sábado, 8 de julho de 2023

José Varela Pereira - Textos e Fotos

29/05/2019 . José Marajó Varela: Esta é a música do grupo regional Raízes Caboclas, com um trecho do cancioneiro folclórico da região do interior do Amazonas,falando sobre a "serventia" e a simbologia do PANEIRO. Eu gosto dessa ideia! Paneiro é coisa comum Em todo barraco tem Não custa muito dinheiro Nem custa fazer também Mas quero levar comigo Pra sempre no coração A lição que o paneiro ensina Como é bela a união As talas que viram adubo Nas matas sem serventia Mas agora de mãos dadas Todas têm força e valia Mas quero levar comigo Pra sempre no coração A lição que o paneiro ensina Como é bela a união (Música do folclore amazonense, colhida em São Paulo de Olivença/AM, pelo grupo Raízes Caboclas) Os espaços e nomes: - Museu do Estado do Pará - Igreja de Santo Alexandre - Museu do Círio - Corveta Museu Solimões - Forte do Presépio - Memorial da Navegação (Mangal das Garças) - Memorial do Porto (Estação das Docas) - Museu de Gemas (Complexo São José Liberto) . Museu Amazônia . Museu Paraense Emílio Goeldi . Museu Histórico de Cametá . Ecomuseu da Amazônia . Trópico em Movimento . Núcleo de Meio Ambiente-NUMA/UFPA . Dalcídio Jurandir . Moacir Pereira . Carlos Augusto Ramos . Estuário Ramos . Abel Jader Lins . Tainá Marajoara . Raimundo Alves . Nazareno Alves . Serjao Belem Sergio Almerao Serjao . Sergio Nunes . Marli Braga Dias . Lino Ramos . Nívia Glaucia Pinto Pereira . Gracillius Santana . Quatipuru-Pará . Romaria fluvial de Nossa Senhora de Nazaré . José Marajó Varella . Núcleo de Meio Ambiente/NUMA/UFPA . Moacir Pereira . Carlos Augusto Ramos . Abel Lins . Antonio Carlos Madureira . Manoel Justino Junior . Goretti Tavares . Jetro Fagundes . Donato Cardoso . Claudio Cardoso . Charles Cardoso . Marilia Santos . Márcio Malato . Bruno de Menezes Cabe tudo no paneiro. Ideias, trabalhos, fragmentos, dicas, coisinhas... De cultura, arte, educação, literatura, patrimônio, design... Para transporte, armazenagem e trocas! Qual é a melhor farinha de mandioca do Pará? A farinha de Bragança é a mais famosa, porém Ipixuna vem se destacando e Curuçá não fica muito atrás.Todavia, toda farinha de boa qualidade precisa da embalagem tradicional em paneiros forrados com folhas de Arumã, conhecida em algunslugares como Bananeirinha-do-mato (nome científico Ischnosiphon ovatus). O consumo agroecológico de produtos nativos da agricultura familiar poderá dar séria contribuição ao ecoturismo de base na comunidade, pois ao se informar sobre a vida rural e colaborar na geração de renda e emprego nas comunidades, contribui ao enraizamento da cultura regional.o Arumã quase já não se acha nas comunidades do Pará,enquanto o plástico se alastra com todos problemas que causa ao meio ambiente. Helvetica Via José Marajó Varella Portal Vermelho Dia: 14/04/2009 às 19:18:32 José Varella: O índio da praça Brasil “Salve, ó terra e ricas florestas,/Fecundadas ao sol do equador!”/“Ó Pará, quanto orgulho ser filho,/De um colosso, tão belo e tão forte;/Juncaremos de flores teu trilho,/Do Brasil, sentinela do Norte.” .O hino do Estado do Pará, com letra de Arthur Porto
Deste modo, as crianças passando pela praça Brasil para ir à escola como o alter-ego Alfredo do “índio sutil” (no romance “Primeira Manhã”, de Dalcídio Jurandir) cantarão o hino parauara com outra história no coração e no pensamento: Hino do Estado do Pará Salve, ó terra de ricas florestas, Fecundadas ao sol do equador! Teu destino é viver entre festas, Do progresso, da paz e do amor! Salve, ó terra de ricas florestas, Fecundadas ao sol do equador! Ó Pará, quanto orgulho ser filho, De um colosso, tão belo e tão forte; Juncaremos de flores teu trilho, Do Brasil, sentinela do Norte. E a deixar de manter esse brilho, Preferimos, mil vezes, a morte! Ó Pará, quanto orgulho ser filho, De um colosso, tão belo e tão forte; Juncaremos de flores teu trilho, Do Brasil, sentinela do Norte. E a deixar de manter esse brilho, Preferimos, mil vezes, a morte! Salve, ó terra de rios gigantes, D’Amazônia, princesa louçã! Tudo em ti são encantos vibrantes, Desde a indústria à rudeza pagã, Salve, ó terra de rios gigantes, D’Amazônia, princesa louçã! Muitas águas rolaram e muita chuva caiu sobre o índio da Praça Brasil. Mas, já vai melhorando o tempo... A regularização fundiária em favor do Povão é um primeiro passo para tirar a gente da beira para o centro da História. O Museu do Marajó se expande depois de chuvas e trovoadas. A academia do peixe frito dá o grito do tipiti e os gados do rio: o tempo começa a circular. Mas, o pior cego é aquele que não quer ver o peso da cultura popular. José Marajó Varella Aqui na nossa comunidade de Taatateua é assim. Uma diversidade incontavel de riquezas naturais. Campos banhados por aguas de chuvas submersos no periodo invernoso e no verão toda a paisagem se transforma.
Matas siliares de igapos e uma floresta densa de siriúbas, e tinteiras mais os mangueiros na mesma região onde ocorrem os alagamentos de inverno.
Aves, peixes e até jacarés ainda temos por aqui.
José Varela Pereira
SETUR_PA com o grupo de amigos de Ecomuseus e Turismo na comunidade. O grupo doravante poderá reunir-se, quando necessário, nas dependências da antiga Paratur (foto abaixo), ficando José Varela Pereira responsável pela prévia solicitação do espaço. Autorização conforme compatibilidade de agenda do órgão estadual.
;No momento está prevista reunião na Orla da vila de Benfica (Benevides), rua Capitão Barata, 62; no próximo dia 01/12/2017, sexta-feira, a ter início às 09:00 até 12:00, incluindo passeio guiado pela vila. Na reunião haverá breve exposição por José Varela sobre projeto do Ecomuseu dos Sapararé (nome provisório) e palestra da coordenadora do Ecomuseu da Amazônia professora Maria Terezinha Resende Martins? (a ser confirmada). É aguardada participação do Secretário Municipal de Turismo de Ponta de Pedras Marcio Malato e interessados na organização de ecomuseu no referido município turístico, do Polo Marajó.> Dentre os resultados da reunião prevê-se consenso para reunião em Belém a fim de abordar projeto para o Ecomuseu de Ponta de Pedras. >Pedro Pedro Manumoa Moacir PereiraMoraes Filho Edgar Mendes Rodolfo Moraes Pereira Nívia Glaucia Pinto Pereira Conceição SilvaAllyson Neri Imagen: Praça Magalhães Barata, localizada na zona portuária de Belém, em ... images.google.com.br Nomes e tribos indígenas: . Índios Borari, em Alter do Chãso (Santarém-Tapajós Considerada a mais antiga manifestação cultural sincrética da Amazônia colonial portuguesa, a festa do Çairé fundiu elementos indígenas à catequese católica na região em fins do século XVII. Era apenas uma procissão terminada com ladaínha, que se conduzia o Çairé, um símbolo em semicírculo feito de cipó torcido, revestido de algodão e enfeitado com fitas coloridas e flores da região. Ao final do percurso, eram realizados uma reza e um jantar festivo. Com o passar do tempo, o Çairé teve algumas mudanças, novos rituais e elementos simbólicos concentrando-se na atualidade na antiga aldeia de índios Borari, em Alter do Chão (Santarém / Tapajós). Imagem: Noticia - Agência Pará de Notícias Encontrada no Google em agenciapara.com.br<-images.google.com.br Segunda-feira, 7 de agosto de 2017 Empoderando a Criaturada de Dalcídio na Amazônia Atlântica. "Imagem relacionada" Onda da Pororoca Cidadão do mundo segundo Dalcídio Jurandir, o caboco marajoara é, naturalmente, doutor honoris causa em assuntos de meio ambiente e cultura tradicional na universidade da maré. Com antecedência ele sabe a altura da maior maré do ano observando ovos do caramujo da varja no tronco das árvores; conhece paragens onde as canoas restam seguras da fúria da Pororoca, na foz do rio Amazonas, ilha Caviana: quando a Terra e a Lua se alinham ao Sol e ocorrem as marés de sizígia. Nas águas de março, o rio Amazonas atinge seu volume máximo e o Atlântico recua diante do gigantesco rio, porém mostra sua majestade e o traz de volta ao seio do prodigioso golfão. Então os dois titãs - o grande Rio e o Mar profundo - se entestam até que as vagas adentram a terra com fragor e sobem depressa pelas ilhargas das ilhas de fora no maior arquipélago fluviomarinho do planeta.
Nomes: . Denise Schaan, com pesquisas e livros sobre os indígenas: . Índios Aruak . Indios Palikur . Índios Nuaruaques . Íjndios Karibes . Índios Tupis A partir dos fins do século XX, com ênfase no ecoturismo de base na comunidade do Salgado paraense; chamamos Amazônia Atlântica à faixa marítima oriental da América do Sul, que vai do Litoral Ocidental Maranhense e do Gurupi, no estado do Maranhão; rumo norte até topar o Delta do Orinoco, na Venezuela. Aí fica o Litoral Norte brasileiro formado por sedimentos recentes, com predomínio de restingas, lagoas e mangues reunindo a Costa do Pará e Amapá diferenciada do conjunto pela influência da foz do Amazonas, mediante canais, lagos, manguezais e ilhas, notadamente a grande ilha do Marajó, berço da primeira cultura complexa da Amazônia (ver Cultura Marajoara, de Denise Schaan).
Nossa Amazônia Atlântica tem 2.683 quilômetros de extensão, com pelo menos 530.000 km² de área geográfica e uma considerável população "crioula" predominante; somada a parte brasileira de 1.360 km de extensão (mais ou menos duzentos quilômetros de litoral amazônico maranhense, deduzido dos 640 km deste estado da região Nordeste; mais 562 km do Pará e 598 km de costa marítima do Amapá), mais a parte amazônica além Oiapoque com os seus 1.323 quilômetros (378 km da Guiana francesa, mais 386 do Suriname, 459 da Guiana e cerca de duzentos quilômetros da Guiana venezuelana, à parte do total de 2.800 km de litoral da Venezuela). Na Amazônia Atlântica predominam densos manguezais, praias, rias, ilhas e estuários que são berçários de peixes e aves aquáticas. No passado distante, milhares de aldeias em constante mobilidade como na "dança do peixe" (pirapuracéia), se entranhavam nas terras baixas através de fios da água doce pelos mangues, igarapés, campinas inundáveis e matas encharcadas: a roça de mandioca e o porto de canoa sempre próximos da moradia... Vasto espaço de mar e terras banhadas pela Corrente Marítima das Guianas, entre as ilhas do Marajó e a ilha de Trinidad (Trinidad e Tobago), no século XVI foi chamado Guiana (vocábulo Aruak, no sentido de "terra de muitas águas", de uêne, água).
Era, sobretudo, a Paricuria (terra dos Palikur) habitada ancestralmente por diversas etnias aruaques em rixa eterna com o inimigo hereditário Galibi e constituiu em tempos coloniais a grande área cultural guianense (cf. Guyane française, de Ciro Flamarion Cardoso), o Calha Norte, Marajó e Amapá faziam parte das Guianas com o nome de Guiana portuguesa, depois brasileira. Houve também a Guiana castelhana que veio a ser incorporada pela Venezuela independente. A antropologia e a história social sul-americana nos ensinam que as ilhas do mar do Caribe foram povoadas a partir da Terra Firme, em tempos pré-colombianos remotos. Através do Rio Negro e do Canal de Cassiquiare os primeiros Aruak atravessaram a remos e vela de jupati a "ponte" marítima entre o Delta do Orinoco e a ilha de Trinidad (Ieri, "terra do colibri", beija-flor) ocupando o Caribe onde foram seguidos pelos Kalina (caribes) e estabeleceram guerra entre si. Causa de migrações de retorno ao continente e povoamento de largas circunferências do Circum Caribe até o Acre e o Pantanal. Nas ilhas do mar, resultado da guerra antropofágica entre aruaques e caribes, surgiram grupos mistos filhos de guerreiros kalina praticantes do ritual da antropofagia e mães aruaque conquistadas como troféu de guerra. O guerreiro aruaque era invejado pela valentia e suas mulheres cobiçadas pelo conhecimento secreto do veneno para dardos e flechas além da manipulação da mandioca venenosa para fazer cassabe, origem dos Nuaruaques falando as línguas materna e paterna praticando usos e costumes tanto aruaques como caribes: base primitiva da grande mestiçagem que se alastrou a mocambos com escravos refugiados e brancos desertores da crioulidade e da amazonidade, mais precisamente.< ="Imagem relacionada"/2017/01/FOTO-REFERENCIAL1.jpg" Comunidade indígena Warao, Delta do Orinoco, Venezuela. NOMES E TRIBOS INDÍGENAS: . Índios Tupis . Índios Timbiras . Índios Nuaruaques GOLFÃO MARAJOARA: 5000 ANOS DE PESCA.
Na vasta faixa costeira, o golfão marajoara (cf. Aziz Nacib Ab'Saber) contendo o arquipélago do Marajó, com mais de duas mil ilhas grandes e pequenas, fluviais e marítimas; recebe do rio Amazonas cerca de 20% da água doce superficial do planeta indo, uma centena de quilômetros mar adentro, misturar-se à piscosa corrente das Guianas: aí ao fluxo e refluxo da maré oceânica forma-se um singular bioma de água salobra, campos inundáveis e matas de várzeas de maré. Projeto, desde 2003, da Reserva da Biosfera Marajó-Amazônia mediante candidatura, demandada pela comunidade marajoara, ao programa O Homem e a Biosfera (MaB), da UNESCO. Região planetária, que o Brasil e o mundo mal e porcamente conhecem; e que apesar de seus ignorantes senhores clama por sítio da convenção de Ramsar sobre a conservação de zonas úmidas da Terra.

Quem melhor poderia estudar, desenvolver sustentavelmente e bem conservar tais ecossistemas que as populações tradicionais da região? Na mesorregião Marajó, 600 mil habitantes, aproximadamente, se distribuem por mais de 500 comunidades locais ("aldeias" ou povoados), perfazendo 16 municípios nas microrregiões Arari, Breves e Portel; numa área territorial de 104 mil quilômetros quadrados (maior que os estados do Rio de Janeiro, Alagoas ou Sergipe; ou maior que países do tamanho de Portugal ou Holanda, por exemplo). Todavia, o colonialismo lesou e retarda ainda as regiões amazônicas, periferia da Periferia.
O colonialismo europeu na Amazônia deu os primeiros passos com mercadores holandeses, em fins do século XVI, a praticar escambo com índios aruaques da região. Logo corsários franceses e índios tupinambás no Maranhão formaram aliança: os primeiros para desfrutar dos conhecimentos tradicionais na conquista do Grão-Pará (Pará-Uaçu, "grande mar", em tupi) e os últimos na ambição em dispor de navios à vela e armas de fogo a fim de prosseguir a guerra contra os inimigos Tapuias, em especial o "malvado" Marajó (marãyu), falante da "língua ruim" (nheengaíba). O índio nheengaíba (Nuaruaque), provavelmente, tendo seu berço no Oiapoque invadiu as ilhas do delta-estuário do Amazonas cerca de 1300, no mesmo passo chegaria ao Baixo Tocantins e pela costa marinha poderia ter chegado até talvez o delta do Parnaíba, em confrontos esporádicos com os Timbiras e posteriormente com o conquistador Tupinambá, que empurrou os Timbiras para o sertão e os nuaruaques para as ilhas do Marajó.

As baías do Guajará e Marajó não apenas serviram de costa-fronteira do Pará, segundo a "linha" de Tordesilhas (1494) como foram, de fato, front de guerra entre Nheengaíbas e Tupinambás. Estes índios tomaram partidos diferentes no decorrer da invenção da Amazônia: aruaques ao lado de holandeses, britânicos e eventualmente franceses da Guiana. Do lado meridional do Pará, os tupis no começo com os franceses do Maranhão e finalmente com os portugueses até os confins do Rio Negro e Alto Amazonas.

Com exceção dos antropólogos, os estudiosos brasileiros poucas vezes indagaram dos motivos para a nação Tupinambá estar presente em todas as regiões do Brasil na época da conquista (Sul, Sudeste, Centro-Oeste, Nordeste e Norte), nenhuma outra "tribo" brasílica foi tão andeja e constante ao lado do conquistador português brutal e sanguinário. Ora, sabemos que a religião tupinambá é a vingança (cf. Florestan Fernandes) e, no entanto, após um genocídio feroz levado a efeito contra os tupinambás por Bento Maciel Parente e Pedro Teixeira contra os tupinambás do Maranhão e Pará, em 1619, apenas quatro anos passados os tupinambás de Cametá estão prontos e animosos para ir à guerra, em 1623, contra os Hereges (protestantes holandeses) que lhes não tinham jamais ofendido. Na verdade (e poucos ainda hoje compreenderam) o ódio maior do tupinambás recaia sobre o malvado Nheengaíba amigo dos holandeses, que lhes embargavam o passo com a mortalíssima emboscada e a zarabatana com dardos envenenados de curare. A massagada nheengaíba era uma pedra no caminho da sonhada yvy marãey (terra sem mal), apontada pela rota do sol para o Araquiçaua (lugar onde o sol ata rede, poente). Pelo mito supremo, o pajé-açu e o guerreiro tupinambá sufocavam o ódio ao Peró (português, papagaio) toda vez que este recorria a arcos e remos para subir o grande rio.

Resulta que o antigo Grão-Pará era Tapuya tetama (terra Tapuia), nheengaíba do Oiapoque até o Marajó, e o Salgado através do Caminho do Maranhão ficou sendo pátria Tupinambá: ambos territórios ancestrais concentram populações tradicionais de pesca artesanal e mariscadoras de manguezais, que junto às mais regiões amazônicas constitui a terra inalienável da Criaturada grande de Dalcídio.
No Pará reservas extrativistas marinhas fazem o mangue crescer. Por causa desta gente, eu fiquei fanático de museus comunitários depois de descobrir o sui generis MUSEU DO MARAJÓ inventado em 1972 por Giovanni Gallo, "o marajoara que veio de longe" (palavras de Camillo Vianna). Gallo era um missionário rebelde que assumiu o árduo desafio de despertar a comunidade de pescadores do lago Arari para o fato deles serem remanescentes dos povos indígenas que, há mais de mil anos, criaram a célebre Cultura Marajoara. Não foi nada fácil motivar orgulho a cabocos que tinham vergonha de ser descendentes de índios e ainda ter que brigar contra a incompreensão do bispo diocesano e dos políticos locais. Mas, antes do padre dos pescadores pensar em salvar as almas dos paroquianos, talvez com "cacos de índio" cuidou ele de lhes recuperar a memória.

Enfim, me dei conta de que a modalidade mais revolucionária de museus comunitários chama-se Ecomuseu (ver Hugues de Verine) e, de fato, sem prestar atenção o caboco Vadiquinho ao presentear o padre que gostava de "coisas que não prestam - conforme Giovanni Gallo em "Motivos Ornamentais da Cerâmica Marajoara" - houve por bem com simples "cacos de índio" (fragmentos de cerâmica retirada de sítios arqueológicos arrombados) provocar por acaso a reinvenção de um tesouro perdido. Gallo, por sua vez, atirou no que viu e acertou no que não viu.

Quanto a mim me sobraram cacos de memória coletiva com que vou, malmente, alimentando espíritos vivos desta gente que o mundo esqueceu na antiga província afroluso-ameríndia descendente. Museu do Marajó em Cacheira do Arari. Blog de Ademir Heleno, em 29/05/2019 e 08/07/2023

segunda-feira, 29 de maio de 2023

Nonato Loureiro - Poesias, Crônicas e Textos - Poetas e Poesias

Nonato Loureiro - Poesias, Crônicas e Textos - Poetas e Poesias
Raimundo Nonato Paes Loureiro publicou no grupo ABAETETUBAR


Até agora a lista das melhores composições de autores abaetetubenses é a seguinte:
Até agora a lista das melhores composições de autores abaetetubenses é a seguinte:
1. - Oi, Sumano! (Nazaré Lobato).
2. - A Flor e a Rosa (Geba e Iacilda Freitas).
3. - Pobre João (Lial Bentes).
4. - Rua Solidão (Paes Loureiro).
5. - Coisas de Várzea (Adenaldo Cardoso).
6. - Refúgio da Paixão (Cabinho).
7. - Um caso a mais (Dagoberto Brilhante).
8. - Menina de Abaeté (Jaime Brasil).
9. - Cabelos ao Vento – (Ney Viola).
10. - Flor do Grão Pará (Chico Sena).
11. - A Cidade de Abaeté (Júlio Orlando).
12. - Fina Louça (Alfred Moraes).
13. - Vila do Conde (Paes Loureiro) - Sugeriu: Jaime Brasil.
14. - Lágrimas de um palhaço - (Nazaré Lobato) - Sugeriu: Iacilda Freitas.
15. - S.O.S. Amazônia - (Nonato Loureiro) - Sugeriu: Iacilda Freitas.
16. - Mater Puríssima - (Bruno de Meneses/Oscar Santos) - Sugeriu: Ademir Rocha.
17. - Sororocando no mato - (Garibaldi Parente) - Sugeriu: Giusepe Loureiro.
18. - Buzina do carregador – (Os Muiraquitãs) – Sugeriu: Cássio Dias.
19. - Poesia que resta – (Jaime Brasil) – Sugeriu: Ângela Caripuna.

A cada dia publicaremos a relação acrescida com novas sugestões de colegas das páginas dos grupos abaetetubenses.
Mais susgestões sobre músicas bonitas de abaetetubenses:
- Vila do Conde (Paes Loureiro) - Sugeriu: Jaime Brasil.
- Lágrimas de um palhaço - (Nazaré Lobato) - Sugeriu: Iacilda Freitas.
- S.O.S. Amazônia - (Nonato Loureiro) - Sugeriu: Iacilda Freitas.
- Mater Puríssima - (Bruno de Meneses/Oscar Santos) - Sugeriu: Ademir Rocha.
- Sororocando no mato - (Garibaldi Parente) - Sugeriu: Giusepe Loureiro. Insistentes apelos pedem para que eu publique a letra de “SOS AMAZÔNIA. Letra minha com arranjos musicais de Geba & Iacilda. A música foi defendida pela Iacilda em um concurso de uma das Semanas de Arte no qual Iacilda ganhou o prêmio de melhor intérprete.

Experiências do surf na pororoca serão contadas em livro
Festival acontece há 12 anos em Arari e reúne surfistas do mundo inteiro.
Cidade receberá investimentos de R$ 5 mi em infraestrutura.
A grande onda só aparece uma vez por dia. Em Tupi, a palavra poro'oka significa estrondo. E é o barulho do encontro das águas que avisa a proximidade da pororoca.
O fenômeno natural produzido pelo encontro das águas do mar com as correntes dos rios acontece foz do Rio Amazonas, nos afluentes no litoral do Pará e Amapá. No Maranhão, acontece com maior intensidade na foz do Rio Mearim, onda a onda é tão forte que derruba árvores e chega a mudar o leito de alguns rios.
Só que há 15 anos uma turma resolveu explorar a onda de uma forma diferente. Aqui no Estado o ponto de encontro dos surfistas é a cidade de Arari, distante pouco mais de 150 quilômetros da capital. Em 12 anos vários eventos foram realizados, com a participação, até mesmo, de surfistas estrangeiros. Toda essa história agora estará no livro Auêra-Auara.
“Ao longo desses anos houve uma grande transformação na cidade. Tanto na parte econômica, como na cultural, que influenciou as gerações mais novas. Os jovens agora querem se vestir como surfistas. Então tudo isso nós vamos abordar no livro”, contou Noélio Sobrinho, presidente da Associação Brasileira de Surf na Pororoca.
Este ano o festival de surf vai começar em 24 de junho, durante a lua cheia. E a novidade na pororoca será o stand-up paddle, que usa uma prancha maior que a normal e também um remo. Serão oito atletas, entre eles Leco Salazar, atual campeão brasileiro da modalidade. O único representante do Maranhão será Vinícius Gomes. “Quando fui convidado para surfar no campeonato, já comecei a treinar. Não vou competir de igual para igual, porque eles fazem isso muito. Mas já tenho uma certa experiência e vais ser muito bom”, disse o fisioterapeuta.
A pororoca do Maranhão possui um potencial tão grande que o governo federal viu aqui a possibilidade de incentivar o turismo na região. Para isso, R$ 5 mi serão investidos para melhorar a infraestrutura da cidade e dos locais onde há competições.

“Nós já possuímos em Arari hotéis cadastrados pelo Ministério do Turismo, pequenos restaurantes. O que falta é realmente é essa redução do custo, porque hoje se consegue sair do aeroporto e chegar para surfar em três horas”, explicou Ricardo Pororoca, um dos organizadores do evento.

Até agora a lista das melhores composições de autores abaetetubenses é a seguinte:
Oi, Sumano! (Nazaré Lobato).
Lágrimas de um palhaço - (Nazaré Lobato) - Sugeriu: Iacilda Freitas.
A Flor e a Rosa (Geba e Iacilda Freitas).
Pobre João (Lial Bentes).
Rua Solidão (Paes Loureiro).
Coisas de Várzea (Adenaldo Cardoso).
Refúgio da Paixão (Cabinho).
Um caso a mais (Dagoberto Brilhante).
Menina de Abaeté (Jaime Brasil).
Poesia que resta – (Jaime Brasil) – Sugeriu: Ângela Caripuna.
Cabelos ao Vento – (Ney Viola).
Flor do Grão Pará (Chico Sena).
A Cidade de Abaeté (Júlio Orlando).
Fina Louça (Alfred Moraes).
Vila do Conde (Paes Loureiro) - Sugeriu: Jaime Brasil.
S.O.S. Amazônia - (Nonato Loureiro) - Sugeriu: Iacilda Freitas.
Mater Puríssima - (Bruno de Meneses/Oscar Santos) - Sugeriu: Ademir Rocha.
Sororocando no mato - (Garibaldi Parente) - Sugeriu: Giusepe Loureiro.

Buzina do carregador – (Os Muiraquitãs) – Sugeriu: Cássio Dias.

8 2 18

CRÔNICAS DE CORDEL
Ora, direis, ouvir urubus

Nonato Loureiro
O carnaval, em anos passados, corria farto em Abaetetuba, ficando na lembrança de quem gosta do que é bom, quando ainda se enaltecia uma boa parte da cultura musical e artística da nossa gente. Os Blocos e Escolas de Sambas, com seus variados temas e enredos, sofriam na pele os efeitos sensoriais das emoções que sentiriam na avenida. As disputas normais entre as agremiações concorrentes faziam aumentar a cada dia o interesse do público para com a aproximação do dia do encontro inevitável, até que foram, praticamente, depostos por outras mentalidades. 
Lá na frente da cidade, as águas do Rio Maratauíra, ora calmas e refrescantes, ora encrespadas, agitadas pelos ventos que sopravam em várias direções, seguiam seu curso normal obedecendo ao horário estipulado para o seu encher e o seu vazar. 
Nas ruas de Abaetetuba o povo protestava contra alguma decisão do poder maior. Em frente aos vários hospitais e Postos de Saúde o desespero tomava conta das pessoas que não conseguiam socorro para um ente querido agonizante.
Nas praças, trombadinhas e pivetes faziam sua festa particular, roubando o que lhes era possível levar de um transeunte distraído que logo procura a polícia para registrar queixa, mesmo sabendo que pouca esperança terá de ter de volta o bem roubado. 
O relógio secular da igreja matriz marca, mesmo errada, a hora do tempo que não pára. Na Praça da Bandeira os brinquedos vazios do parque lembram a criança que não veio. No "Calçadão", na frente da cidade, antigos conterrâneos de Abaeté se encontram, com parceiros e sumanos, a esperar os barcos que não mais aportam ali. 
Ao lado, bem ao lado, o urubu. Essa imponente ave negra e elegante parece alheia a tudo isso, mas, talvez, não alheia aos olhares de quem passa e que a desnuda da cabeça aos pés. Estes, pousados sobre um para-peitos de madeira bruta, como bruto e inevitável é o crescente perigo da proliferação dessas aves de rapina devido ao lixo acumulado. Ouve tudo, mas nada nos fala, até porque, mesmo que quisesse, sabe que ninguém daria ouvidos aos seus apelos ou conselhos, pois, hoje se perdeu o senso até para se ouvir estrelas, imagine-se, ouvir urubus.

16/2/18

CRÔNICAS DE CORDEL

FEIJOADA COMPLETÍSSIMA

Nonato Loureiro
Finalmente havia chegado o dia do aniversário do pescador Pedro, na intimidade, Pedrinho, pessoa bem quista na sociedade local, admirado por sua facilidade de fazer amigos e, mesmo com uma ligeira gagueira quando falava muito rápido, era o que mais usava da palavra na roda de amigos. Seus olhos, talvez pelo muito tempo passado no mar, adquiriram deste o brilho e a cor azul-esverdeada que lhe davam o perfil de um homem muito sedutor, conforme afirmavam as mulheres que o conheciam.
Brincalhão, bom de farra e grande amigo, participava de uma turma bem humorada e sempre aprontando alguma peripécia uns com os outros. Pedro esteve na casa de Welffares no Círio e comera bastante do galo no tucupi, mas nem por isso se deixou abater com a brincadeira, que ele dizia de "bom gosto". Mas, como haviam prometido dar a forra ao Welffares, passados alguns meses, tempo suficiente para que todos esquecessem o galo de cabeça dura, Pedro resolveu festejar seu aniversário oferecendo aos convidados especiais uma feijoada com tudo que se tem direito de usar nessa iguaria brasileira.
Feijão preto, charque, bacon, toucinho defumado, frango, carne de gado, enfim, tudo. Dona Dora, convidada para preparar a peça principal da festa, não aceitou, porque sabia que coisa boa não iria sair dali.
Era já umas dez horas da manhã e a turma começava a chegar ao sítio de Pedro e ,de longe, já podiam sentir o cheiro da feijoada tomando conta de todo o espaço. A fome de cada um deles aumentou de sopetão, mas a educação os obrigava esperar que fosse dada a ordem de atacar. Cerveja “brincava de pira” nas mãos dos presentes, e os pequenos e gostosos pedaços de tira-gosto matavam um pouco a ansiedade de entrar fundo na panela de barro, onde o feijão fumegava sobre o fogo brando de um fogão à lenha.
Um dos amigos ainda brincou: "Pedro, olha lá o que tu tás aprontado!" Mas Pedro desconversava e dava a impressão de que não ouvia a chamada de atenção até para que os outros não percebessem que iria rolar uma tremenda sacanagem no recinto aberto daquele bonito sítio.
Aos poucos a mesa da festa começava a receber os periféricos da feijoada: arroz branco, farofa, laranja descascada em gomos, couve cortada em tiras e embebida no óleo de oliva, vinagrete, molho de pimenta malagueta e de cheiro, além de inteiros frangos assados, coxão de porco ao ponto, de modo que a fome voltou a marcar presença no setor.
Pedro, cheio de gestos para agradar a todos, convida um por um para iniciarem o almoço avisando que havia bastante feijoada e que todos se servissem à vontade. Nem bem parou de falar e diante da mesa já estava aquela fila enorme com cada um levando nas mãos o prato fundo e os talheres. Aos poucos a fila foi diminuindo até que todos, já servidos, voltaram aos seus lugares e passaram a saborear a causadora de tanta água na boca minutos atrás.
Alguma coisa não parecia estar bem entre os convidados, pois, quase todos, reclamavam de algo estranho que havia em seu prato e passaram a questionar o anfitrião aniversariante:
- Pedro, que carne foi colocada nesta feijoada? Não consigo cortar com os dentes e nem com a faca!
- Na minha - diz outro - tem uns negócios parece castanha-do-Pará que eu não consigo quebrar com os dentes!
- Na minha tem um pedaço duro de carne, também, e eu não consigo engolir. Já cortei em vários pedaços e não passou na minha goela!
- Calma pessoal - diz Pedro - vai ver que vocês tiraram algum pedaço que ainda não estava bastante cosido. Mas, carne mal cosida não faz mal a ninguém, já dizia o Dr. Novaes, aquele médico, nosso amigo de farra.
Todos concordaram e, bem ou mal, foram comendo o que podia ser engolido e o que não passava na garganta, discretamente, jogavam fora, sem que o anfitrião os visse estragando comida.
Terminada a comilança voltaram à faina da cerveja e... tomem goles. Aos poucos a conversa camba para a feijoada, assunto puxado pelo próprio Pedro que queria fechar com chave de ouro, a festa. 
- Amigos, que tal vocês acharam da nossa feijoada?
- Eu achei boa!
- Eu quebrei um dente quando tentei mastigar a castanha do Pará!
- Eu quase me engasguei com a carne mal cosida que não consegui cortar!
- A minha tava muito boa. Só que eu não tinha visto ainda era uma feijoada temperada com essa grande quantidade de fita isolante.
Foi aí que Pedro deu o golpe final: 
- Pessoal, nossa amizade vai além das brincadeiras. A feijoada que vocês comeram era mais que completa, era completíssima. Em se fazendo tudo nela tinha: meias já usadas e bastante velhas, sola de umas alpercatas antigas, pedras de piçarra levadas da rua direto pra panela, cuecas em desuso, capim da praça da bandeira, enfim, uma brincadeira que acabou dando um gosto especial ao feijão e vocês aprovaram a receita, tanto que seus pratos estão vazios e até parece lavados com a língua!...
Foi dizer isso e logo levado pra dentro de casa pelos filhos que o esconderam no quarto, enquanto os amigos esbravejavam lá fora da casa prometendo vingança.
No quarto, deitado na cama, Pedro ria da brincadeira ao mesmo tempo em que se sentia vingado por ter comido o galo no tucupi, razão dessa forra prometida e cumprida.

16/2/1 ANTONIA, MEU AMORAmor que nunca morreUm dia volta pra gente,E quando chega, renasce, Muito maior e mais quente.

Tudo parece irreal,Nem dá pra se acreditar,Nosso sorriso refleteO amor que temos pra dar.

No céu a lua que brilhaIlumina nossa estrada.As estrelas fazem filaPra olhar a minha amada.

No jardim, até as floresBrotaram mais radiosas,Melhoraram o seu perfume,Ficaram bem mais formosas.

Amar é um sentimentoQue juntos o dividimosAlivia a nossa almaQuando abraçados dormimos.

Ela é o bem da minha vida,A jóia que eu sempre quisPara enfeitar meu destinoE assim fazê-la feliz.Nonato Loureiro.

Antonia Maria Araújo Ferreira Ameiii!!! Obrigada amor.❤



26/2/18


CONTOS DE CORDEL
O ZUMBI 
Nonato Loureiro.

Sempre me achei uma pessoa cheia de vida, com saúde e paz na alma. Andava pelas ruas da cidade com a sensação de que desfrutava dos bons momentos que Abaetetuba tem para nos oferecer, entretanto, depois que o INSS inventou essa história de cadastramento anual para que, cada pensionista ou aposentado, faça a prova de vida, anualmente, fiquei na dúvida se ainda estou vivo ou se já morri. Digo isso porque fui a um Banco e, ao ser atendido por uma funcionária, esta me informou que eu deveria trazer uma pessoa documentada para provar que eu estava vivo. Foi nesse momento que cheguei à conclusão de que havia morrido e não sabia e que, agora, eu era um zumbi e nem percebia isso. Entretanto, lembrei-me que, no bar, quando sentava para tomar uma cervejinha, o garçom me atendia e conversava comigo, aí eu pensava: como é que ele me enxergava se eu já morri, mas, assim mesmo, eu tomava minha cerveja na certeza de que o garçom também já havia morrido. No Banco, eu tinha que provar estar vivo através de outra pessoa, então, relaxei e comecei a indagar comigo mesmo de como era a vida de uma pessoa que morreu e que andava por sua cidade e falava com todo mundo e todo mundo a cumprimentava e ninguém se dava conta de que era apenas um zumbi. Interessante era quando um credor passava perto de mim e me dizia: vida longa companheiro! Já, os meus devedores, parece que não me enxergavam nunca. Eu era, para estes, um zumbi real. Hoje pergunto a vocês: morri ou não morri? Eis a questão! Para o INSS, se algum parente ou amigo vivo não provar, fatalmente estou morto. E assim me senti, perdido em minha terra, perdido de minha gente, perdido no itinerário do regresso. Até que um anjo do Senhor anunciou que eu estava vivo graças à carteira de identidade que eu mostrei para um paciente e educado funcionário daquele mesmo Banco que me deu as provas de que meus dias de Zumbi haviam terminado. Ganhei os foros de pessoa viva. Deixei de ser um carismático Zumbi, mas, mesmo assim, continuo invisível para meus devedores e um alívio para meus credores, parentes e amigos.




Raimundo Nonato Paes Loureiro  

O JORNAL DE ABAETETUBA
MULHER ANTENADA
Mulher é aquela santa
Que nos protege na vida
Nós vigia, dia e noite,
De forma bem desprendida.
Sabe aonde nos encontra,
Até o que estamos fazendo,
Faz sempre cara de triste
Às vezes nos comovendo.
No celular desconversa
Como quem tudo se arrisca.
Olha as redes sociais
E, na busca, até nem pisca.
Quando encontra um caminho
Que parece traição
Copia, comenta, compartilha,
Já com o chicote na mão.
O marido inocente
Nem sabe que tá ferrado
Só pensa em chegar em casa
Com as compras do mercado.
Lá em casa a mulher,
No seu dia festejado,
Só espera anoitecer
Pra esperar o desgraçado.
Mas se lembra que assim
Pode não ganhar presente,
Põe um sorriso no rosto
É até se mostra contente.
Esse Dia da Mulher
Tem aí essa vantagem,
Em troca de um presente
Ela esquece da postagem.

CRÔNICAS DE CORDEL
RIQUEZAS DO NOSSO FOLCLORE
Nonato Loureiro
Abaetetuba sempre foi um lugar de pitorescos acontecimentos sócio-cultural-políticos, tanto que, nesse mister, não perdemos para nenhum outro município do Pará. Já tivemos um prefeito que inovou na própria indumentária, trajando-se de forma caricata dando origem à expressão: "traje André", o qual denotava um completo desalinho de padrão que o diferenciava na multidão. Sempre que alguém se trajava mal, dizia-se que ele estava usando um "traje André".
Um outro prefeito era chamado de prefeito "cerpinha" pelo bom gosto de sempre saborear a cerveja fabricada no Pará. Não obstante a isso, foi um dos melhores administradores que já passaram pela chefia do poder municipal deste município.
Tivemos o prefeito "bermuda", homem de elevada competência e de uma simplicidade e de um humor dos mais apurados, até hoje lembrado com saudades pelo amor que demonstrou ter por Abaetetuba. Era conhecido como prefeito "bermuda" por usar diariamente, inclusive despachando, bermudas do cotidiano, numa forma de homenagear o modo de trajar dos abaetetubenses e assim facilitar o acesso de pessoas trajados dessa maneira quando precisavam tratar assuntos no poder executivo.
Em tempos idos, tivemos os policiais civis, denominados de "mata-cachorros", já que a violência era tão pequena na cidade que a função deles era de atacar cachorros vadios, ou, ainda, prender as bolas de quem fosse encontrado batendo uma pelada nas ruas ou praças da cidade. Nessa época tínhamos uma tal de Pretoria, ou seja, uma repartição ligada ao poder judiciário que era o pesadelo dos jovens que desabrochavam para a vida adulta e que seriam obrigados a casar caso infelicitassem alguma mocinha no alvorecer de sua juventude. A Pretoria era o Sérgio Moro daquela época, ou seja, caiu ali, tinha punição certa. Era casamento na primeira instância.
Na Câmara de Vereadores tivemos alguns casos hilários que marcaram, de maneira eterna, o folclore local. Ali tivemos um vereador que propôs a construção de uma ferrovia que ligasse a cidade à região das 72 ilhas que formam o arquipélago onde residiam os iniciantes da civilização abaetetubense. O vereador, consciente dos poucos recursos que sempre nosso município dispôs, alertou aos senhores edis que, devido a essas dificuldades financeiras, minimizou os gastos da obra sugerindo a construção de uma estrada de ferro nem que fosse de madeira, fato que entrou definitivamente para o nosso folclore popular.
Outro fato singular. Num julgamento no qual o réu era acusado da morte de um embarcadiço, este, em sua defesa, disse que não portava a arma que causara a morte do desafeto e que, ao fugir deste, encontrou, boiando nas águas do rio, o terçado que usou para se defender. Seu advogado confirmou a versão do réu, aí então, o juiz indagou ao advogado de defesa:
- E terçado de ferro boia?
Ao qual o advogado respondeu:
- Boia, sim senhor!
Diante daquele argumento "incontestável", o réu foi libertado e o nosso folclore ficou mais rico.
CRÔNICAS DE CORDEL
O CAFÉ DO GIDONDA
Nonato Loureiro
Lá pelos idos de 1950, Abaetetuba contava com um conhecido espaço de lazer da juventude: era o Café do "Gidonda", também conhecido por "Tio Mano". Localizava-se aonde hoje se encontra uma das mais importantes sorveterias de Abaetetuba, ao lado do atual Colegio São Francisco.
Lá era o ponto de encontro dos adolescentes e demais rapazes que, a partir das 17 horas, reuniam-se para bater papo, jogar "porrinha", comentar resultados de futebol, enfim, uma parada para descançar do nada feito durante o dia.
Ali rolava de tudo e, ainda, contávamos com o bom humor do Tio Mano que, de quando em vez, contava um caso engraçado, triste ou mesmo, de visagem, para assustar algum incauto que tivesse medo de andar à noite pelas escuras ruas da cidade.
Reza a lenda que um dia chegou ali um senhor que foi provar do pastel do Gidonda, cuja fama atravessara fronteiars municipais. Era um pastel frito, na hora, pela esposa do Tio Mano, e não dava pra quem queria, era preciso que se encomendasse logo ao chegar para ter a primazia de saborea-lo. Pois bem, aquela senhor, já de uma certa idade, assentou-se e pediu um ki-suco de groselha e alguns pastéis para constatar se não seria propaganda enganosa.
O Tio Mano, sempre amável, tentou uma ligeira aproximação com o desconhecido e perguntou:
- Amigo, você não é daqui de Abaeté, não?
O desconhecido respondeu que estava chegando para morar aqui. Aí, o Tio Mano voltou à carga:
- O senhor é casado. Tem filhos?
Sacudindo a cabeça afirmativamente, disse:
- Tenho 12 filhos, sendo que o recém-nascido está deixando de mamar. Já tá no mingau!
Aquilo chamou a atenção do Tio Mano que quis ajudar o pobre homem. E, para mostrar sua alma caridosa, disse:
- Se o senhor não se prevenir, logo, logo, estará chegando mais um filho, hem?
Ao qual o desconhecido acrescentou:
- É verdade, mas não sei como evitar isso. Não quero me operar, nem operar a mulher.
Tio Mano então deu a receita para solucionar o problema:
- Olhe, vá na farmácia do Seu Contente e compre algumas Camisas de Vênus, que é um bom metódo para evitar filhos.
Depis de merendar e agradecer o conselho, o desconhecido levantou-se e se despediu, prometendo voltar para novo lanche, que ele revelou ter gostado muito.
Dias depois volta o dito senhor e solicita ki-suco de grosélha e alguns pastéis. O Tio Mano, agoniado por saber o resultado da medicação que ensinara, indagou:
- Que tal, amigo, você usou o remédio para evitar filho?
Meio encabulado, o desconhecido - já conhecido de todos - respondeu com uma certa desesperança:
- Não deu resultado não, porque não é um remédio fácil de ser tomado. Usei apenas três Camisas de Vênus das dez que eu comprei, porque achei muito difícil engolir. Cada vez que eu ia engolir, tinha que beber dois a três copos de água, senão ficava presa na minha guela. Achei melhor continuar do jeito que era, assim não corro o risco de morrer engasgado com aquelas Camisas de "prástico".
Nove meses depois, estávamos nós, lá no Tio Mano, festejando a chegada de mais um "berrento" para o lar daquele felizardo.


VALE Á PENA SER LEMBRADO: ANTÔNIO KEMIL DOS SANTOS

Antônio Kemil dos Santos, mais conhecido por Totó do Kemil, fez parte da minha história, mesmo que indiretamente, e foi, talvez, quem despertou em mim o gosto pela boa música.
Totó trabalhava, acredito que, como voluntário nos estúdios do veículo de comunicação sonora da igreja matriz denominado “A Voz da Matriz”, destinado a informar aos fiéis a programação diária, semanal ou mensal dos ofícios religiosos, tendo trabalhado uma vida inteira prestando esse serviço à população no horário de cinco da tarde às sete horas da noite.

Totó do Kemil viveu e conviveu com todas as congregações que se se permutaram nos vários períodos da história católica de Abaetetuba na primeira metade do século XX, congregações que foram tantas que nos dificultam serem nomeadas, mas temos a lembrança de que os frades capuchinhos foram os primeiros que eu conheci nos meus quase oito anos de vida. Destes lembro-me do frei Hermes, que entronizou a imagem do Cristo Crucificado na praça em frente à Matriz, do frei Arcádio, com quem iniciei minhas aulas de música, do frei José Maria de Manaus, que ganhou nome de Rua no Algodoal. Os padres Redentoristas tiveram pequena participação na direção dos católicos, e ainda os padres Xaveriamos, que até hoje se encontram na direção católica do município.

No estúdio Totó do Kemil primava pelo bom gosto musical e nos brindava com uma programação radiofônica impecável, na qual dividia muito bem as notícias religiosas das profanas, assim como, na execução de obras sacras e sucessos populares que davam à praça da Conceição um aspecto festivo e cultural. Foi através da “Voz da Matriz” que conheci as composições de Luiz Gonzaga, o Rei do Baião”, que até hoje fazem sucesso em todo o país. Carlos Galhardo, Noel Rosa, Emilinha Borba, Altamiro Carrilho, Waldir Azevedo, enfim, uma infinidade de talentos que marcaram a história musical brasileira ali eram executadas.

Totó do Kemil tinha uma impostação de voz que o evidenciava, tanto que as notícias, por ele lidas ou improvisadas, eram recheadas de belos adjetivos e de fácil entendimento, com a sensibilidade na medida certa.

Às seis horas da tarde o povo tinha a oportunidade de ouvir a “Prece do Ângelus” cuja narração vinha acompanhada da tradicional Ave Maria, peça clássica que tem o indescritível poder de emocionar a quem a ouve. O timbre de voz do Totó e o envolvimento da mensagem com a música de acompanhamento, ficaram marcados na memória de todos os que tiveram o privilégio de as escutar, à época.

Quando se aproximava o horário de início do programa “Voz da Matriz” a praça começava a ganhar público. Os pais levavam seus filhos menores para brincar e saborear essas iguarias que se vendem nas praças. Já os estudantes, de idade mais acentuadas, iam se reunir no “Café do Gidonda”, para prosear, contar as últimas novidades. Comparado aos dias de hoje o “Café do Gidonda” ou “do Tio Mano”, como também era conhecido, seria o FACEBOOK da rapaziada, para colocar o papo em dia.

Pois, bem, o Totó do Kemil foi o precursor da mídia de qualidade falada em Abaetetuba, a ponto de muitas vezes, por iniciativa própria, conseguir conectar o estúdio aos microfones da igreja e assim possibilitar a transmissão dos atos religiosos realizados no interior da Matriz.

Totó teve o privilégio de transmitir ainda, em cadeia radiofônica, eventos realizados fora do município, como: pronunciamento de Papas, missas celebradas nas capitais do país, inclusive, deu cobertura total ao Congresso Eucarístico Nacional, realizado em Belém, nos idos dos anos 50. Em 1955, transmitiu o discurso de Pio X quando este consagrou aquele ano como o Ano da Paz. Foi a evolução radiofônica conseguida graças aos esforços do Totó do Kemil.

Depois dele, ou mesmo conjuntamente com ele, começaram a surgir novos meios de comunicação, havendo uma proliferação desse tipo de mídia, sendo que muitos deles despareceram, outros resistiram ao tempo e ainda hoje mantém-se em atividades.

Lembranças bonitas que gostamos de dividi-las com nossos irmãos, como forma de homenagear quem muito se dedicou em proporcionar a todos nós momentos de inesquecíveis demonstrações de amor.


3 h 
UM BRINDE A TODOS
A vida tem seus mistérios
Cheios de muitos caminhos
Nos mostra vários critérios
Desde os tempos de menino.
A gente cresce, ganha o mundo,
Buscando felicidade
Vive sonhos bem profundos,
Alguns se tornam verdade.
A gente ama e desama.
Busca resposta pra tudo.
E no repouso da cama
Não consegue ficar mudo.
Fala com Deus e com santos,
Reza mil ave Marias,
Às vezes nos rolam prantos
De dor ou de alegrias.
Neste meu aniversário,
Que nesta data acontece,
O mais extraordinário
É o amor que em mim refloresce.
Filhos, amigos e netos,
Noras, genros, afilhados,
Irmãos distantes, ou pertos,
Todos são, por mim, amados.
Uma taça com cerveja,
Um bom vinho bem gelado,
Beberei, fazendo um brinde,
A quem acima foi citado.
Nonato Loureiro.
3 h 
UM BRINDE A TODOS
A vida tem seus mistérios
Cheios de muitos caminhos
Nos mostra vários critérios
Desde os tempos de menino.
A gente cresce, ganha o mundo,
Buscando felicidade
Vive sonhos bem profundos,
Alguns se tornam verdade.
A gente ama e desama.
Busca resposta pra tudo.
E no repouso da cama
Não consegue ficar mudo.
Fala com Deus e com santos,
Reza mil ave Marias,
Às vezes nos rolam prantos
De dor ou de alegrias.
Neste meu aniversário,
Que nesta data acontece,
O mais extraordinário
É o amor que em mim refloresce.
Filhos, amigos e netos,
Noras, genros, afilhados,
Irmãos distantes, ou pertos,
Todos são, por mim, amados.
Uma taça com cerveja,
Um bom vinho bem gelado,
Beberei, fazendo um brinde,
A quem acima foi citado.
Nonato Loureiro.
3 h 
UM BRINDE A TODOS
A vida tem seus mistérios
Cheios de muitos caminhos
Nos mostra vários critérios
Desde os tempos de menino.
A gente cresce, ganha o mundo,
Buscando felicidade
Vive sonhos bem profundos,
Alguns se tornam verdade.
A gente ama e desama.
Busca resposta pra tudo.
E no repouso da cama
Não consegue ficar mudo.
Fala com Deus e com santos,
Reza mil ave Marias,
Às vezes nos rolam prantos
De dor ou de alegrias.
Neste meu aniversário,
Que nesta data acontece,
O mais extraordinário
É o amor que em mim refloresce.
Filhos, amigos e netos,
Noras, genros, afilhados,
Irmãos distantes, ou pertos,
Todos são, por mim, amados.
Uma taça com cerveja,
Um bom vinho bem gelado,
Beberei, fazendo um brinde,
A quem acima foi citado.
Nonato Loureiro.
3 h 
UM BRINDE A TODOS
A vida tem seus mistérios
Cheios de muitos caminhos
Nos mostra vários critérios
Desde os tempos de menino.
A gente cresce, ganha o mundo,
Buscando felicidade
Vive sonhos bem profundos,
Alguns se tornam verdade.
A gente ama e desama.
Busca resposta pra tudo.
E no repouso da cama
Não consegue ficar mudo.
Fala com Deus e com santos,
Reza mil ave Marias,
Às vezes nos rolam prantos
De dor ou de alegrias.
Neste meu aniversário,
Que nesta data acontece,
O mais extraordinário
É o amor que em mim refloresce.
Filhos, amigos e netos,
Noras, genros, afilhados,
Irmãos distantes, ou pertos,
Todos são, por mim, amados.
Uma taça com cerveja,
Um bom vinho bem gelado,
Beberei, fazendo um brinde,
A quem acima foi citado.
Nonato Loureiro.
3 h 
UM BRINDE A TODOS
A vida tem seus mistérios
Cheios de muitos caminhos
Nos mostra vários critérios
Desde os tempos de menino.
A gente cresce, ganha o mundo,
Buscando felicidade
Vive sonhos bem profundos,
Alguns se tornam verdade.
A gente ama e desama.
Busca resposta pra tudo.
E no repouso da cama
Não consegue ficar mudo.
Fala com Deus e com santos,
Reza mil ave Marias,
Às vezes nos rolam prantos
De dor ou de alegrias.
Neste meu aniversário,
Que nesta data acontece,
O mais extraordinário
É o amor que em mim refloresce.
Filhos, amigos e netos,
Noras, genros, afilhados,
Irmãos distantes, ou pertos,
Todos são, por mim, amados.
Uma taça com cerveja,
Um bom vinho bem gelado,
Beberei, fazendo um brinde,
A quem acima foi citado.
Nonato Loureiro.
de 29/05/2023
UM BRINDE A TODOS
A vida tem seus mistérios
Cheios de muitos caminhos
Nos mostra vários critérios
Desde os tempos de menino.
A gente cresce, ganha o mundo,
Buscando felicidade
Vive sonhos bem profundos,
Alguns se tornam verdade.
A gente ama e desama.
Busca resposta pra tudo.
E no repouso da cama
Não consegue ficar mudo.
Fala com Deus e com santos,
Reza mil ave Marias,
Às vezes nos rolam prantos
De dor ou de alegrias.
Neste meu aniversário,
Que nesta data acontece,
O mais extraordinário
É o amor que em mim refloresce.
Filhos, amigos e netos,
Noras, genros, afilhados,
Irmãos distantes, ou pertos,
Todos são, por mim, amados.
Uma taça com cerveja,
Um bom vinho bem gelado,
Beberei, fazendo um brinde,
A quem acima foi citado.
Nonato Loureiro.


Blog do Ademir Rocha, em 11/09/2018