atualidade de Antônio Vieira na Amazônia: uma
controvérsia do século XVI para reanimar o século XXI. In: Antônio Vieira -
Asas da Palavra. Revista do Curso de Letras do CCHE. Belém: Unama, v.10, nº 23,
2007. Semestral, pp. 193-207.
SARRAF-PACHECO, Agenor. A Conquista do Ocidente Marajoara:
índios, portugueses e religiosos em reinvenções históricas In: SCHAAN, Denise
Pahl, MARTINS, Cristiane Pires (Orgs.) Muito além dos campos: arqueologia e
história na Amazônia Marajoara. Belém: GKNORONHA, 2010, p. 13-32.
A nova medida, que
trata da regulamentação do uso de armas de fogo para os chamados CACs, que
incluem caçadores, atiradores e colecionadores. Além disso, o decreto também
regula a lei de registro, posse, porte e comercialização de armas e munições.
As pessoas com porte
de arma terão ainda a cota anual de cartuchos de munição ampliada para mil
unidades. Atualmente, o limite é de 50 cartuchos. O decreto prevê ainda que
membros das Forças Armadas que tiverem estabilidade após dez anos de serviço
terão o porte da arma de fogo garantidos.
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“Absoluto desastre”:
Bolsonaro libera porte de armas para mais de 19 milhões de pessoas
Especialistas afirmam
que decisão fere de morte o Estatuto do Desarmamento. Oposição irá recorrer ao
STF
Especialistas e
partidos de oposição afirmaram que a medida é inconstitucional, e que irão ao Supremo
Tribunal Federal para revogar o decreto. O PSOL afirmou que o
decreto “usurpou as competências do Congresso Nacional, que é o único que pode
ampliar as pessoas que podem portar e possuir armas”, e que o texto “vem na
contramão do combate à violência e segurança pública”. Parlamentares petistas e
da Rede também protocolaram projetos de decreto legislativo para anular o de
Bolsonaro. No início do ano o presidente já
havia facilitado o acesso à posse de arma em casa para qualquer um
que cumpra requisitos mínimos de idade, sem antecedentes criminais e que
realize curso de manejo e avaliação psicológica, o que foi considerado
temerário por especialistas. À época, grupos pró armas consideraram a medida
"tímida".
Com o decreto desta
quarta-feira Bolsonaro pode ter ferido de morte o Estatuto do Desarmamento,
cujo maior mérito havia sido justamente o de limitar o número de armas em
circulação – o que se traduziu em milhares
de vidas salvas de acordo com estudos. Além de ampliar o porte para
diversas categorias, o presidente flexibilizou as regras de posse, porte e
venda de armas e munições para atiradores esportivos, caçadores esportivos e
colecionadores (conhecidos como CACs). Na prática estas categorias também
ganharam o porte, uma vez que poderão se locomover até seus locais de treino
com as armas carregadas (antes era preciso guardar a munição separada da arma).
Os CACs poderão adquirir até 5.000 munições para cada arma por ano. Os
proprietários rurais, que após o decreto de Bolsonaro do início do ano tinham
conseguido o direito à posse (possibilidade de ter arma em casa), poderão andar
armados por toda a extensão da propriedade. Especialistas afirmam que essa
medida pode acirrar ainda mais os conflitos no campo.
Pode-se dizer que os 360 anos do Acordo de Paz de Mapuá (Breves)
de 27 de Agosto de 1559, ganhou de presente o quadro de José Tadeu Ferreira de
Araújo, que suscitou comentários do professor doutor Agenor Sarraf. Oportunidade
para significar a invenção da Amazônia luso-brasileira.
A fonte do referido episódio é a carta do superior das missões
no Maranhão e Grão-Pará, padre Antônio Vieira, datada de 29/11/1659 e publicada
em Lisboa em 11/02/1660. Trata-se de uma espécie de relatório geral das Missões
como se o "padre grande dos índios" estivesse indicando seu desejo de
encerrar seu trabalho missionário na Amazônia e regressar a Portugal.
O leitor deve conhecer o contexto histórico da missão de Vieira
no Pará, entre 1623 e 1661, quanto ele e seus confrades foram violentamente
expulsos pelos colonos contrariados em seus propósitos de levar a "guerra
justa" (cativeiro e extermínio) aos índios NHEENGAÍBAS (marajoaras)
acusados de pirataria e insubmissão ao rei de Portugal para continuar o
comércio e amizade com os chamados Hereges (protestantes holandeses e ingleses,
e traficantes franceses das Guianas).
A carta-patente enviada aos Nheengaíbas por intermédio de
"dois embaixadores" da dita etnia das ilhas (na verdade escravos do
convento de Santo Alexandre) é, sem dúvida, inteiramente fantasiosa. Um
artifício para impressionar a viúva do falecido rei Dom João IV, o amigo
sincero do padre Vieira, do qual fora diplomata para negociar o casamento do
príncipe Dom Teodoro com candidata disponível da nobreza europeia e, sobretudo,
tentar o reconhecimento da independência de Portugal pela Holanda.
Isto sim é o cerne histórico da missão do padre Antônio Vieira
no estado do Maranhão e Grão-Pará (1621-1751): Vieira fracassou em ambas
empresas agravadas pela morte do príncipe herdeiro, fato desastroso afinal.
Pois, de uma parte, o episódio do "PAPEL FORTE" (proposta de entrega
de Pernambuco a Holanda e revogação do édito de expulsão dos judeus portugueses
a fim de que regressassem com seus capitais; em troca do reconhecimento da
independência de Portugal) e, de outro lado; a luta política de ABOLIÇÃO DOS
CATIVEIROS INDÍGENAS que resultou na Lei de 1655, base de negociação com os
caciques NHEENGAÍBAS para se submeterem à coroa portuguesa.
Com o fracasso da missão diplomática Vieira caiu em desgraça na
corte. E a direção da Companhia de Jesus o intima a se enquadrar às regras da
Ordem ou deixar a Companhia... Dom João IV ficou agastado com a atitude do
superior jesuíta e ofereceu ao padre amigo o cargo de Bispo conforme a
Concordata com o Vaticano. Porém, Vieira faz opção pela Companhia e sai de
Portugal quase fugindo para assumir a Missão do Maranhão (1652). Foram quase 10
anos, interrompidos pela ruptura do acordo de paz com os rebeldes NHEENGAÍBAS e
a condenação do padre pelo tribunal do Santo Ofício sob acusação de
"heresia judaizante"...
Último ato da tragédia do
padre grande.
O rei amigo morreu em 1656. Então os inimigos de Vieira e dos
Jesuítas vislumbraram a oportunidade de afastá-lo da Amazônia. A Câmara de
Belém havia requerido a "guerra justa" contra os NHEENGAÍBAS. O
requerimento teve deferimento real e Vieira entra em negociação junto ao
governador do Maranhão, André Vital de Negreiros, no sentido de adiar a guerra
mantendo em sigilo a autorização do rei a fim de dar tempo a tentativas de paz
com os rebeldes.
O padre João de Souto Maior foi mandado à ILHA DOS NHEENGAIBAS
em missão de paz... Anteriormente, três tentativas de tomar a ilha militarmente
havia fracassado com muitos mortos e feridos de parte a parte e ainda desta vez
a tentativa de paz do padre João de souto Maior foi recebida a flechadas,
deixou mortos e trouxe feridos de volta a Belém. No mesmo ano, Souto Maior
morreu no rio dos Pacajás acompanhando garimpeiros em busca de ouro... O
incidente deu oportunidade a um dos sermões mais vibrantes do padre Vieira no
púlpito da Igreja de Santo Alexandre no qual ele deplora a ambição do ouro.
O prazo para evitar a guerra aos NHEENGAÍBAS se acabava. Aí no
dia 29 de abril de 1659, Vieira parte para o tudo ou nada em viagem a Cametá:
escreve a célebre carta secreta AS ESPERANÇAS DE PORTUGAL ao seu confidente
bispo do Japão (que na verdade tinha sede em Portugal) na qual prega o QUINTO
IMPÉRIO do mundo (objeto de condenação por heresia no tribunal do Santo
Ofício).
Estas, em linhas gerais, as
circunstâncias da Paz de Mapúá com o jogo de verdades e manipulações típicas
daquelas épocas amanhecentes da Amazônia (vide Serafim Leite, "História da
Companhia de Jesus no Brasil", tomo IV; João Lúcio de Azevedo, "Os
Jesuítas no Grão-Pará", José Varella Pereira, "Novíssima Viagem
filosófica"...).
quadro de José Tadeu Ferreira de Araújo baseado na carta do
Padre Antonio Vieira (29/11/1659) sobre a Paz de Mapuá entre os portugueses do
Pará e os caciques nheengaíbas da ilha do Marajó, em 27 de Agosto de 1659.
Oportunidade dos 360 anos do acontecimento histórico de
pacificação da Amazônia Marajoara após mais de 40 anos de guerra desde a tomada
do Maranhão aos franceses (1615) incluindo a expulsão dos holandeses e ingleses
(1623 - 1647), de Gurupá, Xingu e Amapá. Em vias da realização em novembro
vindouro do Sínodo dos Bispos sobre a Amazônia, em Roma.
Agenor Sarraf Campus Marajó Breves Ufpa Rcc Diocese De Ponta De Pedras
Cae Breves Universidade Multicampi Civviva Patrimônio Histórico
“A CONQUISTA DO MARAJÓ”: Uma Tela para a História da Amazônia
Numa das últimas vezes que
reencontrei José Tadeu Ferreira de Araújo, desenhista, pintor, escultor e,
especialmente, artista plástico marajoara, nascido em 28/10/1968 em Abaetetuba,
migrante para Breves aos 5 anos de idade, conversamos sobre o famoso “Acordo de
Paz”, celebrado em agosto de 1659, no Alto Mapuá, entre a expedição liderada
pelo Padre Antônio Vieira, representando a Coroa Portuguesa, e os caciques das
diferentes nações indígenas marajoaras. Falamos da importância de uma pintura
desse momento para a história das artes no Pará e, especialmente, para o
Marajó. Dois anos se passaram e hoje Tadeu publicou em seu face a grande obra
de arte. E que obra!!! Nasceu bela, memorial, histórica, impactante!!!
Parabéns, meu amigo Tadeu. A tela assina sua presença definitiva no rol das artes plásticas da Amazônia e da Amazônia Marajoara.
Parabéns, meu amigo Tadeu. A tela assina sua presença definitiva no rol das artes plásticas da Amazônia e da Amazônia Marajoara.
Para saber mais leia:
Daniel, João (1722-1776). Tesouro descoberto no máximo rio
Amazonas. V.1. Rio de Janeiro: Contraponto, 2004.
Pereira, José Varella. Em entrevista a Lílian Leitão - O acordo
que sela a conquista lusitana. In: Amazônia em Outras Palavras. IPAR –
Instituto de Pastoral Regional, nº 13, Belém, Dezembro/2005, pp. 35-37.
_____. Atualidade de Antônio Vieira na Amazônia: uma
controvérsia do século XVI para reanimar o século XXI. In: Antônio Vieira -
Asas da Palavra. Revista do Curso de Letras do CCHE. Belém: Unama, v.10, nº 23,
2007. Semestral, pp. 193-207.
SARRAF-PACHECO, Agenor. A Conquista do Ocidente Marajoara:
índios, portugueses e religiosos em reinvenções históricas In: SCHAAN, Denise
Pahl, MARTINS, Cristiane Pires (Orgs.) Muito além dos campos: arqueologia e
história na Amazônia Marajoara. Belém: GKNORONHA, 2010, p. 13-32.
Deus proteja nossos Povos indígenas, verdadeiros donos destas terras, descobridores da terra Pindorama, (=Terra Sem Males) batizada de Brasil, pelos invasores.
Foi Getúlio Vargas, ex-presidente do Brasil, que instituiu o dia 19 de Abril como dia do Índio em 1943, através do Decreto-Lei 5540. Após um Congresso no México, para discutir políticas e direitos dos povos indígenas na América.
Foi Getúlio Vargas, ex-presidente do Brasil, que instituiu o dia 19 de Abril como dia do Índio em 1943, através do Decreto-Lei 5540. Após um Congresso no México, para discutir políticas e direitos dos povos indígenas na América.
Foi Getúlio Vargas, ex-presidente do Brasil, que instituiu o dia 19 de Abril como dia do Índio em 1943, através do Decreto-Lei 5540. Após um Congresso no México, para discutir políticas e direitos dos povos indígenas na América.
A população indígena vem enfrentando uma complexa transformação social, e vem tentando sobreviver ao contato com o “homem branco”. Tentando guardar e proteger seu povo e sua cultura, garantindo novas gerações. Eles vêm enfrentando problemas como invasões e degradações territoriais e ambientais, aliciamento e uso de drogas, exploração sexual e de trabalho, inclusive infantil, mendicância, êxodo desordenado.
Hoje em Manaus, índios de 35 etnias, participaram da ‘Marcha da Resistência Indígena no Amazonas’, organizada pela Fundação Estadual do Índio (FEI), denunciaram a falta de assistência médica nas aldeias e a extração irregular de madeira e minério, que vem ameaçando os índios da etnia Sateré-Mawé.
Os povos indígenas de Mato Grosso do Sul, vem passando por muitas dificuldades em suas aldeias, como pobreza e miséria extrema. Os conflitos aumentaram muito e muitas mortes vêm ocorrendo. Os índios guarani-kaiowá e terenas reivindicam terras com fazendeiros e produtores rurais.
Ano passado em junho, os Guarani-Kaiowá foram atacados por mais de setenta fazendeiros e pistoleiros, no tekohá TeyiJusu, município de Caarapó. O Cloudione Rodrigues, líder foi assassinado, outros 6 índios foram baleados. Hoje existem 11 propriedades invadidas em Caarapó.
Hoje não há muito o que comemorar, é um dia para refletir. #diadoíndio
19/4/19
"Bucuíca"
(O Curumim Do Brasil)
(O Curumim Do Brasil)
A face denota o traço endêmico
A forma traduz a natureza interior
Aldeia bucólica estritamente isolada
Índia desnuda sem nenhum pudor
A forma traduz a natureza interior
Aldeia bucólica estritamente isolada
Índia desnuda sem nenhum pudor
A Tribo dominada expressa o lamento
O pranto assola o chão nacional
O invasor ratifica o poderio vigente
Luta perdida sob a lei capital
O pranto assola o chão nacional
O invasor ratifica o poderio vigente
Luta perdida sob a lei capital
O torrão demarcado expulsa o 'Corubo'
'Caingangue' caído em Palhoça 'Tupi'
'Bugre Ticuna' a vagar solitário
O rastro desvela o perfil 'Guarani'
'Caingangue' caído em Palhoça 'Tupi'
'Bugre Ticuna' a vagar solitário
O rastro desvela o perfil 'Guarani'
O rio agracia o sustento vital
Sangue cortês e o presente hostil
A terra expõe o 'Curumim' esquecido
Pequeno 'Bucuíca' nativo do Brasil!
Sangue cortês e o presente hostil
A terra expõe o 'Curumim' esquecido
Pequeno 'Bucuíca' nativo do Brasil!
bjr
03/01/19
Madeireiros invadem Terra Indígena Arara, no Pará
Grupo está no local desde 30 de dezembro para extrair madeira ilegalmente. Funai não confirma possibilidade de confronto entre indígenas da aldeira Laranjal e os invasores, mas acompanha o caso
São Paulo – A Fundação Nacional do Índio (Funai) informou nesta quinta-feira (3) que monitora uma de invasão de madeireiros na Terra Índigena (TI) Arara, localizada entre as cidades de Uruará e Medicilândia, no sudoeste do Pará.
Um grupo de madeireiros invadiu e está na área desde 30 de dezembro para extrair madeira de forma ilegal e ocupar a terra com demarcação de lotes. As informações são do portal G1.
A Funai diz acompanhar o episódio, embora não confirme a possibilidade de confronto entre os indígenas da aldeia Laranjal e os invasores. A área tem no total 274.010 hectares e teve limites homologados pelo Decreto 399, de 24 de dezembro de 1991.
Durante visita de uma delegação da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) ao Brasil, realizada em novembro, representantes de povos indígenas da região de Altamira, onde fica a TI Arara, já haviam denunciado violações a seus direitos territoriais.
Um grupo de madeireiros invadiu e está na área desde 30 de dezembro para extrair madeira de forma ilegal e ocupar a terra com demarcação de lotes. As informações são do portal G1.
A Funai diz acompanhar o episódio, embora não confirme a possibilidade de confronto entre os indígenas da aldeia Laranjal e os invasores. A área tem no total 274.010 hectares e teve limites homologados pelo Decreto 399, de 24 de dezembro de 1991.
Durante visita de uma delegação da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) ao Brasil, realizada em novembro, representantes de povos indígenas da região de Altamira, onde fica a TI Arara, já haviam denunciado violações a seus direitos territoriais.
De acordo com reportagem publicada no site do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), uma liderança local entregou aos integrantes da comitiva um documento denunciando invasões e o roubo recorrente de madeira dentro do território, com fotos mostrando toras de madeira recém cortadas.
"Em outubro, fomos fazer uma expedição dentro da terra indígena e encontramos muitas madeiras novas, recém cortadas. Muitas vezes os madeireiros ficam nos ameaçando, como se a terra fosse deles", explicou Tabá Arara, cacique de uma das seis aldeias existentes na TI Arara, na ocasião. "Estamos muito preocupados. A retirada dos invasores está paralisada. Eles estão desmatando, poluindo nosso rio, matando nossos peixes e nossas as caças."
"Em outubro, fomos fazer uma expedição dentro da terra indígena e encontramos muitas madeiras novas, recém cortadas. Muitas vezes os madeireiros ficam nos ameaçando, como se a terra fosse deles", explicou Tabá Arara, cacique de uma das seis aldeias existentes na TI Arara, na ocasião. "Estamos muito preocupados. A retirada dos invasores está paralisada. Eles estão desmatando, poluindo nosso rio, matando nossos peixes e nossas as caças."
Funai esvaziada
Logo após tomar posse, em sua primeira medida provisória, o presidente Jair Bolsonaro determinou que a identificação, delimitação e demarcação de terras indígenas no país, antes sob responsabilidade da Funai, passasse agora para o Ministério da Agricultura. A pasta também incorporou o Serviço Florestal Brasileiro (SFB), retirado do Ministério do Meio Ambiente.
Em entrevista à Rádio Brasil Atual, David Karai Popygua, liderança guarani da Terra Indígena Jaraguá, na zona norte de São Paulo, avaliou a mudança como uma ameaça aos povos originários. “Bolsonaro coloca os povos indígenas abaixo dos ruralistas para que todos os interesses de exploração e os territórios sejam entregues a eles. É uma ameaça grotesca porque não dá direito algum aos povos de se defender e nem de ter algum direito”, disse.
“Até as pessoas que votaram nesse governo têm que se manifestar, porque são medidas absurdas. Estamos falando da vida dos povos indígenas”, defendeu Popygua.
Terra indígena no Pará é invadida por madeireiros
Terra indígena no Pará é invadida por madeireiros
Uma equipe de servidores locais da Funai já foi deslocada para a área
Um grupo de madeireiros avançou nesta quinta-feira, 3, sobre a terra indígena Arara, localizada nos municípios de Uruará e Medicilândia, no Pará. A situação atual é tensa e há riscos de conflitos entre os invasores e os indígenas que vivem na região próxima à rodovia Transamazônica, a BR-230.
A invasão foi confirmada à reportagem pela diretora de proteção territorial da Fundação Nacional do Índio (Funai), Azelene Inácio. "Estamos acompanhando a situação. Uma equipe de servidores locais da Funai já foi deslocada para a área", disse
Uruará e Medicilândia são municípios paraenses vizinhos a Altamira, onde está em construção a hidrelétrica de Belo Monte. Nos últimos anos, a região tem sido alvo constante de invasões por madeireiros e grileiros, por conta do grande volume de madeiras nobres que a área ainda possui. As terras indígenas são, atualmente, os principais alvos dos invasores por serem aquelas que detêm as florestas mais preservadas.
Em março de 2017, uma operação conjunta da Funai, Ibama e Polícia Federal foi realizada na região, por causa de tentativas de loteamento de uma área próxima à Transamazônica. O loteamento foi abandonado. A terra indígena Arara teve seus limites homologados por meio um decreto publicado em dezembro de 1991, pelo então presidente Fernando Collor. Sua área total é de 274 mil hectares.
sexta-feira, 21 de agosto de 2015
Arqueólogos descobrem contato de povos do Marajó com as Guianas

Cerâmica encontrada em Gurupá tem traços de estilo Koriabo, encontrado em povos mais ao norte do Pará. (Foto acervo projeto OCA/MPEG)
José Marajó Varela José Varela Pereira
Vila de Joanes, município de Salvaterra - Ilha do Marajó-PA.
antiga aldeia Joanes [índios Iona, ou sacacas], elevada a Vila de Monforte 1758 cf. "Notícia Histórica da Ilha Grande de Joanes, ou Marajó, Alexandre Rodrigues Ferreira, Lisboa, 1783.
Em suma, essas 17 unidades administrativas que cuidavam dos Tenetehara deviam incluir quase toda essa etnia, salvo as aldeias localizadas no lado paraense. Isto daria uma população total de 9.166 Tenetehara, cerca de quase 2.000 a menos do que uma década anterior. Esse decréscimo se deve especialmente aos Tembé do rio Gurupi, mas também aos Guajajara do alto Pindaré e de todo o Grajaú, pois na região do Mearim e do Buriticupu, Além da população indígena recenseada, Bernes calculava que devia haver ainda cerca de 600 Urubu(-Ka’apor), 200 Guajá e 600 Timbira, todos “errantes”, isto é, sem depender da diretoria parcial. Portanto, haveria uma população indígena total de 3.470. A população Urubu-Ka´apor certamente estava subestimada em pelo menos dois terços , porém o número de Tenetehara representava uma queda avassaladora desde a estimativa que o engenheiro Gustavo Dodt fizera em 1872 , quando então deveria haver cerca de 7.500 Tenetehara para toda a região entre os rios Pindaré e Capim, dos quais uns 4.000 teriam suas aldeias ao longo do rio Gurupi. Se ambas as estimativas estiverem corretas, isto indica que o Gurupi estava sofrendo, e continuaria a sofrer nos anos seguintes, um verdadeiro colapso demográfico de sua população indígena, devido à intensidade do relacionamento de regatões e garimpeiros de ouro com os índios, tanto Tembé quanto Timbira, que se envolveram na economia de troca regional. Conflitos entre regatões e índios aconteceram continuamente desde a década de 1860, conforme relatado por Dodt, e iriam continuar nos anos seguintes, até que os Urubu-Ka’apor, no limiar do novo século, passaram a absorver todas as atenções oficiais e da população local pelo medo que provocavam com suas incursões e ataques a aldeias e povoados e aos viajantes de canoa. A ininterrupta e drástica queda da população tenetehara a levaria a 1.090, em 1920, a cerca de 300, em 1942, a apenas 70, em 1950, e por volta de 100 nas décadas de 70 e 80 . Uma parte dessa queda se deveu à incorporação de famílias e indivíduos tenetehara à população regional, conforme pode ser discernido no primeiro relatório da inspetoria regional do Pará e nas informações do relatório de Jorge Hurley ; uma parte menor se transferiu para as matas dos rios Piriá, Uruaim, Capim e Guamá, no Pará. Porém, esses últimos tampouco haveriam de se dar bem nas novas paragens, pois sua população, sendo pequena na década de 1920, com cerca de 130 pessoas, permaneceu pequena até recentemente.
antiga aldeia Joanes [índios Iona, ou sacacas], elevada a Vila de Monforte 1758 cf. "Notícia Histórica da Ilha Grande de Joanes, ou Marajó, Alexandre Rodrigues Ferreira, Lisboa, 1783.
Em suma, essas 17 unidades administrativas que cuidavam dos Tenetehara deviam incluir quase toda essa etnia, salvo as aldeias localizadas no lado paraense. Isto daria uma população total de 9.166 Tenetehara, cerca de quase 2.000 a menos do que uma década anterior. Esse decréscimo se deve especialmente aos Tembé do rio Gurupi, mas também aos Guajajara do alto Pindaré e de todo o Grajaú, pois na região do Mearim e do Buriticupu, Além da população indígena recenseada, Bernes calculava que devia haver ainda cerca de 600 Urubu(-Ka’apor), 200 Guajá e 600 Timbira, todos “errantes”, isto é, sem depender da diretoria parcial. Portanto, haveria uma população indígena total de 3.470. A população Urubu-Ka´apor certamente estava subestimada em pelo menos dois terços , porém o número de Tenetehara representava uma queda avassaladora desde a estimativa que o engenheiro Gustavo Dodt fizera em 1872 , quando então deveria haver cerca de 7.500 Tenetehara para toda a região entre os rios Pindaré e Capim, dos quais uns 4.000 teriam suas aldeias ao longo do rio Gurupi. Se ambas as estimativas estiverem corretas, isto indica que o Gurupi estava sofrendo, e continuaria a sofrer nos anos seguintes, um verdadeiro colapso demográfico de sua população indígena, devido à intensidade do relacionamento de regatões e garimpeiros de ouro com os índios, tanto Tembé quanto Timbira, que se envolveram na economia de troca regional. Conflitos entre regatões e índios aconteceram continuamente desde a década de 1860, conforme relatado por Dodt, e iriam continuar nos anos seguintes, até que os Urubu-Ka’apor, no limiar do novo século, passaram a absorver todas as atenções oficiais e da população local pelo medo que provocavam com suas incursões e ataques a aldeias e povoados e aos viajantes de canoa. A ininterrupta e drástica queda da população tenetehara a levaria a 1.090, em 1920, a cerca de 300, em 1942, a apenas 70, em 1950, e por volta de 100 nas décadas de 70 e 80 . Uma parte dessa queda se deveu à incorporação de famílias e indivíduos tenetehara à população regional, conforme pode ser discernido no primeiro relatório da inspetoria regional do Pará e nas informações do relatório de Jorge Hurley ; uma parte menor se transferiu para as matas dos rios Piriá, Uruaim, Capim e Guamá, no Pará. Porém, esses últimos tampouco haveriam de se dar bem nas novas paragens, pois sua população, sendo pequena na década de 1920, com cerca de 130 pessoas, permaneceu pequena até recentemente.
Em 1981, os Tembé do rio Guamá somavam cerca de 268 pessoas,
incluindo 153 classificados pela FUNAI como descendentes de índios e 82 como
não índios que viviam naquela comunidade . Hoje, a população Tembé da T.I. Alto
Guamá é dada pela FUNAI como sendo de umas 800 pessoas, no que deve incluir a
incorporação de mestiços e até lavradores brasileiros casados com índias ou
mestiças Tembé. Certamente esta é uma estratégia de sobrevivência adotada pela
cultura Tembé-Tenetehara para somar força e enfrentar a avassaladora invasão de
suas terras e a pressão desses pobres invasores, de fazendeiros ambiciosos e de
políticos regionais que cobiçam a dissolução dessa terra indígena.
9. 11ª DP Caru. Essa diretoria margeava o rio Caru desde sua embocadura no rio Pindaré, compreendendo também o rio Joaquim Gomes, afluente do rio Gurupi. A Colônia Januária estava localizada em suas terras, bem como cerca de 1.100 Tenetehara (460 homens e 640 mulheres). Do rio Caru podia-se ir para o rio Gurupi, e esta deve ter sido a principal via de migração, ao se atravessar ou contornar a então chamada Serra da Desordem, hoje conhecida como Tiracambu, que serve de divisor de águas para os afluentes dos rios Gurupi, Caru e, mais ao norte, o Turiaçu. Nessa ocasião e até as primeiras décadas do século XX, os Tenetehara davam-se ao trabalho de atravessar uns 40 a 50 quilômetros de território carregando canastras de óleo de copaíba e borracha para trocar com os regatões que freqüentavam o rio Gurupi. O velho Tenetehara Manuel Viana, que aos 40 e poucos anos havia sido o principal informante de Wagley e Galvão (1941-45), e com quem, em 1975 e nos anos 80, também tive o privilégio de conhecer e conversar, contava dessas viagens ao Gurupi, das transações que mantinham com regatões que subiam o rio Caru, e ainda das lutas que travavam com os índios Guajá que ganhavam o rio Pindaré, vindos do Pará, através do rio Caru. Contava também que, pela década de 1920, os Tenetehara que viviam no rio Caru foram se acabando e os sobreviventes migraram para as aldeias do alto Pindaré, para a Sapucaia, ou então rio abaixo para as terras da Ilhinha, a fim de ficarem mais próximos do posto indígena criado pelo SPI. Ele próprio era um exemplo dessa
15. 21ª DP Bananal. Essa diretoria fora criada em 1873, na mesma ocasião da criação da Colônia Dous Braços, que ficava mais abaixo no rio Mearim. Bananal era o nome de uma entre três ou quatro aldeias que se localizavam na área entre o rio Mearim e seu afluente, o riacho Enjeitado. A aldeia Bananal ficava nas margens do riacho, como existe ainda hoje, mais ou menos na mesma localização. Em 1890 havia 496 Tenetehara, número que cairia com a Rebelião do Alto Alegre, da qual diversos de seus líderes participariam. A retomada de seu crescimento se daria a partir da década de 1940 e especialmente nas décadas de 60 e 70. Hoje as terras dessa antiga diretoria compõem a T.I. Bacurizinho, com 82.000 hectares e cerca de 2.200 pessoas.
Em suma, essas 17 unidades administrativas que cuidavam dos Tenetehara deviam incluir quase toda essa etnia, salvo as aldeias localizadas no lado paraense. Isto daria uma população total de 9.166 Tenetehara, cerca de quase 2.000 a menos do que uma década anterior. Esse decréscimo se deve especialmente aos Tembé do rio Gurupi, mas também aos Guajajara do alto Pindaré e de todo o Grajaú, pois na região do Mearim e do Buriticupu, a população se estabilizara e estava em crescimento vegetativo. O que parou esse crescimento foi a Rebelião do Alto Alegre, em 1901, que trouxe mortes e desorganizou o relacionamento interétnico anterior por um período de até vinte anos.
Nos anos seguintes ao relatório de 1890 do diretor geral dos índios Hermenegildo Jansen Ferreira, e apesar do que ele havia sugerido, o sistema de diretorias parciais e colônias iria ser abandonado, tanto por falta de recursos como por desinteresse político. A última atitude a respeito tomada pelo governo do Maranhão foi, em 1892, ao decretar que todas as diretorias passariam a ser colônias, por certo na expectativa de que surgissem recursos para aplicar, ou, mais provável, na esperança de que, como colônias, houvesse uma aceleração do processo de passagem de índio para lavrador brasileiro. Os índios, porém, não pararam de aparecer no saguão do Palácio dos Leões, sede do governo maranhense, para reclamar de algum mau trato por parte de seus patrões ou para pedir ferramentas, panelas, chapéus e outros utensílios. O governo não dispunha de recursos para gastar com índios e só fazia doações com a presença dos interessados, buscando sempre a fixação de uma relação pessoal que pudesse ser traduzida em lealdade. Desse modo, não deixava de exercer a função de "chefe" ao patronizá-los através da outorga de patentes militares. Com efeito, muitos índios, Tenetehara e Timbira, prezavam os títulos de patentes militares que recebiam dos governadores do estado. Eram capitães, tenentes, majores e tenentes-coronéis nomeados para suas aldeias, patentes que ostentavam com orgulho, como mostrou Fróes de Abreu ao ver um desses velhos documentos em 1928 . A recepção que um governador ou um secretário de governo dava a um visitante índio o marcava com prestígio, o qual era utilizado na sua volta, sobretudo se trouxesse consigo brindes e presentes de algum valor. Às vezes os índios procuravam uma autoridade do estado para confirmar ou sancionar algum ato já realizado ou que tencionavam tomar. A autoridade talvez nem soubesse o que estava em jogo, como veremos adiante num dos episódios da Rebelião do Alto Alegre.
As autoridades estaduais não lograram estabelecer nenhuma política indigenista conseqüente nesse período que antecede a criação do Serviço de Proteção aos Índios, e por convicção filosófica ou por inércia administrativa, estavam dispostos a receber a ajuda de novos missionários que se interessassem pelos índios. É o que vai acontecer quando a Ordem dos Capuchinhos da Província da Lombardia, Itália, que desembarcara em Pernambuco, em 1892, decide se projetar na Amazônia, em Belém e São Luís e fazer missão entre os índios desses dois estados. Apesar de laico, o governo do Maranhão concederá não somente licença para que a ordem se fixe em São Luís nas dependências da Igreja do Carmo, mas também um subsídio financeiro para seu estabelecimento em Barra do Corda . 5. 18ª diretoria parcial, ou DP do Gurupi. O rio Gurupi corre cerca de 1.000 quilômetros de sul a norte, servindo de fronteira entre os estados do Maranhão e Pará. Era então habitado por cerca de 1.750 índios Tenetehara, lá chamados de Tembé, ou ainda Timbé, mais uns 140 Timbira, 100 Amanajés e 80 Peocas , todos aldeados sob o controle da diretoria parcial. Em 1888, percorrera toda a sua extensão, sob encomenda de uma companhia de mineração inglesa, um Sr. José Maria Bernes, “incansável explorador de nossas florestas”, no dizer do relatório do diretor geral dos índios, que fizera o recenseamento ora apresentado. Seu relatório propunha o desmembramento dessa diretoria em duas, sendo que a segunda, numerada como a 25ª, receberia o nome de “José Bento de Araújo” (em homenagem ao recém-falecido presidente da província) e ficaria encarregada dos índios a montante do igarapé Gurupi-mirim. No entanto, nenhuma providência efetiva, além de constar em papel, parece ter sido realizada sobre essa recomendação. Além da população indígena recenseada, Bernes calculava que devia haver ainda cerca de 600 Urubu(-Ka’apor), 200 Guajá e 600 Timbira, todos “errantes”, isto é, sem depender da diretoria parcial. Portanto, haveria uma população indígena total de 3.470. A população Urubu-Ka´apor certamente estava subestimada em pelo menos dois terços , porém o número de Tenetehara representava uma queda avassaladora desde a estimativa que o engenheiro Gustavo Dodt fizera em 1872 , quando então deveria haver cerca de 7.500 Tenetehara para toda a região entre os rios Pindaré e Capim, dos quais uns 4.000 teriam suas aldeias ao longo do rio Gurupi. Se ambas as estimativas estiverem corretas, isto indica que o Gurupi estava sofrendo, e continuaria a sofrer nos anos seguintes, um verdadeiro colapso demográfico de sua população indígena, devido à intensidade do relacionamento de regatões e garimpeiros de ouro com os índios, tanto Tembé quanto Timbira, que se envolveram na economia de troca regional. Conflitos entre regatões e índios aconteceram continuamente desde a década de 1860, conforme relatado por Dodt, e iriam continuar nos anos seguintes, até que os Urubu-Ka’apor, no limiar do novo século, passaram a absorver todas as atenções oficiais e da população local pelo medo que provocavam com suas incursões e ataques a aldeias e povoados e aos viajantes de canoa. A ininterrupta e drástica queda da população tenetehara a levaria a 1.090, em 1920, a cerca de 300, em 1942, a apenas 70, em 1950, e por volta de 100 nas décadas de 70 e 80 . Uma parte dessa queda se deveu à incorporação de famílias e indivíduos tenetehara à população regional, conforme pode ser discernido no primeiro relatório da inspetoria regional do Pará e nas informações do relatório de Jorge Hurley ; uma parte menor se transferiu para as matas dos rios Piriá, Uruaim, Capim e Guamá, no Pará. Porém, esses últimos tampouco haveriam de se dar bem nas novas paragens, pois sua população, sendo pequena na década de 1920, com cerca de 130 pessoas, permaneceu pequena até recentemente. Em 1981, os Tembé do rio Guamá somavam cerca de 268 pessoas, incluindo 153 classificados pela FUNAI como descendentes de índios e 82 como não índios que viviam naquela comunidade . Hoje, a população Tembé da T.I. Alto Guamá é dada pela FUNAI como sendo de umas 800 pessoas, no que deve incluir a incorporação de mestiços e até lavradores brasileiros casados com índias ou mestiças Tembé. Certamente esta é uma estratégia de sobrevivência adotada pela cultura Tembé-Tenetehara para somar força e enfrentar a avassaladora invasão de suas terras e a pressão desses pobres invasores, de fazendeiros ambiciosos e de políticos regionais que cobiçam a dissolução dessa terra indígena.
6. 5ª DP Cabeça Branca. Localizada no rio Turiaçu, a seis léguas, ou a dez léguas, conforme outra informação, a montante da vila de Santa Helena, essa diretoria era composta de 300 índios Tenetehara, chamados Guajajara e não Tembé, em um número inespecificado de aldeias. Teria sido criada em 1871.
9. 11ª DP Caru. Essa diretoria margeava o rio Caru desde sua embocadura no rio Pindaré, compreendendo também o rio Joaquim Gomes, afluente do rio Gurupi. A Colônia Januária estava localizada em suas terras, bem como cerca de 1.100 Tenetehara (460 homens e 640 mulheres). Do rio Caru podia-se ir para o rio Gurupi, e esta deve ter sido a principal via de migração, ao se atravessar ou contornar a então chamada Serra da Desordem, hoje conhecida como Tiracambu, que serve de divisor de águas para os afluentes dos rios Gurupi, Caru e, mais ao norte, o Turiaçu. Nessa ocasião e até as primeiras décadas do século XX, os Tenetehara davam-se ao trabalho de atravessar uns 40 a 50 quilômetros de território carregando canastras de óleo de copaíba e borracha para trocar com os regatões que freqüentavam o rio Gurupi. O velho Tenetehara Manuel Viana, que aos 40 e poucos anos havia sido o principal informante de Wagley e Galvão (1941-45), e com quem, em 1975 e nos anos 80, também tive o privilégio de conhecer e conversar, contava dessas viagens ao Gurupi, das transações que mantinham com regatões que subiam o rio Caru, e ainda das lutas que travavam com os índios Guajá que ganhavam o rio Pindaré, vindos do Pará, através do rio Caru. Contava também que, pela década de 1920, os Tenetehara que viviam no rio Caru foram se acabando e os sobreviventes migraram para as aldeias do alto Pindaré, para a Sapucaia, ou então rio abaixo para as terras da Ilhinha, a fim de ficarem mais próximos do posto indígena criado pelo SPI. Ele próprio era um exemplo dessa saga.
15. 21ª DP Bananal. Essa diretoria fora criada em 1873, na mesma ocasião da criação da Colônia Dous Braços, que ficava mais abaixo no rio Mearim. Bananal era o nome de uma entre três ou quatro aldeias que se localizavam na área entre o rio Mearim e seu afluente, o riacho Enjeitado. A aldeia Bananal ficava nas margens do riacho, como existe ainda hoje, mais ou menos na mesma localização. Em 1890 havia 496 Tenetehara, número que cairia com a Rebelião do Alto Alegre, da qual diversos de seus líderes participariam. A retomada de seu crescimento se daria a partir da década de 1940 e especialmente nas décadas de 60 e 70. Hoje as terras dessa antiga diretoria compõem a T.I. Bacurizinho, com 82.000 hectares e cerca de 2.200 pessoas.
Em suma, essas 17 unidades administrativas que cuidavam dos Tenetehara deviam incluir quase toda essa etnia, salvo as aldeias localizadas no lado paraense. Isto daria uma população total de 9.166 Tenetehara, cerca de quase 2.000 a menos do que uma década anterior. Esse decréscimo se deve especialmente aos Tembé do rio Gurupi, mas também aos Guajajara do alto Pindaré e de todo o Grajaú, pois na região do Mearim e do Buriticupu, a população se estabilizara e estava em crescimento vegetativo. O que parou esse crescimento foi a Rebelião do Alto Alegre, em 1901, que trouxe mortes e desorganizou o relacionamento interétnico anterior por um período de até vinte anos.
Nos anos seguintes ao relatório de 1890 do diretor geral dos índios Hermenegildo Jansen Ferreira, e apesar do que ele havia sugerido, o sistema de diretorias parciais e colônias iria ser abandonado, tanto por falta de recursos como por desinteresse político. A última atitude a respeito tomada pelo governo do Maranhão foi, em 1892, ao decretar que todas as diretorias passariam a ser colônias, por certo na expectativa de que surgissem recursos para aplicar, ou, mais provável, na esperança de que, como colônias, houvesse uma aceleração do processo de passagem de índio para lavrador brasileiro. Os índios, porém, não pararam de aparecer no saguão do Palácio dos Leões, sede do governo maranhense, para reclamar de algum mau trato por parte de seus patrões ou para pedir ferramentas, panelas, chapéus e outros utensílios. O governo não dispunha de recursos para gastar com índios e só fazia doações com a presença dos interessados, buscando sempre a fixação de uma relação pessoal que pudesse ser traduzida em lealdade. Desse modo, não deixava de exercer a função de "chefe" ao patronizá-los através da outorga de patentes militares. Com efeito, muitos índios, Tenetehara e Timbira, prezavam os títulos de patentes militares que recebiam dos governadores do estado. Eram capitães, tenentes, majores e tenentes-coronéis nomeados para suas aldeias, patentes que ostentavam com orgulho, como mostrou Fróes de Abreu ao ver um desses velhos documentos em 1928 . A recepção que um governador ou um secretário de governo dava a um visitante índio o marcava com prestígio, o qual era utilizado na sua volta, sobretudo se trouxesse consigo brindes e presentes de algum valor. Às vezes os índios procuravam uma autoridade do estado para confirmar ou sancionar algum ato já realizado ou que tencionavam tomar. A autoridade talvez nem soubesse o que estava em jogo, como veremos adiante num dos episódios da Rebelião do Alto Alegre.
As autoridades estaduais não lograram estabelecer nenhuma política indigenista conseqüente nesse período que antecede a criação do Serviço de Proteção aos Índios, e por convicção filosófica ou por inércia administrativa, estavam dispostos a receber a ajuda de novos missionários que se interessassem pelos índios. É o que vai acontecer quando a Ordem dos Capuchinhos da Província da Lombardia, Itália, que desembarcara em Pernambuco, em 1892, decide se projetar na Amazônia, em Belém e São Luís e fazer missão entre os índios desses dois estados. Apesar de laico, o governo do Maranhão concederá não somente licença para que a ordem se fixe em São Luís nas dependências da Igreja do Carmo, mas também um subsídio financeiro para seu estabelecimento em Barra do Corda .
9. 11ª DP Caru. Essa diretoria margeava o rio Caru desde sua embocadura no rio Pindaré, compreendendo também o rio Joaquim Gomes, afluente do rio Gurupi. A Colônia Januária estava localizada em suas terras, bem como cerca de 1.100 Tenetehara (460 homens e 640 mulheres). Do rio Caru podia-se ir para o rio Gurupi, e esta deve ter sido a principal via de migração, ao se atravessar ou contornar a então chamada Serra da Desordem, hoje conhecida como Tiracambu, que serve de divisor de águas para os afluentes dos rios Gurupi, Caru e, mais ao norte, o Turiaçu. Nessa ocasião e até as primeiras décadas do século XX, os Tenetehara davam-se ao trabalho de atravessar uns 40 a 50 quilômetros de território carregando canastras de óleo de copaíba e borracha para trocar com os regatões que freqüentavam o rio Gurupi. O velho Tenetehara Manuel Viana, que aos 40 e poucos anos havia sido o principal informante de Wagley e Galvão (1941-45), e com quem, em 1975 e nos anos 80, também tive o privilégio de conhecer e conversar, contava dessas viagens ao Gurupi, das transações que mantinham com regatões que subiam o rio Caru, e ainda das lutas que travavam com os índios Guajá que ganhavam o rio Pindaré, vindos do Pará, através do rio Caru. Contava também que, pela década de 1920, os Tenetehara que viviam no rio Caru foram se acabando e os sobreviventes migraram para as aldeias do alto Pindaré, para a Sapucaia, ou então rio abaixo para as terras da Ilhinha, a fim de ficarem mais próximos do posto indígena criado pelo SPI. Ele próprio era um exemplo dessa
15. 21ª DP Bananal. Essa diretoria fora criada em 1873, na mesma ocasião da criação da Colônia Dous Braços, que ficava mais abaixo no rio Mearim. Bananal era o nome de uma entre três ou quatro aldeias que se localizavam na área entre o rio Mearim e seu afluente, o riacho Enjeitado. A aldeia Bananal ficava nas margens do riacho, como existe ainda hoje, mais ou menos na mesma localização. Em 1890 havia 496 Tenetehara, número que cairia com a Rebelião do Alto Alegre, da qual diversos de seus líderes participariam. A retomada de seu crescimento se daria a partir da década de 1940 e especialmente nas décadas de 60 e 70. Hoje as terras dessa antiga diretoria compõem a T.I. Bacurizinho, com 82.000 hectares e cerca de 2.200 pessoas.
Em suma, essas 17 unidades administrativas que cuidavam dos Tenetehara deviam incluir quase toda essa etnia, salvo as aldeias localizadas no lado paraense. Isto daria uma população total de 9.166 Tenetehara, cerca de quase 2.000 a menos do que uma década anterior. Esse decréscimo se deve especialmente aos Tembé do rio Gurupi, mas também aos Guajajara do alto Pindaré e de todo o Grajaú, pois na região do Mearim e do Buriticupu, a população se estabilizara e estava em crescimento vegetativo. O que parou esse crescimento foi a Rebelião do Alto Alegre, em 1901, que trouxe mortes e desorganizou o relacionamento interétnico anterior por um período de até vinte anos.
Nos anos seguintes ao relatório de 1890 do diretor geral dos índios Hermenegildo Jansen Ferreira, e apesar do que ele havia sugerido, o sistema de diretorias parciais e colônias iria ser abandonado, tanto por falta de recursos como por desinteresse político. A última atitude a respeito tomada pelo governo do Maranhão foi, em 1892, ao decretar que todas as diretorias passariam a ser colônias, por certo na expectativa de que surgissem recursos para aplicar, ou, mais provável, na esperança de que, como colônias, houvesse uma aceleração do processo de passagem de índio para lavrador brasileiro. Os índios, porém, não pararam de aparecer no saguão do Palácio dos Leões, sede do governo maranhense, para reclamar de algum mau trato por parte de seus patrões ou para pedir ferramentas, panelas, chapéus e outros utensílios. O governo não dispunha de recursos para gastar com índios e só fazia doações com a presença dos interessados, buscando sempre a fixação de uma relação pessoal que pudesse ser traduzida em lealdade. Desse modo, não deixava de exercer a função de "chefe" ao patronizá-los através da outorga de patentes militares. Com efeito, muitos índios, Tenetehara e Timbira, prezavam os títulos de patentes militares que recebiam dos governadores do estado. Eram capitães, tenentes, majores e tenentes-coronéis nomeados para suas aldeias, patentes que ostentavam com orgulho, como mostrou Fróes de Abreu ao ver um desses velhos documentos em 1928 . A recepção que um governador ou um secretário de governo dava a um visitante índio o marcava com prestígio, o qual era utilizado na sua volta, sobretudo se trouxesse consigo brindes e presentes de algum valor. Às vezes os índios procuravam uma autoridade do estado para confirmar ou sancionar algum ato já realizado ou que tencionavam tomar. A autoridade talvez nem soubesse o que estava em jogo, como veremos adiante num dos episódios da Rebelião do Alto Alegre.
As autoridades estaduais não lograram estabelecer nenhuma política indigenista conseqüente nesse período que antecede a criação do Serviço de Proteção aos Índios, e por convicção filosófica ou por inércia administrativa, estavam dispostos a receber a ajuda de novos missionários que se interessassem pelos índios. É o que vai acontecer quando a Ordem dos Capuchinhos da Província da Lombardia, Itália, que desembarcara em Pernambuco, em 1892, decide se projetar na Amazônia, em Belém e São Luís e fazer missão entre os índios desses dois estados. Apesar de laico, o governo do Maranhão concederá não somente licença para que a ordem se fixe em São Luís nas dependências da Igreja do Carmo, mas também um subsídio financeiro para seu estabelecimento em Barra do Corda . 5. 18ª diretoria parcial, ou DP do Gurupi. O rio Gurupi corre cerca de 1.000 quilômetros de sul a norte, servindo de fronteira entre os estados do Maranhão e Pará. Era então habitado por cerca de 1.750 índios Tenetehara, lá chamados de Tembé, ou ainda Timbé, mais uns 140 Timbira, 100 Amanajés e 80 Peocas , todos aldeados sob o controle da diretoria parcial. Em 1888, percorrera toda a sua extensão, sob encomenda de uma companhia de mineração inglesa, um Sr. José Maria Bernes, “incansável explorador de nossas florestas”, no dizer do relatório do diretor geral dos índios, que fizera o recenseamento ora apresentado. Seu relatório propunha o desmembramento dessa diretoria em duas, sendo que a segunda, numerada como a 25ª, receberia o nome de “José Bento de Araújo” (em homenagem ao recém-falecido presidente da província) e ficaria encarregada dos índios a montante do igarapé Gurupi-mirim. No entanto, nenhuma providência efetiva, além de constar em papel, parece ter sido realizada sobre essa recomendação. Além da população indígena recenseada, Bernes calculava que devia haver ainda cerca de 600 Urubu(-Ka’apor), 200 Guajá e 600 Timbira, todos “errantes”, isto é, sem depender da diretoria parcial. Portanto, haveria uma população indígena total de 3.470. A população Urubu-Ka´apor certamente estava subestimada em pelo menos dois terços , porém o número de Tenetehara representava uma queda avassaladora desde a estimativa que o engenheiro Gustavo Dodt fizera em 1872 , quando então deveria haver cerca de 7.500 Tenetehara para toda a região entre os rios Pindaré e Capim, dos quais uns 4.000 teriam suas aldeias ao longo do rio Gurupi. Se ambas as estimativas estiverem corretas, isto indica que o Gurupi estava sofrendo, e continuaria a sofrer nos anos seguintes, um verdadeiro colapso demográfico de sua população indígena, devido à intensidade do relacionamento de regatões e garimpeiros de ouro com os índios, tanto Tembé quanto Timbira, que se envolveram na economia de troca regional. Conflitos entre regatões e índios aconteceram continuamente desde a década de 1860, conforme relatado por Dodt, e iriam continuar nos anos seguintes, até que os Urubu-Ka’apor, no limiar do novo século, passaram a absorver todas as atenções oficiais e da população local pelo medo que provocavam com suas incursões e ataques a aldeias e povoados e aos viajantes de canoa. A ininterrupta e drástica queda da população tenetehara a levaria a 1.090, em 1920, a cerca de 300, em 1942, a apenas 70, em 1950, e por volta de 100 nas décadas de 70 e 80 . Uma parte dessa queda se deveu à incorporação de famílias e indivíduos tenetehara à população regional, conforme pode ser discernido no primeiro relatório da inspetoria regional do Pará e nas informações do relatório de Jorge Hurley ; uma parte menor se transferiu para as matas dos rios Piriá, Uruaim, Capim e Guamá, no Pará. Porém, esses últimos tampouco haveriam de se dar bem nas novas paragens, pois sua população, sendo pequena na década de 1920, com cerca de 130 pessoas, permaneceu pequena até recentemente. Em 1981, os Tembé do rio Guamá somavam cerca de 268 pessoas, incluindo 153 classificados pela FUNAI como descendentes de índios e 82 como não índios que viviam naquela comunidade . Hoje, a população Tembé da T.I. Alto Guamá é dada pela FUNAI como sendo de umas 800 pessoas, no que deve incluir a incorporação de mestiços e até lavradores brasileiros casados com índias ou mestiças Tembé. Certamente esta é uma estratégia de sobrevivência adotada pela cultura Tembé-Tenetehara para somar força e enfrentar a avassaladora invasão de suas terras e a pressão desses pobres invasores, de fazendeiros ambiciosos e de políticos regionais que cobiçam a dissolução dessa terra indígena.
6. 5ª DP Cabeça Branca. Localizada no rio Turiaçu, a seis léguas, ou a dez léguas, conforme outra informação, a montante da vila de Santa Helena, essa diretoria era composta de 300 índios Tenetehara, chamados Guajajara e não Tembé, em um número inespecificado de aldeias. Teria sido criada em 1871.
9. 11ª DP Caru. Essa diretoria margeava o rio Caru desde sua embocadura no rio Pindaré, compreendendo também o rio Joaquim Gomes, afluente do rio Gurupi. A Colônia Januária estava localizada em suas terras, bem como cerca de 1.100 Tenetehara (460 homens e 640 mulheres). Do rio Caru podia-se ir para o rio Gurupi, e esta deve ter sido a principal via de migração, ao se atravessar ou contornar a então chamada Serra da Desordem, hoje conhecida como Tiracambu, que serve de divisor de águas para os afluentes dos rios Gurupi, Caru e, mais ao norte, o Turiaçu. Nessa ocasião e até as primeiras décadas do século XX, os Tenetehara davam-se ao trabalho de atravessar uns 40 a 50 quilômetros de território carregando canastras de óleo de copaíba e borracha para trocar com os regatões que freqüentavam o rio Gurupi. O velho Tenetehara Manuel Viana, que aos 40 e poucos anos havia sido o principal informante de Wagley e Galvão (1941-45), e com quem, em 1975 e nos anos 80, também tive o privilégio de conhecer e conversar, contava dessas viagens ao Gurupi, das transações que mantinham com regatões que subiam o rio Caru, e ainda das lutas que travavam com os índios Guajá que ganhavam o rio Pindaré, vindos do Pará, através do rio Caru. Contava também que, pela década de 1920, os Tenetehara que viviam no rio Caru foram se acabando e os sobreviventes migraram para as aldeias do alto Pindaré, para a Sapucaia, ou então rio abaixo para as terras da Ilhinha, a fim de ficarem mais próximos do posto indígena criado pelo SPI. Ele próprio era um exemplo dessa saga.
15. 21ª DP Bananal. Essa diretoria fora criada em 1873, na mesma ocasião da criação da Colônia Dous Braços, que ficava mais abaixo no rio Mearim. Bananal era o nome de uma entre três ou quatro aldeias que se localizavam na área entre o rio Mearim e seu afluente, o riacho Enjeitado. A aldeia Bananal ficava nas margens do riacho, como existe ainda hoje, mais ou menos na mesma localização. Em 1890 havia 496 Tenetehara, número que cairia com a Rebelião do Alto Alegre, da qual diversos de seus líderes participariam. A retomada de seu crescimento se daria a partir da década de 1940 e especialmente nas décadas de 60 e 70. Hoje as terras dessa antiga diretoria compõem a T.I. Bacurizinho, com 82.000 hectares e cerca de 2.200 pessoas.
Em suma, essas 17 unidades administrativas que cuidavam dos Tenetehara deviam incluir quase toda essa etnia, salvo as aldeias localizadas no lado paraense. Isto daria uma população total de 9.166 Tenetehara, cerca de quase 2.000 a menos do que uma década anterior. Esse decréscimo se deve especialmente aos Tembé do rio Gurupi, mas também aos Guajajara do alto Pindaré e de todo o Grajaú, pois na região do Mearim e do Buriticupu, a população se estabilizara e estava em crescimento vegetativo. O que parou esse crescimento foi a Rebelião do Alto Alegre, em 1901, que trouxe mortes e desorganizou o relacionamento interétnico anterior por um período de até vinte anos.
Nos anos seguintes ao relatório de 1890 do diretor geral dos índios Hermenegildo Jansen Ferreira, e apesar do que ele havia sugerido, o sistema de diretorias parciais e colônias iria ser abandonado, tanto por falta de recursos como por desinteresse político. A última atitude a respeito tomada pelo governo do Maranhão foi, em 1892, ao decretar que todas as diretorias passariam a ser colônias, por certo na expectativa de que surgissem recursos para aplicar, ou, mais provável, na esperança de que, como colônias, houvesse uma aceleração do processo de passagem de índio para lavrador brasileiro. Os índios, porém, não pararam de aparecer no saguão do Palácio dos Leões, sede do governo maranhense, para reclamar de algum mau trato por parte de seus patrões ou para pedir ferramentas, panelas, chapéus e outros utensílios. O governo não dispunha de recursos para gastar com índios e só fazia doações com a presença dos interessados, buscando sempre a fixação de uma relação pessoal que pudesse ser traduzida em lealdade. Desse modo, não deixava de exercer a função de "chefe" ao patronizá-los através da outorga de patentes militares. Com efeito, muitos índios, Tenetehara e Timbira, prezavam os títulos de patentes militares que recebiam dos governadores do estado. Eram capitães, tenentes, majores e tenentes-coronéis nomeados para suas aldeias, patentes que ostentavam com orgulho, como mostrou Fróes de Abreu ao ver um desses velhos documentos em 1928 . A recepção que um governador ou um secretário de governo dava a um visitante índio o marcava com prestígio, o qual era utilizado na sua volta, sobretudo se trouxesse consigo brindes e presentes de algum valor. Às vezes os índios procuravam uma autoridade do estado para confirmar ou sancionar algum ato já realizado ou que tencionavam tomar. A autoridade talvez nem soubesse o que estava em jogo, como veremos adiante num dos episódios da Rebelião do Alto Alegre.
As autoridades estaduais não lograram estabelecer nenhuma política indigenista conseqüente nesse período que antecede a criação do Serviço de Proteção aos Índios, e por convicção filosófica ou por inércia administrativa, estavam dispostos a receber a ajuda de novos missionários que se interessassem pelos índios. É o que vai acontecer quando a Ordem dos Capuchinhos da Província da Lombardia, Itália, que desembarcara em Pernambuco, em 1892, decide se projetar na Amazônia, em Belém e São Luís e fazer missão entre os índios desses dois estados. Apesar de laico, o governo do Maranhão concederá não somente licença para que a ordem se fixe em São Luís nas dependências da Igreja do Carmo, mas também um subsídio financeiro para seu estabelecimento em Barra do Corda .
Curuçá, assim se
chama hoje a antiga Vila Nova de El Rey.
O nome Curuçá,
segundo o Professor Coutinho de Oliveira, tem o significado de “lugar onde há
seixos ou cascalhos”, pois Curu = seixos ou cascalhos em tupi, afirma o
estudioso do assunto. Há também indícios de Curuçá significar “Cruz Grande”,
que é a definição mais popular, devido ao cruzamento dos rios Muriá, Curuçá e
araquaim. E ainda uma terceira opinião de ser “lugar de muita música”, na
concepção do Professor “Passito” de Vila Maú.
Curuçá localiza-se na
zona do salgado, possuindo uma área de aproximadamente 676,30 Km2, limitando-se
ao norte com o Oceano Atlântico, ao sul com o Município de Terra Alta, ao leste
com o de Marapanim e ao oeste com o Município de São Caetano de Odivelas. Seu
clima é o tropical úmido. Possui, atualmente, uma população de 26.220
habitantes e portanto, uma densidade demográfica de aproximadamente 38,77 h/
Km2.
Terra Alta já foi
território curuçaense, porém pela Lei Nº 5709 de 27 de dezembro de 1991,
sancionada pelo Governador do Estado Pará Jader Fontenelle Barbalho e publicada
quatro dias depois, dia 31 de dezembro no Diário Oficial do Pará, Terra Alta
deixou de ser povoado de Curuçá e foi elevada à categoria de Cidade.
Curuçá festeja a sua
emancipação política em 14 de maio, pois Curuçá foi elevada à categoria de
cidade pela Lei 236 de 14 de maio de 1895 pelo ato do Governador Lauro Benjamim
Nina Sodré da Silva.
A cultura curuçaense
é marcada pelo carimbó e danças folclóricas, dando ênfase ao Festival do
Folclore que acontece no terceiro final de semana de julho. Curuçá também
apresenta uma variedade de rítimos e danças que caíram no gosto popular, como:
hawe, melody, forró, hip hop e funk. Considerando ainda a versalidade na
cultura musical, temos músicas ao vivo em barzinhos com cantores e músicos da
terra, tais como: Paulinho, Clésio Augusto, Jungler, dentre outros, Skema
Embaloê que se destacou com a música “Há controvérsia” da autoria de Emílio
Ferrene e Noêmi Cunha. Curuça também é destaque no carnaval do Estado do Pará,
expressando internacionalmente sua arte, quando no Bloco “Os Pretinhos do
Mangue” mostra a sua preocupação com a preservação do meio ambiente.
As principais
festividades religiosas da igreja católica são: Círio de Nossa Senhora do
Rosário que ocorre no terceiro domingo de setembro; e a festividade de São
Benedito Achado que ocorre no terceiro domingo de dezembro.
Muitos relatos do
contexto histórico que identificam o início do povoamento e fundação até os
dias atuais, podemos encontrar nos livros “Fragmentos Históricos de Curuçá” do
autor Paulo Hemrique dos Santos Ferreira, grande pesquisador e historiador de
Curuçá, o qual recebeu o título de Comendador na gestão do Prefeito Raimundo
Oliveira de Almeida. Cita-se a seguir alguns trechos dessas obras: “[...]
Curuçá é de certo resultante das expedições missionárias nesta região no século
XVII. A causa de nosso descobrimento está associada à expansão missionária
jesuítica, que após ter sido estabelecida em Natal desde 1597, abrangeu todo o
Norte acompanhada da ação dos conquistadores e colonizadores de el-rei [...] O
objetivo era cristianizar os índios das capitanias doadas por el-rei aos
senhores portugueses, com fim a exploração econômica da Colônia para a Coroa
Portuguesa, desta forma a missão era um projeto religioso ligado catequização e
exploração das riquezas de nossa terra [...] Os Jesuítas tiveram a seu cargo as
chamadas missões, aldeias ou reduções religiosas...atualmente muitas delas são
cidades como a nossa amada Curuçá [...] uma Provisão expressa por El – Rei
concedia aos Jesuítas uma ereção de uma aldeia das já convertidas para os
serviços do Colégio e nesse contexto foi que a aldeia de Curuçá foi fundada em
decorrência de Provisão Real de 23 de setembro de 1652 sancionada pelo então
Rei de Portugal D. João IV, lançando dessa forma os fundamentos de nossa
colonização aos cuidados dos Padres da Companhia de Jesus, e assim traçando a
estrutura inicial da educação, cultura e religiosidade de nosso povo [...] Os
índios da Aldeia Curuçá eram livres e apesar de serem dados em função do
serviço do Colégio das Missões no Pará, eles recebiam salário [...] Em Curuçá não
se registra atualmente núcleos indígenas, porém os índios Andirás é o povo que
ficou na memória de nossos conterrâneos [...]”. Como prova verdadeira deste
último trecho, tinhamos o Bloco Carnavalesco “Arranco do Andirás” que em seus
sambas enredos buscava resgatar a nossa história e trazia pra o corredor da
folia um grito de alerta para que não morresem as nossas tradições, traçando
assim o perfil do nosso então Carnaval. Embora, hoje, o bloco não se apresente
mais, mas deixou em nossos corações muitas saudades do carnaval “de um tempo
que não volta mais”.
Curuçá sempre realiza
eventos que visam a integração do povo, chamando atenção para as coisas da
nossa terra. O Festival da Canção foi um exemplo disso e vale lembrar que ficou
em 1º lugar a música “morena dos Andirás”, de Mário Puska na interpretação de
J. Melo e em 2º lugar, “Dum-dum pesqueira” de Emílio Ferrene, o qual ganhou
prêmio especial de melhor intérprete. Dentre outros eventos temos: Arraial
Popular e a Noitada Curuçaense que acontece no primeiro dia do Festival do
Folclore.
Fonte: Alguns dados
foram tirados de FERREIRA, Paulo Henrique dos Santos, Fragmentos Históricos de
Curuçá, 1ª ed. Vol.01, ano 2002, Graf-Set/ Castanhal/Pará/Brasil.
Segundo relatos dos
velhos Sateré-Mawé, seus ancestrais habitavam em tempos imemoriais o vasto
território entre os rios Madeira e Tapajós, delimitado ao norte pelas ilhas
Tupinambaranas, no rio Amazonas e, ao sul, pelas cabeceiras do Tapajós.
Os Sateré-Mawé
referem-se ao seu lugar de origem como sendo o Nusoken, lugar da morada de seus
heróis míticos. Eles localizam-no na margem esquerda do Tapajós, numa região de
floresta densa e pedregosa, ''lá onde as pedras falam''.
Nunes Pereira, que
viveu com esse povo na década de 1950, conta que ''os lagos e rios piscosíssimos
que irrigam as terras em que viveram outrora os Maués e, bem assim, as
florestas e campinaranas ricas em caças de toda espécie, deveriam constituir,
numa época mais remota, uma paisagem magnífica para as atividades desse povo. À
representação panteísta do Noçoquem, - sítio onde se encontravam todas as
plantas e animais úteis aos Maués, segundo a Lenda do Guaraná, deveria
corresponder, outrora, o território por eles ocupado''.
Os Sateré-Mawé
tiveram seu primeiro contato com os brancos na época de atuação da Companhia de
Jesus, quando os jesuítas fundaram a Missão de Tupinambaranas, em 1669. Segundo
Bettendorf, "Em 1698 os Andirá acolheram o Padre João Valladão como
missionário. É impossível localizar os Maraguá precisamente, mas eles viviam
num lago, entre os rios Andirá e Abacaxi, provavelmente no baixo Maués-Açu, que
se espraia para formar uma espécie de lago. Eles tinham três vilas, uma próxima
da outra" (1910:36). Em 1692, após terem matado alguns homens brancos, o
governo declarou uma guerra justa (legal) contra eles, parcialmente evitada
pelos índios, uma vez que estes foram avisados e se espalharam, sendo que
somente alguns ofereceram resistência.
A partir do contato
com os brancos, e mesmo antes disso, devido às guerras com os Munduruku e Parintintim, o
território ancestral dos Sateré-Mawé foi sensivelmente reduzido. Em 1835
eclodiu a Cabanagem na Amazônia, principal insurreição nativista do Brasil. Os
Munduruku e Mawé (dos rios Tapajós e Madeira) e os Mura (do rio Madeira), bem
como grupos indígenas do rio Negro, aderiram aos cabanos e só se renderam em
1839. Epidemias e perseguição aos grupos indígenas que com eles combatiam,
deslocaram esses grupos dos seus territórios tradicionais, reduzindo-os.
Relatos dos viajantes
confirmam que de fato houve redução territorial a partir do século XVIII,
mencionando a área compreendida pelo rio Marmelos, Sucunduri, Abacaxis,
Parauari, Amana e Mariacuã como território tradicional dos Sateré-Mawé. Esses
relatos confirmam também que as cidades de Maués (AM), Parintins (AM) e
Itaituba (PA) foram fundadas sobre sítios Sateré-Mawé, coincidindo com
passagens da história oral deste povo.
Pensando em termos de
macro-território, a ocupação do Médio Amazonas pelos civilizados - termo usado
pelos Sateré-Mawé para designar todos àqueles que não são Sateré-Mawé:
caboclos, brancos, estrangeiros, com exceção das outras nações indígenas -
restringiu consideravelmente seu território tradicional. Primeiro, chegaram as
tropas de resgate e as missões jesuíta e carmelita; depois iniciou-se a busca
das drogas de sertão; em seguida a extração da seringa; e finalmente a expansão
econômica das cidades de Maués, Barreirinha, Parintins e Itaituba para o
interior dos municípios, alocando fazendas, extraindo pau-rosa, abrindo
garimpos, dominando a economia indígena através de seus regatões.
Em 1978, no início do
processo de demarcação da Terra Indígena Andirá-Marau, as aldeias, sítios, roças,
cemitérios, territórios de caça, pesca, coleta e perambulação situavam-se entre
e ao redor dos rios Marau, Miriti, Urupadi, Manjuru e Andirá. Os Sateré-Mawé
consideravam essa extensão de terra como sendo sua, apesar de saberem que ela
representava apenas uma pequena parcela do que já havia sido seu território. O
trabalho de delimitação e demarcação da Terra Indígena Andirá-Marau, passou por
revisões de limites para a inclusão de nascentes, cemitérios e sítios de
antigas aldeias, e, os Sateré-Mawé avaliaram que a área demarcada corresponde a
parte privilegiada de seu território originário.
Eles são
tradicionalmente índios da floresta, do centro, como eles próprios falam. Até o
começo do século XX escolhiam lugares preferencialmente nas regiões centrais da
mata, próximas às nascentes dos rios, para implantarem suas aldeias e sítios.
Nessas regiões, a caça é abundante; encontra-se em profusão os filhos de
guaraná (como chamam, em português, as mudas nativas da Paullinia Sorbilis);
existe grande quantidade de palmeiras como o açaí, tucumã, pupunha e bacaba,
que sazonalmente comparecem na dieta alimentar; os rios são igarapés estreitos,
com corredeiras e água bem fria. Esse é o ecossistema por excelência dos
Sateré-Mawé e podemos observar ainda hoje, que as aldeias que guardam formas de
vida tradicionais ''como no tempo dos velhos'' (plano espacial, arquitetura,
roças, rituais etc.) situam-se nas cabeceiras dos rios.
As características
desses nichos ecológicos eram essenciais à reprodução da vida tradicional dos
Sateré-Mawé até o começo do século XX. Conforme os relatos dos mais velhos, as
antigas aldeias Araticum Velho e Terra Preta, ambas situadas na cabeceira do
rio Andirá, foram o polo dispersor das aldeias encontradas neste rio. Da mesma
forma, a aldeia Marau Velho, que se localizava na nascente do rio Marau, foi o
núcleo inicial das aldeias situadas no mesmo rio, bem como das aldeias que encontramos
nos rios Miriti, Manjuru e Urupadi. Estas três aldeias desapareceram em torno
da década de 20, mas ainda podemos observar seus sinais na capoeira.
A proliferação de
aldeias situadas nas margens dos rios Marau e Andirá vem ocorrendo há aproximadamente
80 anos e se deve às interferências na vida tradicional dos Sateré-Mawé,
ocasionadas pelas missões religiosas, pelo extinto Serviço
de Proteção aos Índios - SPI, posteriormente pela Fundação
Nacional do Índio - Funai, pela pressão dos regatões e pelas epidemias.
Todos esses fatores levaram os Sateré-Mawé a terem vontade de ficar mais
próximos das cidades de Maués, Barreirinha e Parintins. Atualmente, existe em
torno de 100 aldeias localizadas nos rios Uaicurapá, Andirá, Urupadi, Marau,
Miriti e Manjuru, bem como nos igarapés que os alimentam.
O processo de
demarcação da TI Andirá-Marau, homologada em 06/08/1986 com 788.528 há, foi
interrompido por vários conflitos, e os tuxauas gerais do rio Andirá, Donato
Lopes da Paz, e do rio Marau, Emílio Tibúrcio, através do Centro de Trabalho
Indigenista – CTI puderam contar com respaldo jurídico e mobilização junto à
sociedade civil, fazendo frente ao projeto de rodovia Maués-Itaituba que
cortaria o seu território (1980) e às invasões da estatal francesa de petróleo
Elf-Aquitaine (1981 e 1982), com abertura de 344 km de picadas, 82 clareiras, e
a morte por intoxicação de quatro indígenas. Os Sateré-Mawé entraram com uma
ação de Interdito Proibitório contra a Elf-Aquitaine e a Petrobrás,
representados por seu procurador Dalmo Dallari, e realizaram perícia com
cálculo de indenização pelos danos causados pelas invasões da estatal francesa,
ganhando ambos os processos.
Maués ou mawés é o
nome de uma tribo
indígena,
também conhecida por sateré-maué, sateré-mawé, maooz, mabué, mangués, manguês,
jaquezes, maguases, mahués, magnués, mauris, maraguá, mahué e magueses. Falam a
língua sateré-mawé, integrante única da família linguística de mesmo
nome, pretencente ao tronco tupi.
“Nós somos como um
pássaro no mundo”, palavras de um índio Maué (PEREIRA, 1954).
Atribuem a sua origem
ao cadáver (icançoque) do filho de Onhiámnuaçabê, plantadora e conservadora do
Noçoquém. Depois da tribo dos tapajós,
tornou-se a mais numerosa naquela região de confluência do rio
Tapajós.
Teve como principal
inimigo a tribo mundurucu e seus vizinhos, os apiacás, os
kawahib-parintintins,
os andirazes e os muras.
Os jesuítas
chegaram na região em 1659, com a fundação da missão de Tupinambarana, fazendo
cessar o comportamento dos maués com os restos mortais de seus pares, que
consistia na defumação do cadáver, mumificando-os, e uso de urnas funerárias, casas especiais, na companhia de
ídolos de pedra.
A puberdade das suas
mulheres e homens eram acontecimentos marcados com rituais de extremo valor na
comunidade. Os homens eram submetidos à prova das formigas tucandeira - são instigados a colocarem
as mãos (ou somente uma) em luvas de palha trançada infestadas dessas formigas -
anteriormente capturadas em seu formigueiro pelos homens da tribo, embebidas
com uma solução do extrato das folhas do cajueiro
dentro de uma vasilha, serviço feito pelas mulheres, e depois inseridas
dormentes nessa luva até acordarem na cerimônia, e assim durante o ritual,
suporta-las durante pelo menos 15 minutos, enquanto todos os índios dançam ao
redor em uma música cantada no idioma local.[4] Em
seguida, a luva é repassada ao índio do lado (que também deve aguentar os 15
minutos), e assim por diante, até passar por todos os adolescentes que estão a
ingressar em vida adulta. É comum assim, passar o resto do ritual com as mãos inchadas e
vários efeitos consecutivos, como febre, câimbra, vermelhidão nos olhos, etc.[4]
Os maués mantinham um
amplo comércio de guaraná, de objetos e ornatos de plumas. Por seu vasto e
estabelecido comércio do guaraná estão no célebre mapa do padre Samuel
Fritz, em 1691, bastante conhecido dos viajantes descidos do Alto
Madeira e do Alto Arinos.
Eram sedentários e de
ânimo pacífico, valentes, corajosos, destemidos e vingativos. E defendiam a
cultura pré-colombiana, que tinha como fundamento o guaraná,
vínculo a terra pela agricultura, onde teve sua origem mítica, na teimosa
atitude de Uaçiri-Pot, o grande legislador da tribo.
A resignação e a
audácia são características marcantes dessa tribo, tida por descendeste dos incas, descida do Altiplano Andino, já
que apegada ao uso do "paricá" Mimosa acacioides, cultivando-o.
Em 1626, foi feito um
reconhecimento do rio Tapajós e registraram-se mais de 35 mil índios, na Mundurucânia.
Os maués jamais se
afeiçoaram aos portugueses. Comandaram às suas mulheres que não aprendessem a língua portuguesa. A principal prova dessa
resistência a Carta Instrutiva que aos diretores das capitanias
do Pará e do Rio Negro, datada de 3 de outubro de 1769,
mandou o governador
Fernando da Costa de Ataíde Teive, nesses resumidos termos:
"Ao cabo da
canoa dará V. Mcê ordens em meu nome no acto da partida pa. o Sertão, de não
entrar em rio aonde conste qe. se poderá encontrar com Índios da Nação Manguês,
porq. tendo mostrado a experiência que esses miseráveis homens resistem as
praticas que se lhe fizer, para caírem das trevas do paganismo,
pela introdução das ferramentas, e outros gêneros que vão comerciar com elles;
he necessário reduzi-los a necessidade, para delles tiremos os fructos de os
descer, quando se virem preconizados, o q. ha de certamente vir a succeder,
vendose destituídos do socorro que lhe aqui inconsideradamente lhes tem
levado..."
Participaram
ativamente da Cabanagem, de 1835 a 1840. Sob o comando do tuxaua Manuel
Marques, atacaram Luzéa, matando os trinta soldados do destacamento militar e
os moradores portugueses do lugarejo, transformando a vila em reduto cabano. O
tuxaua Crispim Leão liderou os ataques a Andirá e Tupinambarana.
No começo do século
XX, fomentados pelas expedições dos seringueiros
de Itaituba,
aderiram e colaboraram, irrestritamente, com as forças militares do Estado do Amazonas, em
1916, no conflito armado travado contra o Estado do Pará, por conta de velha
questão de limites entre essas duas unidades da federação.
Os maués foram os
inventores da cultura do guaraná. Foram eles que transformaram a trepadeira silvestre
em arbusto cultivado, com o plantio e o beneficiamento dos frutos. A primeira
descrição do guaraná data de 1669, o mesmo ano em que houve o contato com o
homem branco. O padre João Felipe Betendorf escreveu que "tem os Andirazes
em seus matos uma frutinha que chamam guaraná, a qual secam e depois pisam,
fazendo dela umas bolas, que estimam como os brancos o seu ouro, e desfeitas
com uma pedrinha, com que as vão roçando, e em uma cuia de água bebida, dá tão
grandes forças, que indo os índios à caça, um dia até o outro não têm fome,
além do que faz urinar, tira febres e dores de cabeça e cãibras".[4]
O uso desse fruto é
considerado fonte de saúde e está ligado à terra cultivável, como é possível
ver no discurso do tuxaua sateré-maué Manuel, em 1933: "O guaraná é bom
para fazer chover, para proteger a roça, para curar doenças e prevenir outras,
para vencer a guerra, no amor, quando dois rivais pretendem a mesma
mulher".[3]
O guaraná é o
principal produto dos maués, pois é o que obtém maior preço no mercado. O
guaraná produzido e beneficiado pelos índios (chamado guaraná da terra) é de
qualidade superior ao do produzido pelos civilizados (chamado guaraná de
Luzeia). Porém, o guaraná de Luzeia é produzido em escala muito maior. Enquanto
os maués vendem no máximo duas toneladas de guaraná por ano, uma empresa na
cidade de Maués afirma vender 40 toneladas por ano.
Na periferia urbana
de Manaus,
existem quatro comunidades sateré-maué: Y'Apryrehyt, Maué, I'nhã-bé e Waikiru.
Os índios em geral tem muita dificuldade em arranjar um emprego, e quando
conseguem, trabalham como carregadores braçais, vendedores ambulantes de
artesanato e doces regionais, ou como pedreiros na construção civil.
A maior parte da
renda da comunidade comunidade Y'Apryrehyt, onde vivem 67 pessoas, vem do
turismo. Muitas pessoas visitam a aldeia, interessadas em conhecer mais sobre o
ritual da tucandeira ou comprar artesanatos. Assim, o ritual passou a ter
caráter turístico, com valores estéticos e coreografias, mas ao mesmo tempo
voltado para a sobrevivência dos índios.
A alimentação é
baseada em farinha de mandioca, peixe, banana-pacová verde, feijão e arroz,
comprados em quiosques próximos à aldeia, no conjunto residencial Santos
Dumont.[3]
José Marajó Varela Bernardino Ribeiro Miguel Ribeiro Baía
tese de doutorado de Eliane Lopes Soares na PUC-SP revela origem de
famílias do Marajó, inclusive Ferreira Ribeiro de Ponta de Pedras.
Pesquisa excelente.José Marajó Varela Valter Avelar
análise da estrutura social de Cachoeira é mais complexa do que eu
imaginava. Muito interessante, aprendi que a origem da vila de Cachoeira
é a aldeia Caia.
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José Marajó Varela texto completo da "Notícia Histórica" (1783), documento incontornável dos estudos amazônicos: http://www.filologia.org.br/.../noticia_historica_da_ilha...
José Marajó Varela existe documento anterior com título de "Notícia da Ilha Grande de Joanes", de autor anônimo, datado de 1754, cujos originais se acham na Biblioteca Real do Porto (Portugal), segundo Nelson Papavero et al. em "O Novo Éden" ed. Museu Goeldi: Belém, 2000. Dada extraordinária semelhança entre esta e a segunda notícia, o escasso tempo em que o naturalista Alexandre Rodrigues Ferreira permaneceu na Ilha, de 11 de novembro até início de dezembro, a probabilidade de que o guia de viagem de ARF e inspetor da ilha Florentino da Silveira Frade citado diversas vezes, seja o autor anônimo da primeira notícia, confirmada em grande parte na segunda, depois de 29 anos.
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"Sete foram as fazendas de gado que na ilha tiveram os jesuítas: quatro no Arari e três no Marajó-guaçu. Das sete
fazendas, considerarei as que tinham no Arari, em primeiro lugar, a saber: a primeira, rio acima, é a73 fazenda de
Nossa Senhora dos Remédios, em que foi contemplado o mestre-de-campo José Miguel Aires, hoje de74 seu filho
Antônio Miguel Aires. A segunda, no igarapé São José, em que foi contemplado o defunto José Correia de Lacerda;
a terceira, a do Menino Jesus, a do rio Mari, à esquerda, em que foi contemplado o sargento-mor da praça, João
Batista de Oliveira, hoje de seu genro o alferes Antônio José Lima; quarta, a fazenda da boca do lago Santo Inácio,
em que foi contemplado o sargento-mor da cidade, Manoel José Henriques de Lima, hoje de seu genro, sargentomor
de auxiliares, Carlos Gemaque. Além destas quatro, farei menção dos dous retiros, como chamavam, isto é,
duas fazendas de beneficiar gado: um nas cabeceiras do lago Nanatuba, em que foi contemplado o coronel Miguel
Joaquim Pereira de Souza Feio, e outra nas cabeceiras do rio Anajás, que deságua no Arari, na contemplação do
sargento-mor José Pedro da Costa Souto Maior. Quanto às três de Marajó-guaçu, na75 São Brás, contemplou-se João
Falcato da Silva; na de São Francisco, o76 sargento-mor Domingos Pereira de Morais, na do Rosário, o alferes
Francisco da Costa Almeida da Silva, hoje de sua mulher, Dona Ana Felícia de Queirós, que já acima disse que
casou segunda vez." (trecho da obra "Notícia Histórica da Ilha Grande de Joanes" (1783) de Alexandre Rodrigues Ferreira, contendo a lista completa dos CONTEMPLADOS pelo Marquês de Pombal com doação das fazendas confiscadas da missão dos Jesuítas na ilha do Marajó (1759).

Giovanni Gallo (Turim, 1927 - Belém do Pará, 2003), padre jesuíta italiano missionário na diocese de Ponta de Pedras, na ilha do Marajó: criador avant la lettre do primeiro ecomuseu brasileiro. Naturalizou-se caboco marajoara e conquistou merecidamente a naturalidade brasileira. Doravante, descoberto pelo museólogo francês Hugues de Verine, fundador do conceito de ecomuseu, tem toda possibilidade de virar estrela da rede internacional de ecomuseus e museus comunitários e atrativo do ecoturismo de base na comunidade na Amazônia. A Criaturada grande de Dalcídio agradece.
Analfabeto político, até então um perfeito 'caboclo' andava eu em montaria a remo quando, de volta de viagem ao venerável lago Arari (1956); o 'impaludismo' me derrubou mais uma vez... Tratado inicialmente em casa de tia Armentina, em Belém, atravessei a baía em igarité e fui me restabelecer na casa de minha avó Sophia. Esta uma mais a tia Lodica, entre rezas, remédios caseiros e banhos de erva pra sentar juízo, me receitou a leitura do livro escrito pelo tio Dalcídio, primeira edição do romance Marajó. Minha leitura incipiente, mas fui em frente e assim me caíram as "escamas dos olhos": sem carecer ir a Damasco, paresque que nem o fariseu Saulo de Tarso para detonar aqueles crentes do primitivo comunismo cristão.
Ai Jesus! Aí, já com a "Criaturada grande de Dalcídio" na cabeça; larguei remo, canoa e marretagem no Ver O Peso e fui ser estudante profissional na cidade grande de Belém do Grão-Pará: diacho! Peguei o bonde errado e quando dei fé me vi enredado numa mocidade desguiada entre velhos galinhas verdes. Égua! O que me salvou foi o bom companheiro Donato Cardoso, da Vigia, que me apresentou ao Claúdio de Sá Leal e este foi com a minha cara fazendo de mim um foca de reportagem do novato Jornal do Dia. Então, o repórter marajoara noviço houve oportunidade de desembarcar do bonde integralista - expulso como "perigoso agente do comunismo internacional -, e pegar o trem vermelho da Reforma Agrária, com o maquinista Benedicto Monteiro na locomotiva, rumo à estação rural de Igarapé-Açu. Voltei no Maria Fumaça camarada do PCB, sempre com Dalcídio na cachola e o Marajó velho de guerra de minha avó tapuia no coração... Ora, se isto não for revolução eu não me chamo mais Zé Varela!
Foi armado assim, que nem aruã entocado em priscas datas; que atravessei os anos de chumbo da Ditadura de 1964, em pele de burocrata "macacovélico" lá nas lonjuras extremas de Faro algumas léguas abaixo da lagoa Espelho da Lua, onde antigamente - diz-que -, as icamiabas faziam muiraquitãs para dar aos amantes ocasionais em seus lendários jogos de amor.... Na terrinha querida de Ponta de Pedras, fui secretário da prefeitura e aproveitei pra botar as manguinhas de fora inaugurando sob direção do grande prefeito marajoara Antonico Malato, em todo estado do Pará, acredito até que na Amazônia inteira, o primeiro orçamento municipal participativo. E ainda arranjei um tempinho para alfabetizar uns poucos cabocos com a cartilha vap-vupt do educador Paulo Freire.
Não é brincadeira... Quando acaba, voltaram antigas febres, fadiga, depressão, síndrome de pânico: mais uma vez tia Armentina, minha segunda mãe; deu-me a mão, nos fins de 1967 e no ano do AI-5 de 1968 eu estava no bagaço... Aprendiz de pajé reprovado por falta de fé, fiz psicanálise por conta própria, consultei seara de Umbanda, tomei banhos de descarrego e fiz defumações, virei zen-bubuia. Me levantei um pouquinho em 1970, peguei estrada Belém-Brasília, desembarquei na Rodoviária de Brasília entre candangos desempregados, uma mão na frente e outra atrás; sem nem certificado de curso primário, embora em terra de cego eu já tivesse sido rei, repórter policial, secretário municipal etecetera e tal.
Mais um migrante na Capital Federal vindo do Norte sem sorte, mas desta vez os caruanas tiveram dó de mim e conspiraram a favor do caboco do Marajó-Açu. Ressuscitei e fiz curso de Madureza, passei de primeira nos exames de I e II graus do Colégio Elefante Branco, sem descanso, aproveitei o embalo e fui aprovado no curso vestibular de direito da Universidade do Distrito Federal, logo auxiliar administrativo da estatal Companhia Brasileira de Alimentos (COBAL), enfim servidor concursado do Itamaraty... Foi assim que o caboquinho empambado se aprumou na vida.
Quando o sol da democracia raiou (1988), o outrora "moleque comunista" do Itaguari estava Vice-Cônsul do Brasil em Caiena, ocupado em defender emigrantes brasileiros "clandestinos"... Foi do outro lado da fronteira do Oiapoque que vi de perto o "inferninho do contrabando" na outra margem do Amapá e Marajó velho de guerra, que, no Jornal do Dia com Angelo Giusti na chefia de reportagem, quase todo dia descrevíamos. Hoje sou muito grato a Guiana francesa pelo meu alto curso de amazonidade. Só lamento não ter conhecido antes Giovanni Gallo e Hugues de Verine, bem como o criador do Museu do Marajó e o fundador do conceito de ecomuseu não terem eles tido notícias um do outro naqueles amanhecentes tempos dos anos 70, quando o padre de Jenipapo e Santa Cruz do Arari fazia reportagens semanais e a fiel correspondente de Dalcídio, Maria de Belém Menezes, fazia recortes de jornais para informar o escritor marajoara no distante Rio de Janeiro. Sugestão de tema de pesquisa do interessantíssimo Repórter 70, do baratista O Liberal, vencedor da guerra midiática paraense com a temida Folha do Norte.
Em 1990 regressei de Caiena para Belém retornando também à Comissão de Limites onde eu estivera lotado entre 1974 até 1980, vindo de Brasília e voltando a Capital Federal. Aposentei-me do serviço público no dia da queda da Bastilha, 14/07/1998: 25 anos na Casa do Barão do Rio Branco a bom aturar gente com o rei na barriga, felizmente recompensado de uns poucos sinceros amigos, colegas e chefes de excelente condição humana.
Depois disso tudo, tendo tido merecendência de voltar a servir a minha terra de Ponta de Pedras, de 1994 e 1996, emprestado pelo Ministério das Relações Exteriores (MRE), sem ônus para o município; militei a par do impávido mestre Camillo Martins Vianna e inventamos juntos com outros ajuricabanos o incrível exército brancaleone chamado Grupo em Defesa do Marajó (GDM), na Pro-Reitoria de Extensão, da Universidade Federal.
por causa do extinto Grupo em Defesa do Marajó (GDM), Adenauer Góes, Secretário de Estado de Turismo (SETUR), colabora como pode para inserir a Criaturada de Dalcídio
no desenvolvimento socioambiental do Pará, através de Cachoeira do Arari, Ponta de Pedras, Salvaterra e Soure como municípios turísticos do Polo Marajó.
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José Marajó Varela texto completo da "Notícia Histórica" (1783), documento incontornável dos estudos amazônicos: http://www.filologia.org.br/.../noticia_historica_da_ilha...
José Marajó Varela existe documento anterior com título de "Notícia da Ilha Grande de Joanes", de autor anônimo, datado de 1754, cujos originais se acham na Biblioteca Real do Porto (Portugal), segundo Nelson Papavero et al. em "O Novo Éden" ed. Museu Goeldi: Belém, 2000. Dada extraordinária semelhança entre esta e a segunda notícia, o escasso tempo em que o naturalista Alexandre Rodrigues Ferreira permaneceu na Ilha, de 11 de novembro até início de dezembro, a probabilidade de que o guia de viagem de ARF e inspetor da ilha Florentino da Silveira Frade citado diversas vezes, seja o autor anônimo da primeira notícia, confirmada em grande parte na segunda, depois de 29 anos.
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"Sete foram as fazendas de gado que na ilha tiveram os jesuítas: quatro no Arari e três no Marajó-guaçu. Das sete
fazendas, considerarei as que tinham no Arari, em primeiro lugar, a saber: a primeira, rio acima, é a73 fazenda de
Nossa Senhora dos Remédios, em que foi contemplado o mestre-de-campo José Miguel Aires, hoje de74 seu filho
Antônio Miguel Aires. A segunda, no igarapé São José, em que foi contemplado o defunto José Correia de Lacerda;
a terceira, a do Menino Jesus, a do rio Mari, à esquerda, em que foi contemplado o sargento-mor da praça, João
Batista de Oliveira, hoje de seu genro o alferes Antônio José Lima; quarta, a fazenda da boca do lago Santo Inácio,
em que foi contemplado o sargento-mor da cidade, Manoel José Henriques de Lima, hoje de seu genro, sargentomor
de auxiliares, Carlos Gemaque. Além destas quatro, farei menção dos dous retiros, como chamavam, isto é,
duas fazendas de beneficiar gado: um nas cabeceiras do lago Nanatuba, em que foi contemplado o coronel Miguel
Joaquim Pereira de Souza Feio, e outra nas cabeceiras do rio Anajás, que deságua no Arari, na contemplação do
sargento-mor José Pedro da Costa Souto Maior. Quanto às três de Marajó-guaçu, na75 São Brás, contemplou-se João
Falcato da Silva; na de São Francisco, o76 sargento-mor Domingos Pereira de Morais, na do Rosário, o alferes
Francisco da Costa Almeida da Silva, hoje de sua mulher, Dona Ana Felícia de Queirós, que já acima disse que
casou segunda vez." (trecho da obra "Notícia Histórica da Ilha Grande de Joanes" (1783) de Alexandre Rodrigues Ferreira, contendo a lista completa dos CONTEMPLADOS pelo Marquês de Pombal com doação das fazendas confiscadas da missão dos Jesuítas na ilha do Marajó (1759).
a história de O Nosso Museu do Marajó pode ser re-estudada por fases (segundo meu ponto de vista pessoal, diletante devo frisar):
I - a fase pioneira de "ecomuseu avant la lettre" em Santa Cruz do Arari, de 1973 a 1983, dez anos portanto (muitas informações relatam 1972 para a fundação do MDM, todavia não é consensual a chegada de Giovanni Gallo Santa Cruz antes de 1973): toda essa história está precisando de novas pesquisas, além da necessária requalificação da associação comunitária mantenedora de O NOSSO MUSEU;
II - a fase inicial de "museu comunitário" em Cachoeira do Arari, após recuperação e adaptação da fábrica Oleica falida e abertura parcial ao público (1984) até a morte do padre Gallo em 2003;
III - fase crítica de campanha de amigos de Giovanni Gallo para não deixar o MDM fechar, hora de ajuda pelo Museu Paraense Emílio Goeldi com Peter Mann de Toledo e Ima Vieira; de 2003 a 2007; seguida pela presidência de Albertinho Leão, quando ocorreu captação de recursos, inclusive a prestimosa ajuda técnica da arqueóloga Denise Schaan na construção da Reserva Técnica com apoio financeiro da Petrobras; momento de ascensão e queda que viria a eclodir com a ação judicial anulatória da eleição de diretoria de 2010: este período marca profunda discórdia que está dando sinais de arrefecimento e reconciliação, pondo fim a diversos mal entendidos, mágoas e ressentimentos, acusações infundadas por vezes; que precisam ser superadas, mas não esquecidas, para que não se repitam.
Oxalá, uma nova fase esteja começando por ironia quando a Ciência e Tecnologia se acham afetadas pela crise política e recessão econômica nacional. Já não posso mais, por causa da idade e saúde, aspirar a novas responsabilidades. Entretanto, ainda poderei levar uma boa palavra em busca de união sobretudo das comunidades do Marajó que precisam tanto da sobrevivência do museu do Gallo quanto das pesquisas e extensão do Museu Paraense de 150 anos de idade.
quem não tiver falhado ou errado nesta história, que atire o primeiro 'caco de índio" ou a primeira ponta de pedra. A Criaturada grande de Dalcídio querendo paz.

O Museu do Marajó – um museu para a comunidade
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O texto abaixo foi elaborado e apresentado no I Fórum de Museus do Estado do Pará, realizado em Belém pelo Sistema Integrado de Museus SIM, entre 16 e 19 de junho de 2008. O Fórum se pautou pelo tema “Museus: Diversidade Cultural e Transformação Social” e esta apresentação compôs o a Mesa II: “As políticas Museológicas voltadas para museus universitários, federais e comunitários”.
O Museu do Marajó – um museu para a comunidade
Paulo P. de Carvalho*
Paulo P. de Carvalho*
Criado em 1972, na cidade de Santa Cruz do Arari – Ilha do Marajó, com a proposta de promover o desenvolvimento através da Cultura, o Museu teve sua sede transferida em 1983 para a cidade vizinha de Cachoeira do Arari. Ainda em Santa Cruz importante acervo começou a ser adquirido, através da doação de cacos e peças arqueológicas encontradas em toda a região pela população local que, dessa forma, desde o início teve participação efetiva na constituição desse acervo, contribuindo ativamente na consolidação do projeto do Museu do Marajó.
Ainda em Santa Cruz, ao mesmo tempo em que iniciava esse importante acervo, seu fundador, o padre jesuíta italiano Giovanni Gallo, desenvolveu intenso trabalho de inclusão social com geração de renda envolvendo a comunidade da localidade do Jenipapo, às margens do Rio Arari. Entre as iniciativas implantadas teve grande repercussão o “Projeto Piranha”, que embalsamou e exportou para a Europa milhares de piranhas, recolhidas mortas das redes dos pescadores, rendendo recursos suficientes para a realização de diversas melhorias no Jenipapo – as pontes de madeira (1), e na sede do Município, como a pista de pouso para aviões monomotores, entre outras.
Já em Cachoeira do Arari, e com grande apoio da população através do GCAC – Grupo Cachoeirense de Ação Cultural, Giovanni Gallo não só ampliou consideravelmente o acervo arqueológico do Museu como desenvolveu diversas e importantes pesquisas nas áreas da Arqueologia e da Antropologia, envolvendo a comunidade em projetos de formação profissional e geração de renda, sempre buscando o apoio da administração pública – municipal, estadual e federal.
Em seu intenso contato com a população e em seus trabalhos de pesquisa, ao criar um museu com a comunidade e para a comunidade, Gallo observou importante característica do caboclo marajoara, qual seja a de tudo “ver com as mãos”, de tudo querer tocar e, daí, sua mais importante e inovadora contribuição ao acervo d’O Museu – os chamados computadores caipiras, verdadeiras engenhocas interativas compostas de rodas, manivelas, cordões e plaquetas que, ao serem manipuladas, desvendam o universo de informações coletadas por Giovanni Gallo em tantos anos de pesquisa – “um museu na ponta dos dedos”, como gostava de dizer.
Hoje, cinco anos após o falecimento de seu idealizador, a direção do Museu do Marajó dá continuidade ao trabalho iniciado em 1972 através de diversos convênios, projetos, prêmios e editais, tendo entre seus parceiros instituições como a Caixa Econômica Federal – CEF; Petrobras; Museu Paraense Emílio Goeldi – MPEG; Ministério da Cultura – MinC; Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN; Banco Real; Prefeitura Municipal de Cachoeira do Arari; Banco da Amazônia – BASA; Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas – SEBRAE-PA; Banco Nacional de Desenvolvimento Social – BNDES; Fundação Carlos Gomes; Fundação Curro Velho; Instituto de Artes do Pará – IAP; Serviço Social do Comércio – SESC-PA; Instituto Arraial do Pavulagem; e a Secretaria de Estado de Cultura do Pará – SECULT, entre outras.
Fruto da parceria com a Petrobras, o Museu inaugurou em abril deste ano a Reserva Técnica Dalcídio Jurandir (a terceira do Norte do País) e está finalizando a produção de vinte novos computadores
caipiras, que irão substituir aqueles já deteriorados pela ação do tempo. Ponto de Cultura conveniado desde 2006 com o MinC, o Museu desenvolve também ações de resgate, manutenção e repasse do patrimônio cultural através de oficinas com foco nas Folias de São Sebastião, na confecção de réplicas de cerâmicas marajoaras, na musicalização de mais de cem crianças e jovens, nas roupas bordadas com motivos marajoaras, e com a Banda João Viana. Outra parceria, com a Caixa Econômica Federal, possibilitou a elaboração de um banco de dados que reúne todo o seu acervo e, também, a reformulação do sítio na internete.
Ainda este ano, o Museu apresentou proposta para um edital do IPHAN e foi contemplado para realizar a revitalização do sítio arqueológico de Joanes, município de Salvaterra, Ilha do Marajó, ora em curso. A parceria com o IPHAN também possibilitou a participação do Museu, como instituição de apoio, na realização do Inventário Nacional de Referências Culturais da Ilha do Marajó – INRC Marajó (entre 2004 e 2006) e, em 2007, no Inventário (INRC) da Festividade do Glorioso São Sebastião.
Desde 2007 o Museu do Marajó está associado ao Sistema Integrado de Museus e Memoriais – SIM-PA através de convênio com a SECULT, que também possibilitou a assinatura de projeto patrocinado pelo BNDES para realizar, a partir do segundo semestre deste ano, obras importantes em sua área de exposição, biblioteca e no arvoredo no entorno do prédio principal. Previsto para ser lançado no próximo mês de julho em parceria do IAP com o Ponto de Cultura do Museu, o cineclube dará continuidade ao projeto Cinema no Museu, implantado em fevereiro, e que disponibilizará, para sessões gratuitas, mais de mil títulos do cinema nacional reunidos no projeto Programadora Brasil. Ao mesmo tempo, oficinas de audiovisual e software livre ministradas pelo IAP promovem a inclusão digital com formação profissional. Articulado no coletivo estadual dos Pontos de Cultura, o Museu sedia, a partir deste mês, o Pólo Marajó do Pontão de Cultura Rede Amazônia de Protagonismo Juvenil.
Assim, diante desse quadro onde tantos projetos se voltam para demandas indicadas pela própria comunidade, podemos inferir o acerto da política implantada pela direção do Museu e que aponta para o desenvolvimento efetivo de seu projeto inicial, qual seja a extrema interação com a comunidade. No entanto, alguns importantes desafios se apresentam para o Museu do Marajó, sendo o primeiro deles a real e objetiva inserção do Museu no panorama cultural da Ilha, em todos os seus municípios, na concretização do projeto de Giovanni Gallo. Tal desafio deverá ser enfrentado tendo como base o INRC Marajó e em estreita parceria com as prefeituras municipais e instituições de abrangência regional, além do IPHAN e da SECULT.
Quanto à participação da comunidade nas ações do Museu, o desafio que se coloca é o de incrementar e qualificar essa interação, que deve ultrapassar o atual estágio de pesquisas escolares e participação em oficinas. Nesse sentido é que se propõe um novo patamar na relação do Museu, tanto em relação à Prefeitura Municipal, através da Secretaria de Educação, como à Academia. Esse galgar de novo patamar, no que se refere às instituições educacionais de 1º e 2º graus, teve seu início durante a programação realizada por ocasião da 6ª. Semana Nacional de Museus, entre 12 e 18 de maio deste ano, com grande participação de professoras e estudantes das redes municipal e estadual de ensino público em atividades dirigidas. Também este ano, a implantação de cursos de 3º grau no município abriu uma nova porta para a realização de pesquisas e estágios, ao mesmo tempo em que essa mesma interação é proposta a outras Instituições de Ensino Superior (IES) sediadas na capital e em outros municípios da Ilha, com a clara intenção de tornar o Museu do Marajó numa extensão do campus universitário. Por outro lado, as diversas oficinas de arte e profissionalizantes, e as aulas de música, têm sido tratadas de forma a interagirem entre si de forma complementar, com uma visão multidisciplinar, apontando para resultados que permitam à comunidade definir os novos passos a serem dados nas diversas áreas demandadas. Aqui podemos citar a criação da Associação Profissional dos Artesãos de Cachoeira do Arari – APACAR, formada ao final do projeto Jovem Artesão, patrocinado pelo programa Amigo Real, e que deverá caminhar com seus próprios passos, com o apoio efetivo do Museu do Marajó.
Um terceiro desafio diz respeito mesmo à administração do Museu. Criado e dirigido desde o início pelo próprio Gallo, ao completar trinta e seis anos o Museu do Marajó se transformou num grande complexo instalado numa área de 20 mil m2 e que inclui a área de exposição propriamente dita, a Escola de Música, a arena de esportes, o barracão de marcenaria, o barracão de cerâmica, a Loja do Artesão, a biblioteca (hoje instalada no barracão da Escola de Informática), o barracão de artesanato em corte e costura, a ilha de edição, a casa onde residiu Giovanni Gallo e que hoje abriga grande parte de seus documentos pessoais, e o arboreto (2) que ocupa área de cerca de 8 mil m2. Para tratar todo esse complexo o Museu conta hoje com nove servidores municipais cedidos pela Prefeitura e cinco contratados, uma bolsista do MPEG, e o diretor executivo – cargo comissionado da SECULT e indicado de comum acordo com a direção do Museu. Dessa forma, o desafio que se apresenta diz respeito à profissionalização e ampliação do quadro funcional do Museu, que deve passar pela qualificação e adequação do quadro atual e contratação de novos colaboradores identificados na comunidade, restando a questão dos recursos para concretização de tal proposta – o que deve ser discutido no Congresso do Museu, programado para o segundo semestre, quando também deve ser debatida a forma jurídica da instituição.
Para finalizar, gostaria de citar dois exemplos, duas ações que confirmam o acerto da criação do Museu do Marajó. Uma delas, a criação do recente Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo, interativo como o do Marajó – onde vale a intervenção do visitante – reafirma o acerto de Giovanni Gallo ao criar “um museu na ponta dos dedos”, ainda no início da década de 1970. Outra ação, visionária como o projeto de Gallo, é a criação de um instituto de ciências em Macaíba, localidade nos arredores de Natal, na Paraíba. O projeto, chamado Campus do Cérebro e idealizado pelo neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis, enfrenta hoje a mesma descrença enfrentada por Giovanni Gallo ao pretender implantar um museu no meio dos campos do Marajó: “cadê a massa crítica?”, perguntam os descrentes. Pois está lá, em Cachoeira do Arari, em Macaíba e em qualquer outro lugar nesse Brasil afora, aguardando ações concretas de inserção sociocultural com perspectivas de real protagonismo e empoderamento pela comunidade. Esse o caminho que pretendemos trilhar.
Ainda em Santa Cruz, ao mesmo tempo em que iniciava esse importante acervo, seu fundador, o padre jesuíta italiano Giovanni Gallo, desenvolveu intenso trabalho de inclusão social com geração de renda envolvendo a comunidade da localidade do Jenipapo, às margens do Rio Arari. Entre as iniciativas implantadas teve grande repercussão o “Projeto Piranha”, que embalsamou e exportou para a Europa milhares de piranhas, recolhidas mortas das redes dos pescadores, rendendo recursos suficientes para a realização de diversas melhorias no Jenipapo – as pontes de madeira (1), e na sede do Município, como a pista de pouso para aviões monomotores, entre outras.
Já em Cachoeira do Arari, e com grande apoio da população através do GCAC – Grupo Cachoeirense de Ação Cultural, Giovanni Gallo não só ampliou consideravelmente o acervo arqueológico do Museu como desenvolveu diversas e importantes pesquisas nas áreas da Arqueologia e da Antropologia, envolvendo a comunidade em projetos de formação profissional e geração de renda, sempre buscando o apoio da administração pública – municipal, estadual e federal.
Em seu intenso contato com a população e em seus trabalhos de pesquisa, ao criar um museu com a comunidade e para a comunidade, Gallo observou importante característica do caboclo marajoara, qual seja a de tudo “ver com as mãos”, de tudo querer tocar e, daí, sua mais importante e inovadora contribuição ao acervo d’O Museu – os chamados computadores caipiras, verdadeiras engenhocas interativas compostas de rodas, manivelas, cordões e plaquetas que, ao serem manipuladas, desvendam o universo de informações coletadas por Giovanni Gallo em tantos anos de pesquisa – “um museu na ponta dos dedos”, como gostava de dizer.
Hoje, cinco anos após o falecimento de seu idealizador, a direção do Museu do Marajó dá continuidade ao trabalho iniciado em 1972 através de diversos convênios, projetos, prêmios e editais, tendo entre seus parceiros instituições como a Caixa Econômica Federal – CEF; Petrobras; Museu Paraense Emílio Goeldi – MPEG; Ministério da Cultura – MinC; Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN; Banco Real; Prefeitura Municipal de Cachoeira do Arari; Banco da Amazônia – BASA; Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas – SEBRAE-PA; Banco Nacional de Desenvolvimento Social – BNDES; Fundação Carlos Gomes; Fundação Curro Velho; Instituto de Artes do Pará – IAP; Serviço Social do Comércio – SESC-PA; Instituto Arraial do Pavulagem; e a Secretaria de Estado de Cultura do Pará – SECULT, entre outras.
Fruto da parceria com a Petrobras, o Museu inaugurou em abril deste ano a Reserva Técnica Dalcídio Jurandir (a terceira do Norte do País) e está finalizando a produção de vinte novos computadores
caipiras, que irão substituir aqueles já deteriorados pela ação do tempo. Ponto de Cultura conveniado desde 2006 com o MinC, o Museu desenvolve também ações de resgate, manutenção e repasse do patrimônio cultural através de oficinas com foco nas Folias de São Sebastião, na confecção de réplicas de cerâmicas marajoaras, na musicalização de mais de cem crianças e jovens, nas roupas bordadas com motivos marajoaras, e com a Banda João Viana. Outra parceria, com a Caixa Econômica Federal, possibilitou a elaboração de um banco de dados que reúne todo o seu acervo e, também, a reformulação do sítio na internete.Ainda este ano, o Museu apresentou proposta para um edital do IPHAN e foi contemplado para realizar a revitalização do sítio arqueológico de Joanes, município de Salvaterra, Ilha do Marajó, ora em curso. A parceria com o IPHAN também possibilitou a participação do Museu, como instituição de apoio, na realização do Inventário Nacional de Referências Culturais da Ilha do Marajó – INRC Marajó (entre 2004 e 2006) e, em 2007, no Inventário (INRC) da Festividade do Glorioso São Sebastião.
Desde 2007 o Museu do Marajó está associado ao Sistema Integrado de Museus e Memoriais – SIM-PA através de convênio com a SECULT, que também possibilitou a assinatura de projeto patrocinado pelo BNDES para realizar, a partir do segundo semestre deste ano, obras importantes em sua área de exposição, biblioteca e no arvoredo no entorno do prédio principal. Previsto para ser lançado no próximo mês de julho em parceria do IAP com o Ponto de Cultura do Museu, o cineclube dará continuidade ao projeto Cinema no Museu, implantado em fevereiro, e que disponibilizará, para sessões gratuitas, mais de mil títulos do cinema nacional reunidos no projeto Programadora Brasil. Ao mesmo tempo, oficinas de audiovisual e software livre ministradas pelo IAP promovem a inclusão digital com formação profissional. Articulado no coletivo estadual dos Pontos de Cultura, o Museu sedia, a partir deste mês, o Pólo Marajó do Pontão de Cultura Rede Amazônia de Protagonismo Juvenil.
Assim, diante desse quadro onde tantos projetos se voltam para demandas indicadas pela própria comunidade, podemos inferir o acerto da política implantada pela direção do Museu e que aponta para o desenvolvimento efetivo de seu projeto inicial, qual seja a extrema interação com a comunidade. No entanto, alguns importantes desafios se apresentam para o Museu do Marajó, sendo o primeiro deles a real e objetiva inserção do Museu no panorama cultural da Ilha, em todos os seus municípios, na concretização do projeto de Giovanni Gallo. Tal desafio deverá ser enfrentado tendo como base o INRC Marajó e em estreita parceria com as prefeituras municipais e instituições de abrangência regional, além do IPHAN e da SECULT.
Quanto à participação da comunidade nas ações do Museu, o desafio que se coloca é o de incrementar e qualificar essa interação, que deve ultrapassar o atual estágio de pesquisas escolares e participação em oficinas. Nesse sentido é que se propõe um novo patamar na relação do Museu, tanto em relação à Prefeitura Municipal, através da Secretaria de Educação, como à Academia. Esse galgar de novo patamar, no que se refere às instituições educacionais de 1º e 2º graus, teve seu início durante a programação realizada por ocasião da 6ª. Semana Nacional de Museus, entre 12 e 18 de maio deste ano, com grande participação de professoras e estudantes das redes municipal e estadual de ensino público em atividades dirigidas. Também este ano, a implantação de cursos de 3º grau no município abriu uma nova porta para a realização de pesquisas e estágios, ao mesmo tempo em que essa mesma interação é proposta a outras Instituições de Ensino Superior (IES) sediadas na capital e em outros municípios da Ilha, com a clara intenção de tornar o Museu do Marajó numa extensão do campus universitário. Por outro lado, as diversas oficinas de arte e profissionalizantes, e as aulas de música, têm sido tratadas de forma a interagirem entre si de forma complementar, com uma visão multidisciplinar, apontando para resultados que permitam à comunidade definir os novos passos a serem dados nas diversas áreas demandadas. Aqui podemos citar a criação da Associação Profissional dos Artesãos de Cachoeira do Arari – APACAR, formada ao final do projeto Jovem Artesão, patrocinado pelo programa Amigo Real, e que deverá caminhar com seus próprios passos, com o apoio efetivo do Museu do Marajó.
Um terceiro desafio diz respeito mesmo à administração do Museu. Criado e dirigido desde o início pelo próprio Gallo, ao completar trinta e seis anos o Museu do Marajó se transformou num grande complexo instalado numa área de 20 mil m2 e que inclui a área de exposição propriamente dita, a Escola de Música, a arena de esportes, o barracão de marcenaria, o barracão de cerâmica, a Loja do Artesão, a biblioteca (hoje instalada no barracão da Escola de Informática), o barracão de artesanato em corte e costura, a ilha de edição, a casa onde residiu Giovanni Gallo e que hoje abriga grande parte de seus documentos pessoais, e o arboreto (2) que ocupa área de cerca de 8 mil m2. Para tratar todo esse complexo o Museu conta hoje com nove servidores municipais cedidos pela Prefeitura e cinco contratados, uma bolsista do MPEG, e o diretor executivo – cargo comissionado da SECULT e indicado de comum acordo com a direção do Museu. Dessa forma, o desafio que se apresenta diz respeito à profissionalização e ampliação do quadro funcional do Museu, que deve passar pela qualificação e adequação do quadro atual e contratação de novos colaboradores identificados na comunidade, restando a questão dos recursos para concretização de tal proposta – o que deve ser discutido no Congresso do Museu, programado para o segundo semestre, quando também deve ser debatida a forma jurídica da instituição.
Para finalizar, gostaria de citar dois exemplos, duas ações que confirmam o acerto da criação do Museu do Marajó. Uma delas, a criação do recente Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo, interativo como o do Marajó – onde vale a intervenção do visitante – reafirma o acerto de Giovanni Gallo ao criar “um museu na ponta dos dedos”, ainda no início da década de 1970. Outra ação, visionária como o projeto de Gallo, é a criação de um instituto de ciências em Macaíba, localidade nos arredores de Natal, na Paraíba. O projeto, chamado Campus do Cérebro e idealizado pelo neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis, enfrenta hoje a mesma descrença enfrentada por Giovanni Gallo ao pretender implantar um museu no meio dos campos do Marajó: “cadê a massa crítica?”, perguntam os descrentes. Pois está lá, em Cachoeira do Arari, em Macaíba e em qualquer outro lugar nesse Brasil afora, aguardando ações concretas de inserção sociocultural com perspectivas de real protagonismo e empoderamento pela comunidade. Esse o caminho que pretendemos trilhar.
(*) Diretor Executivo d’O museu do Marajó-Pe. Giovanni Gallo (2007/2009)
(1) A localidade do Jenipapo, como tantas na Ilha do Marajó, é construída sobre palafitas para enfrentar as cheias do inverno marajoara – as pontes são as ruas suspensas sobre as águas do Lago Arari.
(2) Designação dada por Giovanni Gallo ao pequeno bosque no interior dos muros do Museu.
Bibliografia
GALLO, GIOVANNI. O Homem que Implodiu. Belém: SECULT, 1996
GALLO, GIOVANNI. Marajó – a Ditadura da água. Belém: Smith Produções Gráficas Ltda., 1997
NICOLELIS, MIGUEL. A Ciência pode ser um agente de transformação social. In Revista Caros Amigos. Ano 12. Número 134. Maio de 2008. São Paulo: Editora Casa Amarela, 2008.
GALLO, GIOVANNI. O Homem que Implodiu. Belém: SECULT, 1996
GALLO, GIOVANNI. Marajó – a Ditadura da água. Belém: Smith Produções Gráficas Ltda., 1997
NICOLELIS, MIGUEL. A Ciência pode ser um agente de transformação social. In Revista Caros Amigos. Ano 12. Número 134. Maio de 2008. São Paulo: Editora Casa Amarela, 2008.
Flávia Souza Excelente observação e instigação !Albertinho Leão José Varela Pereira, Você como Diplomata e Historiador, sempre contribuindo de alguma forma para o MdM. A data da eleição que você referencia é de 2008. De 2008 - 2010 o MdM ficou com comissões ,sem diretoria eleita. Posso depois Informar com Precisão essas datas. Como você bem referencia já está na hora de fumarmos o Cachimbo da Paz em nome do Museu. De minha parte já estou até de boca torta com o cachimbo desde 2008 no canto da Boca. Se fiz algo á alguém peço desculpas e já perdoei os que fizeram pra mim, sei que ao final todos querem o melhor pro MdM. Jamais esquecerei e não devemos esquecer. Este ano, é ano de eleição de nova diretoria, assim como em 2008, defendo chapa unica, com a nova Geração assumindo a Gestão do MdM.
Dalcídio Jurandir (Ponta de Pedras, 10/01/1909 - Rio de Janeiro, 16/06/1979),
incentivador de Giovanni Gallo para publicar o livro "Marajó, a ditadura da água".
incentivador de Giovanni Gallo para publicar o livro "Marajó, a ditadura da água".

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018
A VEZ E A HORA DO MUSEU DO MARAJÓ NA REDE DE ECOMUSEUS E MUSEUS COMUNITÁRIOS.

Giovanni Gallo (Turim, 1927 - Belém do Pará, 2003), padre jesuíta italiano missionário na diocese de Ponta de Pedras, na ilha do Marajó: criador avant la lettre do primeiro ecomuseu brasileiro. Naturalizou-se caboco marajoara e conquistou merecidamente a naturalidade brasileira. Doravante, descoberto pelo museólogo francês Hugues de Verine, fundador do conceito de ecomuseu, tem toda possibilidade de virar estrela da rede internacional de ecomuseus e museus comunitários e atrativo do ecoturismo de base na comunidade na Amazônia. A Criaturada grande de Dalcídio agradece.
Aos 109 anos do nascimento de Dalcídio Jurandir (1909-1979),
na Vila de Ponta de Pedras, ilha do Marajó, no dia 10 de Janeiro de 1909.
Analfabeto político, até então um perfeito 'caboclo' andava eu em montaria a remo quando, de volta de viagem ao venerável lago Arari (1956); o 'impaludismo' me derrubou mais uma vez... Tratado inicialmente em casa de tia Armentina, em Belém, atravessei a baía em igarité e fui me restabelecer na casa de minha avó Sophia. Esta uma mais a tia Lodica, entre rezas, remédios caseiros e banhos de erva pra sentar juízo, me receitou a leitura do livro escrito pelo tio Dalcídio, primeira edição do romance Marajó. Minha leitura incipiente, mas fui em frente e assim me caíram as "escamas dos olhos": sem carecer ir a Damasco, paresque que nem o fariseu Saulo de Tarso para detonar aqueles crentes do primitivo comunismo cristão.
Ai Jesus! Aí, já com a "Criaturada grande de Dalcídio" na cabeça; larguei remo, canoa e marretagem no Ver O Peso e fui ser estudante profissional na cidade grande de Belém do Grão-Pará: diacho! Peguei o bonde errado e quando dei fé me vi enredado numa mocidade desguiada entre velhos galinhas verdes. Égua! O que me salvou foi o bom companheiro Donato Cardoso, da Vigia, que me apresentou ao Claúdio de Sá Leal e este foi com a minha cara fazendo de mim um foca de reportagem do novato Jornal do Dia. Então, o repórter marajoara noviço houve oportunidade de desembarcar do bonde integralista - expulso como "perigoso agente do comunismo internacional -, e pegar o trem vermelho da Reforma Agrária, com o maquinista Benedicto Monteiro na locomotiva, rumo à estação rural de Igarapé-Açu. Voltei no Maria Fumaça camarada do PCB, sempre com Dalcídio na cachola e o Marajó velho de guerra de minha avó tapuia no coração... Ora, se isto não for revolução eu não me chamo mais Zé Varela!
Foi armado assim, que nem aruã entocado em priscas datas; que atravessei os anos de chumbo da Ditadura de 1964, em pele de burocrata "macacovélico" lá nas lonjuras extremas de Faro algumas léguas abaixo da lagoa Espelho da Lua, onde antigamente - diz-que -, as icamiabas faziam muiraquitãs para dar aos amantes ocasionais em seus lendários jogos de amor.... Na terrinha querida de Ponta de Pedras, fui secretário da prefeitura e aproveitei pra botar as manguinhas de fora inaugurando sob direção do grande prefeito marajoara Antonico Malato, em todo estado do Pará, acredito até que na Amazônia inteira, o primeiro orçamento municipal participativo. E ainda arranjei um tempinho para alfabetizar uns poucos cabocos com a cartilha vap-vupt do educador Paulo Freire.
Não é brincadeira... Quando acaba, voltaram antigas febres, fadiga, depressão, síndrome de pânico: mais uma vez tia Armentina, minha segunda mãe; deu-me a mão, nos fins de 1967 e no ano do AI-5 de 1968 eu estava no bagaço... Aprendiz de pajé reprovado por falta de fé, fiz psicanálise por conta própria, consultei seara de Umbanda, tomei banhos de descarrego e fiz defumações, virei zen-bubuia. Me levantei um pouquinho em 1970, peguei estrada Belém-Brasília, desembarquei na Rodoviária de Brasília entre candangos desempregados, uma mão na frente e outra atrás; sem nem certificado de curso primário, embora em terra de cego eu já tivesse sido rei, repórter policial, secretário municipal etecetera e tal.
Mais um migrante na Capital Federal vindo do Norte sem sorte, mas desta vez os caruanas tiveram dó de mim e conspiraram a favor do caboco do Marajó-Açu. Ressuscitei e fiz curso de Madureza, passei de primeira nos exames de I e II graus do Colégio Elefante Branco, sem descanso, aproveitei o embalo e fui aprovado no curso vestibular de direito da Universidade do Distrito Federal, logo auxiliar administrativo da estatal Companhia Brasileira de Alimentos (COBAL), enfim servidor concursado do Itamaraty... Foi assim que o caboquinho empambado se aprumou na vida.
Quando o sol da democracia raiou (1988), o outrora "moleque comunista" do Itaguari estava Vice-Cônsul do Brasil em Caiena, ocupado em defender emigrantes brasileiros "clandestinos"... Foi do outro lado da fronteira do Oiapoque que vi de perto o "inferninho do contrabando" na outra margem do Amapá e Marajó velho de guerra, que, no Jornal do Dia com Angelo Giusti na chefia de reportagem, quase todo dia descrevíamos. Hoje sou muito grato a Guiana francesa pelo meu alto curso de amazonidade. Só lamento não ter conhecido antes Giovanni Gallo e Hugues de Verine, bem como o criador do Museu do Marajó e o fundador do conceito de ecomuseu não terem eles tido notícias um do outro naqueles amanhecentes tempos dos anos 70, quando o padre de Jenipapo e Santa Cruz do Arari fazia reportagens semanais e a fiel correspondente de Dalcídio, Maria de Belém Menezes, fazia recortes de jornais para informar o escritor marajoara no distante Rio de Janeiro. Sugestão de tema de pesquisa do interessantíssimo Repórter 70, do baratista O Liberal, vencedor da guerra midiática paraense com a temida Folha do Norte.
Em 1990 regressei de Caiena para Belém retornando também à Comissão de Limites onde eu estivera lotado entre 1974 até 1980, vindo de Brasília e voltando a Capital Federal. Aposentei-me do serviço público no dia da queda da Bastilha, 14/07/1998: 25 anos na Casa do Barão do Rio Branco a bom aturar gente com o rei na barriga, felizmente recompensado de uns poucos sinceros amigos, colegas e chefes de excelente condição humana.
Depois disso tudo, tendo tido merecendência de voltar a servir a minha terra de Ponta de Pedras, de 1994 e 1996, emprestado pelo Ministério das Relações Exteriores (MRE), sem ônus para o município; militei a par do impávido mestre Camillo Martins Vianna e inventamos juntos com outros ajuricabanos o incrível exército brancaleone chamado Grupo em Defesa do Marajó (GDM), na Pro-Reitoria de Extensão, da Universidade Federal.
Dalcídio Jurandir (Ponta de Pedras, 10/01/1909 - Rio de Janeiro, 16/06/1979),
incentivador de Giovanni Gallo a fim de publicar o livro "Marajó, a ditadura da água".
Belém do Grão-Pará - Aldeia Marambaia, 10 de Janeiro de 2018
Meu Querido tio Dal,
Escrevo-lhe estas mal traçadas linhas, para dizer muito obrigado por tudo que o senhor fez por mim e pelos meus na grande família da Criaturada grande. Aqui na terra, nós não vamos melhor por que não nos deixam. Masporém, de qualquer maneira a gente vai levando como Deus quer e o Diabo gosta.
Eu quero lhe agradecer, sobretudo, a resposta da carta que lhe mandei com o
palimpsesto que tio Rita, bondosamente como sempre, foi portador. Desculpe-me o texto
quase apagado que submeteu à prova a paciência do ilustre leitor com óculos
pouco aumentativos... Mesmo assim o senhor foi em frente e decifrou o dito cujo textão do parente.
Obrigado meu Mestre, afinal o romance dos tijucos não saiu. Em compensação,
eu virei blogueiro assíduo nesta coisa nova chamada internet, para dar testemunho do homem, aqui, largado em plena maré.
Até um dia, quando iremos nos encontrar na infinita Terra sem Mal dos ancestrais.
saudações Marajoaras do seu sobrinho, Zeca.
Claro que o caboco que vos fala, com um curriculum deste; não podia passar sem a Academia do Peixe Frito. A ocasião foi oferecida pela Câmara Municipal de Cachoeira do Arari, que criou a Comissão do Centenário de Nascimento de Dalcídio Jurandir (10/01/2009). Iniciativa de Albertinho Leão que veio a Belém propor que os mais municípios que desejassem participar se reunissem na Capital. Assim foi feito, todas primeiras sextas-feiras do mês no restaurante do Hotel Ver O Peso, retomando a tradição da confraria criada por Bruno de Menezes na década de 1930
"Quem não tiver falhado ou errado nesta história, que atire o primeiro 'caco de índio" ou a primeira ponta de pedra. A Criaturada grande de Dalcídio querendo paz." -- José Marajó Varela
no desenvolvimento socioambiental do Pará, através de Cachoeira do Arari, Ponta de Pedras, Salvaterra e Soure como municípios turísticos do Polo Marajó.


