sábado, 8 de julho de 2023

José Varela Pereira - Textos e Fotos

29/05/2019 . José Marajó Varela: Esta é a música do grupo regional Raízes Caboclas, com um trecho do cancioneiro folclórico da região do interior do Amazonas,falando sobre a "serventia" e a simbologia do PANEIRO. Eu gosto dessa ideia! Paneiro é coisa comum Em todo barraco tem Não custa muito dinheiro Nem custa fazer também Mas quero levar comigo Pra sempre no coração A lição que o paneiro ensina Como é bela a união As talas que viram adubo Nas matas sem serventia Mas agora de mãos dadas Todas têm força e valia Mas quero levar comigo Pra sempre no coração A lição que o paneiro ensina Como é bela a união (Música do folclore amazonense, colhida em São Paulo de Olivença/AM, pelo grupo Raízes Caboclas) Os espaços e nomes: - Museu do Estado do Pará - Igreja de Santo Alexandre - Museu do Círio - Corveta Museu Solimões - Forte do Presépio - Memorial da Navegação (Mangal das Garças) - Memorial do Porto (Estação das Docas) - Museu de Gemas (Complexo São José Liberto) . Museu Amazônia . Museu Paraense Emílio Goeldi . Museu Histórico de Cametá . Ecomuseu da Amazônia . Trópico em Movimento . Núcleo de Meio Ambiente-NUMA/UFPA . Dalcídio Jurandir . Moacir Pereira . Carlos Augusto Ramos . Estuário Ramos . Abel Jader Lins . Tainá Marajoara . Raimundo Alves . Nazareno Alves . Serjao Belem Sergio Almerao Serjao . Sergio Nunes . Marli Braga Dias . Lino Ramos . Nívia Glaucia Pinto Pereira . Gracillius Santana . Quatipuru-Pará . Romaria fluvial de Nossa Senhora de Nazaré . José Marajó Varella . Núcleo de Meio Ambiente/NUMA/UFPA . Moacir Pereira . Carlos Augusto Ramos . Abel Lins . Antonio Carlos Madureira . Manoel Justino Junior . Goretti Tavares . Jetro Fagundes . Donato Cardoso . Claudio Cardoso . Charles Cardoso . Marilia Santos . Márcio Malato . Bruno de Menezes Cabe tudo no paneiro. Ideias, trabalhos, fragmentos, dicas, coisinhas... De cultura, arte, educação, literatura, patrimônio, design... Para transporte, armazenagem e trocas! Qual é a melhor farinha de mandioca do Pará? A farinha de Bragança é a mais famosa, porém Ipixuna vem se destacando e Curuçá não fica muito atrás.Todavia, toda farinha de boa qualidade precisa da embalagem tradicional em paneiros forrados com folhas de Arumã, conhecida em algunslugares como Bananeirinha-do-mato (nome científico Ischnosiphon ovatus). O consumo agroecológico de produtos nativos da agricultura familiar poderá dar séria contribuição ao ecoturismo de base na comunidade, pois ao se informar sobre a vida rural e colaborar na geração de renda e emprego nas comunidades, contribui ao enraizamento da cultura regional.o Arumã quase já não se acha nas comunidades do Pará,enquanto o plástico se alastra com todos problemas que causa ao meio ambiente. Helvetica Via José Marajó Varella Portal Vermelho Dia: 14/04/2009 às 19:18:32 José Varella: O índio da praça Brasil “Salve, ó terra e ricas florestas,/Fecundadas ao sol do equador!”/“Ó Pará, quanto orgulho ser filho,/De um colosso, tão belo e tão forte;/Juncaremos de flores teu trilho,/Do Brasil, sentinela do Norte.” .O hino do Estado do Pará, com letra de Arthur Porto
Deste modo, as crianças passando pela praça Brasil para ir à escola como o alter-ego Alfredo do “índio sutil” (no romance “Primeira Manhã”, de Dalcídio Jurandir) cantarão o hino parauara com outra história no coração e no pensamento: Hino do Estado do Pará Salve, ó terra de ricas florestas, Fecundadas ao sol do equador! Teu destino é viver entre festas, Do progresso, da paz e do amor! Salve, ó terra de ricas florestas, Fecundadas ao sol do equador! Ó Pará, quanto orgulho ser filho, De um colosso, tão belo e tão forte; Juncaremos de flores teu trilho, Do Brasil, sentinela do Norte. E a deixar de manter esse brilho, Preferimos, mil vezes, a morte! Ó Pará, quanto orgulho ser filho, De um colosso, tão belo e tão forte; Juncaremos de flores teu trilho, Do Brasil, sentinela do Norte. E a deixar de manter esse brilho, Preferimos, mil vezes, a morte! Salve, ó terra de rios gigantes, D’Amazônia, princesa louçã! Tudo em ti são encantos vibrantes, Desde a indústria à rudeza pagã, Salve, ó terra de rios gigantes, D’Amazônia, princesa louçã! Muitas águas rolaram e muita chuva caiu sobre o índio da Praça Brasil. Mas, já vai melhorando o tempo... A regularização fundiária em favor do Povão é um primeiro passo para tirar a gente da beira para o centro da História. O Museu do Marajó se expande depois de chuvas e trovoadas. A academia do peixe frito dá o grito do tipiti e os gados do rio: o tempo começa a circular. Mas, o pior cego é aquele que não quer ver o peso da cultura popular. José Marajó Varella Aqui na nossa comunidade de Taatateua é assim. Uma diversidade incontavel de riquezas naturais. Campos banhados por aguas de chuvas submersos no periodo invernoso e no verão toda a paisagem se transforma.
Matas siliares de igapos e uma floresta densa de siriúbas, e tinteiras mais os mangueiros na mesma região onde ocorrem os alagamentos de inverno.
Aves, peixes e até jacarés ainda temos por aqui.
José Varela Pereira
SETUR_PA com o grupo de amigos de Ecomuseus e Turismo na comunidade. O grupo doravante poderá reunir-se, quando necessário, nas dependências da antiga Paratur (foto abaixo), ficando José Varela Pereira responsável pela prévia solicitação do espaço. Autorização conforme compatibilidade de agenda do órgão estadual.
;No momento está prevista reunião na Orla da vila de Benfica (Benevides), rua Capitão Barata, 62; no próximo dia 01/12/2017, sexta-feira, a ter início às 09:00 até 12:00, incluindo passeio guiado pela vila. Na reunião haverá breve exposição por José Varela sobre projeto do Ecomuseu dos Sapararé (nome provisório) e palestra da coordenadora do Ecomuseu da Amazônia professora Maria Terezinha Resende Martins? (a ser confirmada). É aguardada participação do Secretário Municipal de Turismo de Ponta de Pedras Marcio Malato e interessados na organização de ecomuseu no referido município turístico, do Polo Marajó.> Dentre os resultados da reunião prevê-se consenso para reunião em Belém a fim de abordar projeto para o Ecomuseu de Ponta de Pedras. >Pedro Pedro Manumoa Moacir PereiraMoraes Filho Edgar Mendes Rodolfo Moraes Pereira Nívia Glaucia Pinto Pereira Conceição SilvaAllyson Neri Imagen: Praça Magalhães Barata, localizada na zona portuária de Belém, em ... images.google.com.br Nomes e tribos indígenas: . Índios Borari, em Alter do Chãso (Santarém-Tapajós Considerada a mais antiga manifestação cultural sincrética da Amazônia colonial portuguesa, a festa do Çairé fundiu elementos indígenas à catequese católica na região em fins do século XVII. Era apenas uma procissão terminada com ladaínha, que se conduzia o Çairé, um símbolo em semicírculo feito de cipó torcido, revestido de algodão e enfeitado com fitas coloridas e flores da região. Ao final do percurso, eram realizados uma reza e um jantar festivo. Com o passar do tempo, o Çairé teve algumas mudanças, novos rituais e elementos simbólicos concentrando-se na atualidade na antiga aldeia de índios Borari, em Alter do Chão (Santarém / Tapajós). Imagem: Noticia - Agência Pará de Notícias Encontrada no Google em agenciapara.com.br<-images.google.com.br Segunda-feira, 7 de agosto de 2017 Empoderando a Criaturada de Dalcídio na Amazônia Atlântica. "Imagem relacionada" Onda da Pororoca Cidadão do mundo segundo Dalcídio Jurandir, o caboco marajoara é, naturalmente, doutor honoris causa em assuntos de meio ambiente e cultura tradicional na universidade da maré. Com antecedência ele sabe a altura da maior maré do ano observando ovos do caramujo da varja no tronco das árvores; conhece paragens onde as canoas restam seguras da fúria da Pororoca, na foz do rio Amazonas, ilha Caviana: quando a Terra e a Lua se alinham ao Sol e ocorrem as marés de sizígia. Nas águas de março, o rio Amazonas atinge seu volume máximo e o Atlântico recua diante do gigantesco rio, porém mostra sua majestade e o traz de volta ao seio do prodigioso golfão. Então os dois titãs - o grande Rio e o Mar profundo - se entestam até que as vagas adentram a terra com fragor e sobem depressa pelas ilhargas das ilhas de fora no maior arquipélago fluviomarinho do planeta.
Nomes: . Denise Schaan, com pesquisas e livros sobre os indígenas: . Índios Aruak . Indios Palikur . Índios Nuaruaques . Íjndios Karibes . Índios Tupis A partir dos fins do século XX, com ênfase no ecoturismo de base na comunidade do Salgado paraense; chamamos Amazônia Atlântica à faixa marítima oriental da América do Sul, que vai do Litoral Ocidental Maranhense e do Gurupi, no estado do Maranhão; rumo norte até topar o Delta do Orinoco, na Venezuela. Aí fica o Litoral Norte brasileiro formado por sedimentos recentes, com predomínio de restingas, lagoas e mangues reunindo a Costa do Pará e Amapá diferenciada do conjunto pela influência da foz do Amazonas, mediante canais, lagos, manguezais e ilhas, notadamente a grande ilha do Marajó, berço da primeira cultura complexa da Amazônia (ver Cultura Marajoara, de Denise Schaan).
Nossa Amazônia Atlântica tem 2.683 quilômetros de extensão, com pelo menos 530.000 km² de área geográfica e uma considerável população "crioula" predominante; somada a parte brasileira de 1.360 km de extensão (mais ou menos duzentos quilômetros de litoral amazônico maranhense, deduzido dos 640 km deste estado da região Nordeste; mais 562 km do Pará e 598 km de costa marítima do Amapá), mais a parte amazônica além Oiapoque com os seus 1.323 quilômetros (378 km da Guiana francesa, mais 386 do Suriname, 459 da Guiana e cerca de duzentos quilômetros da Guiana venezuelana, à parte do total de 2.800 km de litoral da Venezuela). Na Amazônia Atlântica predominam densos manguezais, praias, rias, ilhas e estuários que são berçários de peixes e aves aquáticas. No passado distante, milhares de aldeias em constante mobilidade como na "dança do peixe" (pirapuracéia), se entranhavam nas terras baixas através de fios da água doce pelos mangues, igarapés, campinas inundáveis e matas encharcadas: a roça de mandioca e o porto de canoa sempre próximos da moradia... Vasto espaço de mar e terras banhadas pela Corrente Marítima das Guianas, entre as ilhas do Marajó e a ilha de Trinidad (Trinidad e Tobago), no século XVI foi chamado Guiana (vocábulo Aruak, no sentido de "terra de muitas águas", de uêne, água).
Era, sobretudo, a Paricuria (terra dos Palikur) habitada ancestralmente por diversas etnias aruaques em rixa eterna com o inimigo hereditário Galibi e constituiu em tempos coloniais a grande área cultural guianense (cf. Guyane française, de Ciro Flamarion Cardoso), o Calha Norte, Marajó e Amapá faziam parte das Guianas com o nome de Guiana portuguesa, depois brasileira. Houve também a Guiana castelhana que veio a ser incorporada pela Venezuela independente. A antropologia e a história social sul-americana nos ensinam que as ilhas do mar do Caribe foram povoadas a partir da Terra Firme, em tempos pré-colombianos remotos. Através do Rio Negro e do Canal de Cassiquiare os primeiros Aruak atravessaram a remos e vela de jupati a "ponte" marítima entre o Delta do Orinoco e a ilha de Trinidad (Ieri, "terra do colibri", beija-flor) ocupando o Caribe onde foram seguidos pelos Kalina (caribes) e estabeleceram guerra entre si. Causa de migrações de retorno ao continente e povoamento de largas circunferências do Circum Caribe até o Acre e o Pantanal. Nas ilhas do mar, resultado da guerra antropofágica entre aruaques e caribes, surgiram grupos mistos filhos de guerreiros kalina praticantes do ritual da antropofagia e mães aruaque conquistadas como troféu de guerra. O guerreiro aruaque era invejado pela valentia e suas mulheres cobiçadas pelo conhecimento secreto do veneno para dardos e flechas além da manipulação da mandioca venenosa para fazer cassabe, origem dos Nuaruaques falando as línguas materna e paterna praticando usos e costumes tanto aruaques como caribes: base primitiva da grande mestiçagem que se alastrou a mocambos com escravos refugiados e brancos desertores da crioulidade e da amazonidade, mais precisamente.< ="Imagem relacionada"/2017/01/FOTO-REFERENCIAL1.jpg" Comunidade indígena Warao, Delta do Orinoco, Venezuela. NOMES E TRIBOS INDÍGENAS: . Índios Tupis . Índios Timbiras . Índios Nuaruaques GOLFÃO MARAJOARA: 5000 ANOS DE PESCA.
Na vasta faixa costeira, o golfão marajoara (cf. Aziz Nacib Ab'Saber) contendo o arquipélago do Marajó, com mais de duas mil ilhas grandes e pequenas, fluviais e marítimas; recebe do rio Amazonas cerca de 20% da água doce superficial do planeta indo, uma centena de quilômetros mar adentro, misturar-se à piscosa corrente das Guianas: aí ao fluxo e refluxo da maré oceânica forma-se um singular bioma de água salobra, campos inundáveis e matas de várzeas de maré. Projeto, desde 2003, da Reserva da Biosfera Marajó-Amazônia mediante candidatura, demandada pela comunidade marajoara, ao programa O Homem e a Biosfera (MaB), da UNESCO. Região planetária, que o Brasil e o mundo mal e porcamente conhecem; e que apesar de seus ignorantes senhores clama por sítio da convenção de Ramsar sobre a conservação de zonas úmidas da Terra.

Quem melhor poderia estudar, desenvolver sustentavelmente e bem conservar tais ecossistemas que as populações tradicionais da região? Na mesorregião Marajó, 600 mil habitantes, aproximadamente, se distribuem por mais de 500 comunidades locais ("aldeias" ou povoados), perfazendo 16 municípios nas microrregiões Arari, Breves e Portel; numa área territorial de 104 mil quilômetros quadrados (maior que os estados do Rio de Janeiro, Alagoas ou Sergipe; ou maior que países do tamanho de Portugal ou Holanda, por exemplo). Todavia, o colonialismo lesou e retarda ainda as regiões amazônicas, periferia da Periferia.
O colonialismo europeu na Amazônia deu os primeiros passos com mercadores holandeses, em fins do século XVI, a praticar escambo com índios aruaques da região. Logo corsários franceses e índios tupinambás no Maranhão formaram aliança: os primeiros para desfrutar dos conhecimentos tradicionais na conquista do Grão-Pará (Pará-Uaçu, "grande mar", em tupi) e os últimos na ambição em dispor de navios à vela e armas de fogo a fim de prosseguir a guerra contra os inimigos Tapuias, em especial o "malvado" Marajó (marãyu), falante da "língua ruim" (nheengaíba). O índio nheengaíba (Nuaruaque), provavelmente, tendo seu berço no Oiapoque invadiu as ilhas do delta-estuário do Amazonas cerca de 1300, no mesmo passo chegaria ao Baixo Tocantins e pela costa marinha poderia ter chegado até talvez o delta do Parnaíba, em confrontos esporádicos com os Timbiras e posteriormente com o conquistador Tupinambá, que empurrou os Timbiras para o sertão e os nuaruaques para as ilhas do Marajó.

As baías do Guajará e Marajó não apenas serviram de costa-fronteira do Pará, segundo a "linha" de Tordesilhas (1494) como foram, de fato, front de guerra entre Nheengaíbas e Tupinambás. Estes índios tomaram partidos diferentes no decorrer da invenção da Amazônia: aruaques ao lado de holandeses, britânicos e eventualmente franceses da Guiana. Do lado meridional do Pará, os tupis no começo com os franceses do Maranhão e finalmente com os portugueses até os confins do Rio Negro e Alto Amazonas.

Com exceção dos antropólogos, os estudiosos brasileiros poucas vezes indagaram dos motivos para a nação Tupinambá estar presente em todas as regiões do Brasil na época da conquista (Sul, Sudeste, Centro-Oeste, Nordeste e Norte), nenhuma outra "tribo" brasílica foi tão andeja e constante ao lado do conquistador português brutal e sanguinário. Ora, sabemos que a religião tupinambá é a vingança (cf. Florestan Fernandes) e, no entanto, após um genocídio feroz levado a efeito contra os tupinambás por Bento Maciel Parente e Pedro Teixeira contra os tupinambás do Maranhão e Pará, em 1619, apenas quatro anos passados os tupinambás de Cametá estão prontos e animosos para ir à guerra, em 1623, contra os Hereges (protestantes holandeses) que lhes não tinham jamais ofendido. Na verdade (e poucos ainda hoje compreenderam) o ódio maior do tupinambás recaia sobre o malvado Nheengaíba amigo dos holandeses, que lhes embargavam o passo com a mortalíssima emboscada e a zarabatana com dardos envenenados de curare. A massagada nheengaíba era uma pedra no caminho da sonhada yvy marãey (terra sem mal), apontada pela rota do sol para o Araquiçaua (lugar onde o sol ata rede, poente). Pelo mito supremo, o pajé-açu e o guerreiro tupinambá sufocavam o ódio ao Peró (português, papagaio) toda vez que este recorria a arcos e remos para subir o grande rio.

Resulta que o antigo Grão-Pará era Tapuya tetama (terra Tapuia), nheengaíba do Oiapoque até o Marajó, e o Salgado através do Caminho do Maranhão ficou sendo pátria Tupinambá: ambos territórios ancestrais concentram populações tradicionais de pesca artesanal e mariscadoras de manguezais, que junto às mais regiões amazônicas constitui a terra inalienável da Criaturada grande de Dalcídio.
No Pará reservas extrativistas marinhas fazem o mangue crescer. Por causa desta gente, eu fiquei fanático de museus comunitários depois de descobrir o sui generis MUSEU DO MARAJÓ inventado em 1972 por Giovanni Gallo, "o marajoara que veio de longe" (palavras de Camillo Vianna). Gallo era um missionário rebelde que assumiu o árduo desafio de despertar a comunidade de pescadores do lago Arari para o fato deles serem remanescentes dos povos indígenas que, há mais de mil anos, criaram a célebre Cultura Marajoara. Não foi nada fácil motivar orgulho a cabocos que tinham vergonha de ser descendentes de índios e ainda ter que brigar contra a incompreensão do bispo diocesano e dos políticos locais. Mas, antes do padre dos pescadores pensar em salvar as almas dos paroquianos, talvez com "cacos de índio" cuidou ele de lhes recuperar a memória.

Enfim, me dei conta de que a modalidade mais revolucionária de museus comunitários chama-se Ecomuseu (ver Hugues de Verine) e, de fato, sem prestar atenção o caboco Vadiquinho ao presentear o padre que gostava de "coisas que não prestam - conforme Giovanni Gallo em "Motivos Ornamentais da Cerâmica Marajoara" - houve por bem com simples "cacos de índio" (fragmentos de cerâmica retirada de sítios arqueológicos arrombados) provocar por acaso a reinvenção de um tesouro perdido. Gallo, por sua vez, atirou no que viu e acertou no que não viu.

Quanto a mim me sobraram cacos de memória coletiva com que vou, malmente, alimentando espíritos vivos desta gente que o mundo esqueceu na antiga província afroluso-ameríndia descendente. Museu do Marajó em Cacheira do Arari. Blog de Ademir Heleno, em 29/05/2019 e 08/07/2023

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