segunda-feira, 12 de fevereiro de 2024
Postado por BLOG DO ADEMIR ROCHA às 19:05 de 12/02/2024:
IGARAPÉ-MIRI/PA
HISTÓRIA E ASPECTOS HISTÓRICOS E CULTURAIS E NOMES.
Segundo as informações contidas nos "Folhetos" do Tenente-Coronel AGOSTINHO
MONTEIRO GONÇALVES DE OLIVEIRA,intitulados "Chronica de Igarapé-Miry", as
origens do município antecedem ao reinado de D. João V, no início do século
XVIII. Já nessa época, no lugar conhecido como Igarapé-Miri, às margens do
igarapé de mesmo nome, existia uma fábrica nacional para aparelhamento e
extração de madeiras de construção, que eram comercializadas em Belém. De todas
as fábricas do ramo no Pará, aquela era a mais proveitosa, considerando estar
situada em terrenos planos, sólidos e férteis, margeada, em sua maior parte,
pelo igarapé Cataiandeua, pelo qual desciam facilmente as madeiras ali lavradas.
Em 10 de outubro de 1710, JOÃO DE MELO GUSMÃO conseguiu do Governador, o
Capitão-General CRISTOVÃO DA COSTA FREIRE, a cessão de uma sesmaria, contendo
duas léguas de terra no Igarapé-Miri, muito embora não tenha fixado residência
no local. Esse ato do governo, em favor de quem não residia sequer nos terrenos
cedidos, causou grande descontentamento entre os posseiros, agricultores e
comerciantes ali estabelecidos, que exigiram elevadas indenizações pelas
benfeitorias por eles efetuadas no lugar. Por esse motivo, GUSMÃO foi obrigado a
vender-lhes a maior parte dos terrenos, cabendo ao agricultor e comerciante
português JORGE VALÉRIO MONTEIRO, comprar a parte onde estava situada a referida
fábrica. A fertilidade do solo do então "Povoado de Igarapé-Miri", a riqueza de
seus habitantes e o brilhantismo das festas religiosas atraíram muitos
estrangeiros que acabaram por se estabelecer naquelas terras. Pouco tempo
depois, JORGE MONTEIRO casou-se com ANA GONÇALVES DE OLIVEIRA, filha do próspero
agricultor ANTONIO GONÇALVES DE OLIVEIRA. A excelente compra que fizera e o bom
casamento realizado deu-lhe rápida prosperidade. Foi DONA ANA quem trouxe de
Portugal a devoção a Sant'Ana; daí é que Monteiro mandou construir, em 1714, uma
bela capela sob a devoção/invocação da Santa, na qual eram realizados grandes
festejos anuais. O português JORGE MONTEIRO enriqueceu tanto que, em 1730,
resolveu voltar para a Europa, vendendo suas propriedades para o agricultor JOÃO
PAULO SARGES DE BARROS. Sarges de Barros também prosperou com a fábrica do
povoado de Igarapé-Miri. Além disso, continuou com a tradição da Festa de
Santana, tornando-a, porém, mais pomposa. Reconstruiu a capela, ampliando-a e
preparou a área a sua volta para as barraquinhas dos festejos. Por ocasião da
visita do bispo D. FREI MIGUEL DE BULHÕES, a capela de Santana recebeu o
predicamento de paróquia, No dia 29 de dezembro de 1754. Um dos filhos de JOÃO
PAULO DE SARGES BARROS, ordenou-se padre, e foi o primeiro vigário da paróquia
de Igarapé-Miri, ali permanecendo até seu falecimento, em 1777. Coube a
SEBASTIÃO FREIRE DA FONSECA, apelidado de Carambola e natural de Mazagão da
África, e proprietário de uma fazendola no povoado de Igarapé-Miri, o feito de
escavar um canal de navegação para substituir o antigo "Furo Velho", que estava
abandonado e obstruído. As obras tiveram início em 1821, sendo concluídas, de
forma incompleta, em novembro de 1823, em virtude de um desastre que lá
aconteceu. Apesar disso, o novo canal constituiu-se numa obra capital para o
desenvolvimento da região, uma vez que a navegação tornou-se franca. A então
Freguesia de Santana do Igarapé-Miri sofreu com os rigores da "Guerra da
Cabanagem", em 1835, tendo oferecido resistência aos invasores na figura do juiz
de paz, JOSÉ ANTONIO PEREIRA DE CASTRO. Na mesma época em que invadiram Belém,
em agosto, os Cabanos, chefiados por MANOEL DOMINGOS, ALEXANDRE CARLOS, MANOEL
DE SOUZA e JOÃO DE SOUZA - cercaram a freguesia de Igarapé-Miri, exigindo-lhe a
rendição. Como houve resistência em se entregar, os combates começaram. Com a
vitória dos revoltosos, os cabanos invadiram a Freguesia e deram início a atos
violentos, através de fuzilamentos, na Praça da Matriz, e assassinatos com armas
brancas. Em 1836, com a chegada das forças legais, os cabanos começaram a
serderrotados nas vilas e lugarejos onde tinham se estabelecido. Assim, a
freguesiade Igarapé-Miri voltou à legalidade, através da ação do tenente João
Lima de Castro Gama, auxiliado por José Alves, José Gonçalves Chaves e Ambrósio
José da Trindade. Em 1843, a Lei nº 113, de 16 de outubro, concedeu à freguesia
de Igarapé-Miri a categoria de Vila, instituindo, ao mesmo tempo, o respectivo
Município. No ano seguinte, o Decreto Legislativo nº 118, de 11 de setembro,
anexou à vila de Igarapé-Miri as freguesias de Abaeté e Cairari. A instalação do
Município ocorreu, efetivamente, dois anos após a sua criação. VITÓRIO PROCÓPIO
SERRÃO DO ESPÍRITO SANTO foi o primeiro presidente da Câmara Municipal,
instalada, conjuntamente com o Município, em 26 de julho de 1845. Em 1877,
através da Lei nº 885, de 16 de abril, a Freguesia de Abaeté foi desmembrada do
município de Igarapé-Miri e passou a integrar o patrimônio jurisdicional de
Belém, até o ano de 1880, quando foi elevada à categoria de Vila. Com o advento
da República, o Governo Provisório do Pará extinguiu As Câmaras Municipais, a 19
de fevereiro de 1890 pelo Decreto nº 60, criando em seu lugar, o Conselho de
Intendência, através do Decreto nº 61, de 20 de fevereiro do mesmo ano, nomeando
FRANCISCO ANTONIO LOBATO FRADE para presidente. Em 1896, a vila de Igarapé-Miri
ganhou os foros de cidade, mediante a Lei nº 438, de 23 de maio de 1896. Após a
vitória da Revolução de 1930, o Decreto nº 6, de 04 de novembro daquele ano,
extinguiu o município de Igarapé-Miri, anexando-o ao território de Abaetetuba.
Todavia, quase (que) simultaneamente, pelo Decreto Estadual nº 78, de 27 de
dezembro seguinte, voltou a ganhar a sua autonomia municipal. Atualmente, o
Município está constituído pelos distritos de Igarapé-Miri (sede) e Maiauatá,
distrito. CULTURA Um extenso calendário de festividades movimenta a população do
município de Igarapé-Miri/PA durante todo o ano. A principal manifestação
religiosa é a festa em homenagem à padroeira, Nossa Senhora de Santana, que teve
início NO ano de 1714, quando foi erguida a primeira igreja da santa. AS
comemorações acontecem no período de 16 a 26 de julho, e inicia com o Círio
terrestre, No qual, pela manhã, a imagem da Santa sai da Igreja Matriz,
localizada na sede municipal, e segue em procissão rodoviária pelas principais
ruas de Igarapé-Miri, até chegar à centenária igreja da Vila de Maiuatá,
distante 17 km da cidade, de onde sairá a procissão fluvial. O Círio Fluvial
acontece no último dia da festa, à tarde, percorrendo os rios Meruú e Miri, e
retornando à Igreja Matriz. As festividades são acompanhadas de arraial e
leilões de animais e artigos diversos oferecidos pela comunidade. Destaca-se,
ainda, a Festa de São Sebastião, com festejos que começam desde o dia 09 de
janeiro, com a "ramada", isto é, o embandeiramento da casa de festejo, embora a
festa seja realizada somente no dia 20 de janeiro, o mastro. A festas de Santo
Antônio dos Inocentes e de Santa Maria da Boa Esperança, realizadas nos meses de
junho e agosto, respectivamente, completam o calendário de eventos religiosos do
município. Entre as manifestações culturais de Igarapé-Miri, há o originalíssimo
"auto junino", cultivado apenas no município, representado pelo grupo "Cordão do
Camarão". Os bois-bumbás "Estrela D'alva" e "Flor de Ouro", e o "Pássaro Galo"
completam o quadro das manifestações populares no Município. Por ocasião das
festas juninas, as escolas e os grupos locais organizam quadrilhas. A produção
artesanal é variada. Do barro, são confeccionados alguidares e vasos; da tala
das palmeiras os artesãos produzem peneiras, paneiros, tipitis, chapéus e
matapis; do ouriço da castanha e da casca de sapucaia, são fabricados vasos; da
casca do côco, são confeccionados cinzeiros e bonecas, entre outros. O
patrimônio histórico de Igarapé-Miri é formado pela igreja de Nossa Senhora
Santana, pela Casa da Cultura e pela capela do Bom Jesus. Os equipamentos
culturais de que a cidade dispõe são uma Biblioteca Municipal e a Casa da
Cultura.
ASPECTOS FÍSICO-TERRITORIAIS: O município de Igarapé-Miri/PA:
Pertence à Mesorregião Nordeste Paraense e à Microrregião Cametá. A sede
municipal tem as seguintes coordenadas geográficas: 010 58' 33" de latitude Sul
e 48o 57' 39" de longitude a Oeste de Greenwich. LIMITES Ao Norte - Município de
Abaetetuba/PA. A Leste - Município de Mojú/PA. Ao Sul - Municípios de Cametá/PA
e Mojú/PA. A Oeste - Municípios de Cametá/PA e Limoeiro do Ajuru/PA SOLOS Os
solos do Município são formados, em grande expressividade, pelos seguintes
tipos: Latossolo amarelo, distrófico, textura média e argilosa, Podzol
Hidromórfico e Concrecionários Lateríticos indiscriminados distróficos, textura
indiscriminada. Nas várzeas, aparecem pequenas manchas de Gleys pouco úmido
distróficos e eutróficos e Aluviais eutróficos e distróficos. VEGETAÇÃO Pouco
resta da cobertura florestal primitiva, que pertence ao subtipo Floresta Densa
de terra firme, e que recobria, indiscriminadamente, a maior parte do Município.
Hoje, em seu lugar, existe a Floresta Secundária, intercalada com cultivos
agrícolas. Já as áreas de várzea, apresentam sua vegetação característica de
espécies hidrófilas (que gostam de água), latifoliadas (de folhas largas),
intercaladas com palmeiras, dentre as quais se destaca o açaizeiro de grande
importância na alimentação e venda pela população local. PATRIMÔNIO NATURAL A
alteração da cobertura vegetal, observada nas imagens LANDSAT-TM, do ano de
1986, foi de 44,75%. Como acidentes geográficos que necessitam de preservação,
destacam-se os rios Igarapé-Miri e Maiauatá, além de algumas ilhas, como da
Serraria, Cueca e Cuequinha. TOPOGRAFIA O Município apresenta cotas topográficas
pouco elevadas, tendo como referência a sede municipal, que atinge 20 metros de
altitude. Porém, ao sul do Município, essas altitudes são mais elevadas,
alcançando até o dobro da cota medida na cidade. GEOLOGIA E RELEVO O Município
apresenta sua geologia formada por sedimentos do Terciário (Formação Barreiras),
na porção continental, e sedimentos do Quaternário Antigo e Recente, nas áreas
de várzeas e ilhas fluviais. Sendo assim, o relevo apresenta grande
simplicidade, representado por formas típicas de tabuleiros (baixos platôs),
terraços e várzeas, que fazem parte da unidade morfoestrutural do Planalto
Rebaixado da Amazônia (Baixo Amazonas). HIDROGRAFIA O principal rio de
Igarapé-Miri é o Meruú, coletor de quase toda a bacia hidrográfica do Município.
Seus principais afluentes pela margem direita são o rio Igarapé-Miri, em cuja
margem está localizada a sede municipal, e o rio Itanimbuca, que limita o
Município, a nordeste, com Abaetetuba/PA. Pela margem esquerda, o principal rio
é o Cagi, limite natural a sudoeste, com o município de Cametá/PA, desde as
nascentes até seu curso médio. O rio Maiauatá, que banha a Vila do mesmo nome,
serve de ligação entre o rio Meruú e a foz do rio Tocantins. O Município possui
ilhas fluviais, banhadas pelas águas do estuário do Tocantins, entrecortadas por
uma série de cursos d'água conhecidos como furos e igarapés. CLIMA O clima do
Município corresponde ao megatérmico, tipo Am da classificação de Köppen,
apresentando temperaturas elevadas, com média anual de 27º C, e pequena
amplitude térmica. A umidade relativa apresenta valores acima de 80%. A
precipitação pluviométrica anual apresenta-se acima de 2.000 mm, com chuvas
abundantes de janeiro a junho, com maior disponibilidade de água nos três
primeiros meses do ano (balanço hídrico) e carência, nos meses de setembro e
outubro. Fonte: SEPOF-PA Portal Amazônia 06/02/2007 - KR Segundo as informações
contidas nos "folhetos" do Tenente-Coronel AGOSTINHO MONTEIRO GONÇALVES DE
OLIVEIRA, intitulados "Chronica de Igarapé-Miry", as origens do município
antecedem ao reinado de D. João V, no início do século XVIII. Já nessa época, no
lugar conhecido como Igarapé-Miri, às margens do igarapé de mesmo nome, existia
uma fábrica nacional para aparelhamento e extração de madeiras de construção,
que eram comercializadas em Belém. De todas as fábricas do ramo no Pará, aquela
era a mais proveitosa, considerando estar situada em terrenos planos, sólidos e
férteis, margeada, em sua maior parte, pelo igarapé Cataiandeua, pelo qual
desciam facilmente as madeiras ali lavradas. Em 10 de outubro de 1710,JOÃO DE
MELO GUSMÃO conseguiu do Governador, o Capitão-General CRISTOVÃO DA COSTA
FREIRE, a cessão de uma sesmaria, contendo duas léguas de terra no Igarapé-Miri,
muito embora não tenha fixado residência no local. Esse ato do governo, em favor
de quem não residia sequer nos terrenos cedidos, causou grande descontentamento
entre os posseiros, agricultores e comerciantes ali estabelecidos, que exigiram
elevadas indenizações pelas benfeitorias por eles efetuadas no lugar. Por esse
motivo, GUSMÃO foi obrigado a vender-lhes a maior parte dos terrenos, cabendo ao
agricultor e comerciante português JORGE VALÉRIO MONTEIRO, comprar a parte onde
estava situada a referida fábrica. A fertilidade do solo do então "Povoado de
Igarapé-Miri", a riqueza de seus habitantes e o brilhantismo das festas
religiosas atraíram muitos estrangeiros que acabaram por se estabelecer naquelas
terras. Pouco tempo depois,JORGE MONTEIRO casou-se com ANA GONÇALVES DE
OLIVEIRA, filha do próspero agricultor ANTONIO GONÇALVES DE OLIVEIRA. A
excelente compra que fizera e o bom casamento realizado deu-lhe rápida
prosperidade. Foi DONA ANA quem trouxe de Portugal a devoção a Sant'Ana; daí é
que Monteiro mandou construir, em 1714, uma bela capela sob a devoção/invocação
da santa, na qual eram realizados grandes festejos anuais. O português JORGE
MONTEIRO enriqueceu tanto que, em 1730, resolveu voltar para a Europa, vendendo
suas propriedades para o agricultor JOÃO PAULO SARGES DE BARROS. Sarges de
Barros também prosperou com a fábrica do povoado de Igarapé-Miri. Além disso,
continuou com a tradição da Festa de Santana, tornando-a, porém, mais pomposa.
Reconstruiu a capela, ampliando-a e preparou a área a sua volta para as
barraquinhas dos festejos. Por ocasião da visita do bispo D. FREI MIGUEL DE
BULHÕES, a capela de Santana recebeu o predicamento de paróquia, No dia 29 de
dezembro de 1754. Um dos filhos de JOÃO PAULO DE SARGES BARROS, ordenou-se padre
e foi o primeiro vigário da paróquia de Igarapé-Miri, ali permanecendo até seu
falecimento, em 1777. Coube a SEBASTIÃO FREIRE DA FONSECA, apelidado de
Carambola e natural de Mazagão da África, e proprietário de uma fazendola no
povoado de Igarapé-Miri, o feito de escavar um canal de navegação para
substituir o antigo "Furo Velho", que estava abandonado e obstruído. As obras
tiveram início em 1821, sendo concluídas, de forma incompleta, em novembro de
1823, em virtude de um desastre que lá aconteceu. Apesar disso, o novo canal
constituiu-se numa obra capital para o desenvolvimento da região, uma vez que a
navegação tornou-se franca. A então Freguesia de Santana do Igarapé-Miri sofreu
com os rigores da "Guerra da Cabanagem", em 1835, tendo oferecido resistência
aos invasores na figura do juiz de paz, JOSÉ ANTONIO PEREIRA DE CASTRO. Na mesma
época em que invadiram Belém, em agosto,os Cabanos, chefiados por MANOEL
DOMINGOS, ALEXANDRE CARLOS, MANOEL DE SOUZA e JOÃO DE SOUZA - cercaram a
freguesia de Igarapé-Miri, exigindo-lhe a rendição. Como houve resistência em se
entregar, os combates começaram. Com a vitória dos revoltosos, os cabanos
invadiram a Freguesia e deram início a atos violentos, através de fuzilamentos,
na Praça da Matriz, e assassinatos com armas brancas. Em 1836, com a chegada das
forças legais, os cabanos começaram a ser derrotados nas vilas e lugarejos onde
tinham se estabelecido. Assim, a freguesia de Igarapé-Miri voltou à legalidade,
através da ação do tenente João Lima de Castro Gama, auxiliado por José Alves,
José Gonçalves Chaves e Ambrósio José da Trindade. Em 1843, a Lei nº 113, de 16
de outubro, concedeu à freguesia de Igarapé-Miri a categoria de Vila,
instituindo, ao mesmo tempo, o respectivo Município. No ano seguinte, o Decreto
Legislativo nº 118, de 11 de setembro, anexou à vila de Igarapé-Miri as
freguesias de Abaeté e Cairari. A instalação do Município ocorreu, efetivamente,
dois anos após a sua criação. VITÓRIO PROCÓPIO SERRÃO DO ESPÍRITO SANTO foi o
primeiro presidente da Câmara Municipal, instalada, conjuntamente com o
Município, em 26 de julho de 1845. Em 1877, através da Lei nº 885, de 16 de
abril, a Freguesia de Abaeté foi desmembrada do município de Igarapé-Miri e
passou a integrar o patrimônio jurisdicional de Belém, até o ano de 1880, quando
foi elevada à categoria de Vila. Com o advento da República, o Governo
Provisório do Pará extinguiu As Câmaras Municipais, a 19 de fevereiro de 1890
pelo Decreto nº 60, criando em seu lugar, o Conselho de Intendência, através do
Decreto nº 61, de 20 de fevereiro do mesmo ano, nomeando FRANCISCO ANTONIO
LOBATO FRADE para presidente. Em 1896, a vila de Igarapé-Miri ganhou os foros de
cidade, mediante a Lei nº 438, de 23 de maio de 1896. Após a vitória da
Revolução de 1930, o Decreto nº 6, de 04 de novembro daquele ano, extinguiu o
município de Igarapé-Miri, anexando-o ao território de Abaetetuba. Todavia,
quase (que) simultaneamente, pelo Decreto Estadual nº 78, de 27 de dezembro
seguinte, voltou a ganhar a sua autonomia municipal. Atualmente, o Município
está constituído pelos distritos de Igarapé-Miri (sede) e Maiauatá, distrito.
CULTURA Um extenso calendário de festividades movimenta a população do município
de Igarapé-Miri/PA durante todo o ano. A principal manifestação religiosa é a
festa em homenagem à padroeira, Nossa Senhora de Santana, que teve início NO ano
de 1714, quando foi erguida a primeira igreja da santa. AS comemorações
acontecem NO período de 16 a 26 de julho, e inicia com o Círio terrestre, No
qual, pela manhã, a imagem da santa sai da Igreja Matriz, localizada na sede
municipal, e segue em procissão rodoviária pelas principais ruas de
Igarapé-Miri, até chegar à centenária igreja da vila de Maiuatá, distante 17 km
da cidade, de onde sairá a procissão fluvial. O Círio fluvial acontece No último
dia da festa, à tarde, percorrendo os rios Meruú e Miri, e retornando à igreja
Matriz. As festividades são acompanhadas de arraial e leilões de animais e
artigos diversos oferecidos pela comunidade. Destaca-se, ainda, a Festa de São
Sebastião, com festejos que começam desde o dia 09 de janeiro, com a "ramada",
isto é, o embandeiramento da casa de festejo, embora a festa seja realizada
somente no dia 20 de janeiro. A festa de Santo Antônio dos Inocentes e
de Santa Maria da Boa Esperança, realizadas nos meses de junho e agosto,
respectivamente, completam o calendário de eventos religiosos do município.
Entre as manifestações culturais de Igarapé-Miri, há o originalíssimo auto
junino, cultivado apenas no município, representado pelo grupo "Cordão do
Camarão". Os bois-bumbás "Estrela D'alva" e "Flor de Ouro", e o "Pássaro Galo"
completam o quadro das manifestações populares no Município. Por ocasião das
festas juninas, as escolas e os grupos locais organizam quadrilhas. A produção
artesanal é variada. Do barro, são confeccionados alguidares e vasos; da tala
das palmeiras os artesãos produzem peneiras, paneiros, tipitis, chapéus e
matapis; do ouriço da castanha e da casca de sapucaia, são fabricados vasos; da
casca do côco, são confeccionados cinzeiros e bonecas, entre outros. O
patrimônio histórico de Igarapé-Miri é formado pela igreja de Nossa Senhora
Santana, pela Casa da Cultura e a pela capela do Bom Jesus. Os equipamentos
culturais de que a cidade dispõe são uma Biblioteca Municipal e a Casa da
Cultura.
Os SOLOS de Igarapé-Miri:
Os solos do Município são formados, em grande expressividade, pelos seguintes
tipos: Latossolo amarelo, distrófico, textura média e argilosa, podzol
hidromórfico e concrecionários lateríticos indiscriminados distróficos, textura
indiscriminada. Nas várzeas, aparecem pequenas Manchas de Gleys, pouco úmido,
distróficos e eutróficos e Aluviais eutróficos e distróficos.
VEGETAÇÃO Pouco resta da cobertura florestal primitiva, que pertence ao subtipo
Floresta Densa de terra firme, e que recobria, indiscriminadamente, a maior parte
do Município. Hoje, em seu lugar, existe a Floresta Secundária, intercalada com
cultivos agrícolas. Já as áreas de várzea, apresentam sua vegetação característica
de espécies hidrófilas (que gostam de água), latifoliadas (de folhas largas),
intercaladas com palmeiras, dentre as quais se destaca o açaizeiro de grande
importância na alimentação e venda pela população local.
PATRIMÔNIO NATURAL:
A alteração da cobertura vegetal, observada nas imagens LANDSAT-TM, do ano de
1986, foi de 44,75%. Como acidentes geográficos que necessitam de preservação,
destacam-se os rios Igarapé-Miri e Maiauatá, além de algumas ilhas, como da
Serraria, Cueca e Cuequinha. TOPOGRAFIA O Município apresenta cotas topográficas
pouco elevadas, tendo como referência a sede municipal, que atinge 20 metros de
altitude. Porém, ao sul do Município, essas altitudes são mais elevadas,
alcançando até o dobro da cota medida na cidade. GEOLOGIA E RELEVO O Município
apresenta sua geologia formada por sedimentos do Terciário (Formação Barreiras),
na porção continental, e sedimentos do Quaternário Antigo e Recente, nas áreas
de várzeas e ilhas fluviais. Sendo assim, o relevo apresenta grande
simplicidade, representado por formas típicas de tabuleiros (baixos platôs),
terraços e várzeas, que fazem parte da unidade morfoestrutural do Planalto
Rebaixado da Amazônia (Baixo Amazonas). HIDROGRAFIA O principal rio de
Igarapé-Miri é o Meruú, coletor de quase toda a bacia hidrográfica do Município.
Seus principais afluentes pela margem direita são o rio Igarapé-Miri, em cuja
margem está localizada a sede municipal, e o rio Itanimbuca, que limita o
Município, a nordeste, com Abaetetuba/PA. Pela margem esquerda, o principal rio
é o Cagi, limite natural a sudoeste, com o município de Cametá/PA, desde as
nascentes até seu curso médio. O rio Maiauatá, que banha a Vila do mesmo nome,
serve de ligação entre o rio Meruú e a foz do rio Tocantins. O Município possui
ilhas fluviais, banhadas pelas águas do estuário do Tocantins, entrecortadas por
uma série de cursos d'água conhecidos como furos e igarapés. CLIMA O clima do
Município corresponde ao megatérmico, tipo Am da classificação de Köppen,
apresentando temperaturas elevadas, com média anual de 27º C, e pequena
amplitude térmica. A umidade relativa apresenta valores acima de 80%. A
precipitação pluviométrica anual apresenta-se acima de 2.000 mm, com chuvas
abundantes de janeiro a junho, com maior disponibilidade de água nos três
primeiros meses do ano (balanço hídrico) e carência, nos meses de setembro e
outubro. Fonte: SEPOF-PA Portal Amazônia 06/02/2007 - KR Blog do Ademir Rocha,
em 02/06/2018 Segundo as informações contidas nos "folhetos" do Tenente-Coronel
AGOSTINHO MONTEIRO GONÇALVES DE OLIVEIRA, intitulados "Chronica de
Igarapé-Miry", as origens do município antecedem ao reinado de D. João V, no
início do século XVIII. Já nessa época, no lugar conhecido como Igarapé-Miri, às
margens do igarapé de mesmo nome, existia uma fábrica nacional para
aparelhamento e extração de madeiras de construção, que eram comercializadas em
Belém. De todas as fábricas do ramo no Pará, aquela era a mais proveitosa,
considerando estar situada em terrenos planos, sólidos e férteis, margeada, em
sua maior parte, pelo igarapé Cataiandeua, pelo qual desciam facilmente as
madeiras ali lavradas. Em 10 de outubro de 1710, JOÃO DE MELO GUSMÃO conseguiu
do Governador, o Capitão-General CRISTOVÃO DA COSTA FREIRE, a cessão de uma
sesmaria, contendo duas léguas de terra no Igarapé-Miri, muito embora não tenha
fixado residência no local. Esse ato do governo, em favor de quem não residia
sequer nos terrenos cedidos, causou grande descontentamento entre os posseiros,
agricultores e comerciantes ali estabelecidos, que exigiram elevadas
indenizações pelas benfeitorias por eles efetuadas no lugar. Por esse motivo,
GUSMÃO foi obrigado a vender-lhes a maior parte dos terrenos, cabendo ao
agricultor e comerciante português JORGE VALÉRIO MONTEIRO, comprar a parte onde
estava situada a referida fábrica. A fertilidade do solo do então "Povoado de
Igarapé-Miri", a riqueza de seus habitantes e o brilhantismo das festas
religiosas atraíram muitos estrangeiros que acabaram por se estabelecer naquelas
terras. Pouco tempo depois, JORGE MONTEIRO casou-se com ANA GONÇALVES DE
OLIVEIRA, filha do próspero agricultor ANTONIO GONÇALVES DE OLIVEIRA. A
excelente compra que fizera e o bom casamento realizado deu-lhe rápida
prosperidade. Foi DONA ANA quem trouxe de Portugal a devoção a Sant'Ana; daí é
que Monteiro mandou construir, em 1714, uma bela capela sob a devoção/invocação
da santa, na qual eram realizados grandes festejos anuais. O português JORGE
MONTEIRO enriqueceu tanto que, em 1730, resolveu voltar para a Europa, vendendo
suas propriedades para o agricultor JOÃO PAULO SARGES DE BARROS. Sarges de
Barros também prosperou com a fábrica do povoado de Igarapé-Miri. Além disso,
continuou com a tradição da Festa de Santana, tornando-a, porém, mais pomposa.
Reconstruiu a capela, ampliando-a e preparou a área a sua volta para as
barraquinhas dos festejos. Por ocasião da visita do bispo D. FREI MIGUEL DE
BULHÕES, a capela de Santana recebeu o predicamento de paróquia, No dia 29 de
dezembro de 1754. Um dos filhos de JOÃO PAULO DE SARGES BARROS, ordenou-se padre
e foi o primeiro vigário da paróquia de Igarapé-Miri, ali permanecendo até seu
falecimento, em 1777. Coube a SEBASTIÃO FREIRE DA FONSECA, apelidado de
Carambola e natural de Mazagão da África, e proprietário de uma fazendola no
povoado de Igarapé-Miri, o feito de escavar um canal de navegação para
substituir o antigo "Furo Velho", que estava abandonado e obstruído. As obras
tiveram início em 1821, sendo concluídas, de forma incompleta, em novembro de
1823, em virtude de um desastre que lá aconteceu. Apesar disso, o novo canal
constituiu-se numa obra capital para o desenvolvimento da região, uma vez que a
navegação tornou-se franca. A então Freguesia de Santana do Igarapé-Miri sofreu
com os rigores da "Guerra da Cabanagem", em 1835, tendo oferecido resistência
aos invasores na figura do juiz de paz, JOSÉ ANTONIO PEREIRA DE CASTRO. Na mesma
época em que invadiram Belém, em agosto, os Cabanos, chefiados por MANOEL
DOMINGOS, ALEXANDRE CARLOS, MANOEL DE SOUZA e JOÃO DE SOUZA - cercaram a
freguesia de Igarapé-Miri, exigindo-lhe a rendição. Como houve resistência em se
entregar, os combates começaram. Com a vitória dos revoltosos, os cabanos
invadiram a Freguesia e deram início a atos violentos, através de fuzilamentos,
na Praça da Matriz, e assassinatos com armas brancas. Em 1836, com a chegada das
forças legais, os cabanos começaram a ser derrotados nas vilas e lugarejos onde
tinham se estabelecido. Assim, a freguesia de Igarapé-Miri voltou à legalidade,
através da ação do tenente João Lima de Castro Gama, auxiliado por José Alves,
José Gonçalves Chaves e Ambrósio José da Trindade. Em 1843, a Lei nº 113, de 16
de outubro, concedeu à freguesia de Igarapé-Miri a categoria de Vila,
instituindo, ao mesmo tempo, o respectivo Município. No ano seguinte, o Decreto
Legislativo nº 118, de 11 de setembro, anexou à vila de Igarapé-Miri as
freguesias de Abaeté e Cairari. A instalação do Município ocorreu, efetivamente,
dois anos após a sua criação. VITÓRIO PROCÓPIO SERRÃO DO ESPÍRITO SANTO foi o
primeiro presidente da Câmara Municipal, instalada, conjuntamente com o
Município, em 26 de julho de 1845. Em 1877, através da Lei nº 885, de 16 de
abril, a Freguesia de Abaeté foi desmembrada do município de Igarapé-Miri e
passou a integrar o patrimônio jurisdicional de Belém, até o ano de 1880, quando
foi elevada à categoria de Vila. Com o advento da República, o Governo
Provisório do Pará extinguiu As Câmaras Municipais, a 19 de fevereiro de 1890
pelo Decreto nº 60, criando em seu lugar, o Conselho de Intendência, através do
Decreto nº 61, de 20 de fevereiro do mesmo ano, nomeando FRANCISCO ANTONIO
LOBATO FRADE para presidente. Em 1896, a vila de Igarapé-Miri ganhou os foros de
cidade, mediante a Lei nº 438, de 23 de maio de 1896. Após a vitória da
Revolução de 1930, o Decreto nº 6, de 04 de novembro daquele ano, extinguiu o
município de Igarapé-Miri, anexando-o ao território de Abaetetuba. Todavia,
quase (que) simultaneamente, pelo Decreto Estadual nº 78, de 27 de dezembro
seguinte, voltou a ganhar a sua autonomia municipal. Atualmente, o Município
está constituído pelos distritos de Igarapé-Miri (sede) e Maiauatá, distrito.
CULTURA Um extenso calendário de festividades movimenta a população do município
de Igarapé-Miri/PA durante todo o ano. A principal manifestação religiosa é a
festa em homenagem à padroeira, Nossa Senhora de Santana, que teve início NO ano
de 1714, quando foi erguida a primeira igreja da santa. AS comemorações
acontecem NO período de 16 a 26 de julho, e inicia com o Círio terrestre, No
qual, pela manhã, a imagem da santa sai da Igreja Matriz, localizada na sede
municipal, e segue em procissão rodoviária pelas principais ruas de
Igarapé-Miri, até chegar à centenária igreja da vila de Maiuatá, distante 17 km
da cidade, de onde sairá a procissão fluvial. O Círio fluvial acontece No último
dia da festa, à tarde, percorrendo os rios Meruú e Miri, e retornando à igreja
Matriz. As festividades são acompanhadas de arraial e leilões de animais e
artigos diversos oferecidos pela comunidade. Destaca-se, ainda, a Festa de São
Sebastião, com festejos que começam desde o dia 09 de janeiro, com a "ramada",
isto é, o embandeiramento da casa de festejo, embora a festa seja realizada
somente No dia 20 de janeiro. omastro. A festas de Santo Antônio dos Inocentes e
de Santa Maria da Boa Esperança, realizadas nos meses de junho e agosto,
respectivamente, completam o calendário de eventos religiosos do município.
Entre as manifestações culturais de Igarapé-Miri, há o originalíssimo auto
junino, cultivado apenas no município, representado pelo grupo "Cordão do
Camarão". Os bois-bumbás "Estrela D'alva" e "Flor de Ouro", e o "Pássaro Galo"
completam o quadro das manifestações populares no Município. Por ocasião das
festas juninas, as escolas e os grupos locais organizam quadrilhas. A produção
artesanal é variada. Do barro, são confeccionados alguidares e vasos; da tala
das palmeiras os artesãos produzem peneiras, paneiros, tipitis, chapéus e
matapis; do ouriço da castanha e da casca de sapucaia, são fabricados vasos; da
casca do côco, são confeccionados cinzeiros e bonecas, entre outros. O
patrimônio histórico de Igarapé-Miri é formado pela igreja de Nossa Senhora
Santana, pela Casa da Cultura e a pela capela do Bom Jesus. Os equipamentos
culturais de que a cidade dispõe são uma Biblioteca Municipal e a Casa da
Cultura.
ASPECTOS FÍSICO-TERRITORIAIS: LOCALIZAÇÃO O município de Igarapé-Miri
pertence à Mesorregião Nordeste Paraense e à Microrregião Cametá. A sede
municipal tem as seguintes coordenadas geográficas: 010 58' 33" de latitude Sul
e 48o 57' 39" de longitude a Oeste de Greenwich.
LIMITES Ao Norte - Município de Abaetetuba/PA. A Leste - Município de Mojú/PA.
Ao Sul - Municípios de Cametá/PA e Mojú/PA. A Oeste - Municípios de Cametá/PA e
Limoeiro do Ajuru/PA.
OS SOLOS:
Os solos do Município são formados, em grande expressividade, pelos seguintes
tipos:
Latossolo amarelo, distrófico, textura média e argilosa, Podzol
Hidromórfico e Concrecionários Lateríticos indiscriminados distróficos, textura
indiscriminada. Nas várzeas, aparecem pequenas manchas de Gleys pouco úmido
distróficos e eutróficos e Aluviais eutróficos e distróficos. VEGETAÇÃO Pouco
resta da cobertura florestal primitiva, que pertence ao subtipo Floresta Densa
de terra firme, e que recobria, indiscriminadamente, a maior parte do Município.
Hoje, em seu lugar, existe a Floresta Secundária, intercalada com cultivos
agrícolas. Já as áreas de várzea, apresentam sua vegetação característica de
espécies hidrófilas (que gostam de água), latifoliadas (de folhas largas),
intercaladas com palmeiras, dentre as quais se destaca o açaizeiro de grande
importância na alimentação e venda pela população local. PATRIMÔNIO NATURAL A
alteração da cobertura vegetal, observada nas imagens LANDSAT-TM, do ano de
1986, foi de 44,75%. Como acidentes geográficos que necessitam de preservação,
destacam-se os rios Igarapé-Miri e Maiauatá, além de algumas ilhas, como da
Serraria, Cueca e Cuequinha. TOPOGRAFIA O Município apresenta cotas topográficas
pouco elevadas, tendo como referência a sede municipal, que atinge 20 metros de
altitude. Porém, ao sul do Município, essas altitudes são mais elevadas,
alcançando até o dobro da cota medida na cidade. GEOLOGIA E RELEVO O Município
apresenta sua geologia formada por sedimentos do Terciário (Formação Barreiras),
na porção continental, e sedimentos do Quaternário Antigo e Recente, nas áreas
de várzeas e ilhas fluviais. Sendo assim, o relevo apresenta grande
simplicidade, representado por formas típicas de tabuleiros (baixos platôs),
terraços e várzeas, que fazem parte da unidade morfoestrutural do Planalto
Rebaixado da Amazônia (Baixo Amazonas). HIDROGRAFIA O principal rio de
Igarapé-Miri é o Meruú, coletor de quase toda a bacia hidrográfica do Município.
Seus principais afluentes pela margem direita são o rio Igarapé-Miri, em cuja
margem está localizada a sede municipal, e o rio Itanimbuca, que limita o
Município, a nordeste, com Abaetetuba/PA. Pela margem esquerda, o principal rio
é o Cagi, limite natural a sudoeste, com o município de Cametá/PA, desde as
nascentes até seu curso médio. O rio Maiauatá, que banha a Vila do mesmo nome,
serve de ligação entre o rio Meruú e a foz do rio Tocantins. O Município possui
ilhas fluviais, banhadas pelas águas do estuário do Tocantins, entrecortadas por
uma série de cursos d'água conhecidos como furos e igarapés. CLIMA O clima do
Município corresponde ao megatérmico, tipo Am da classificação de Köppen,
apresentando temperaturas elevadas, com média anual de 27º C, e pequena
amplitude térmica. A umidade relativa apresenta valores acima de 80%. A
precipitação pluviométrica anual apresenta-se acima de 2.000 mm, com chuvas
abundantes de janeiro a junho, com maior disponibilidade de água nos três
primeiros meses do ano (balanço hídrico) e carência, nos meses de setembro e
outubro. Fonte: SEPOF-PA Portal Amazônia 06/02/2007 - KR
Blog do Ademir Rocha, em 02/06/2018.
Publicado em 12/02/2024.
Dona Onete, a "Rainha do Brega do Pará"
Dona Onete, a Rainha do Brega do Pará
Segunda-feira, 12 de fevereiro de 2024.
Dona Onete - A história de sucesso de Dona Onete, com crédito do - Nexo Jornal,
vide abaixo a matéria. A história do sucesso de Dona Onete - do "Nexo Jornal"
de Camilo Rocha 03/09/2017 (atualizado em 05/Setetembro).
Cantora paraense desafia padrões da indústria, o ‘Nexo’ ouviu três
profissionais que acompanharam de perto seu crescimento para entender seu
sucesso. Link para matéria:
https://www.nexojornal.com.br/expresso/2017/09/03/A-história-do
-sucesso-de-Dona-Onete de 2017. Todos os direitos deste material são reservados
ao NEXO JORNAL LTDA,conforme a Lei nº 9.610/98. A sua publicação,
redistribuição, transmissão e reescrita sem autorização prévia é proibida.
“Talento naif” é uma das maneiras como o produtor Carlos Eduardo Miranda se
refere a Dona Onete. O som da cantora paraense, que gravou seu primeiro álbum em
2012, aos 73 anos, tem mesmo algo de espontâneo. Sua voz calejada desponta como
um registro quase rústico, sem lapidação, e diferencia de cara a música de Dona
Onete em meio a tantos vocais bem produzidos e tecnicamente corretos que se ouve
no dia a dia. Esta diva sênior do “carimbó chamegado”, como ela mesmo chama sua
música, marca presença pelo contraste, na contramão da obsessão pelo jovem e
pelo novo. Nos shows, Dona Onete só canta sentada. Sua música e apresentações
vêm carregadas de simpatia e sensualidade. Em 2015 e 2016, a senhora paraense
apareceu em programas de destaque da TV Globo, como o “Encontro com Fátima
Bernardes” e o “Fantástico”, e excursionou por países como Portugal, França e
Estados Unidos. Seu vídeo mais visto no Youtube, “No meio do Pitiu”, tem 2,8
milhões de visualizações. A professora de história que cantava Ionete da
Silveira Gama nasceu em 1938. Havia se estabelecido há décadas na cidade de
Igarapé-Miri, localidade com 57 mil habitantes às margens do rio Tocantins que
tem o apelido de “capital mundial do açaí”. Dona Onete cantava há muito tempo,
mas nunca havia pensado em carreira. Seu trabalho regular por 25 anos foi como
professora de história. Também se envolveu com política. No início da década de
1980, se filiou ao Partido dos Trabalhadores (PT) de Igarapé-Miri. Visitou o ABC
Paulista nessa época e fez algumas apresentações. Ocupou o cargo de secretária
da Cultura de Igarapé-Miri. No início dos 2000, um jovem grupo de Belém chamado
Coletivo Radio Cipó conheceu Dona Onete ao ouví-la cantar em um bar no bairro da
Pedreira. Convidou ela e outro veterano, o Mestre Laurentino, para se juntar a
eles no palco. Os dois passaram a excursionar regularmente com o Radio Cipó. A
música paraense ganha espaço O Pará sempre contou com uma variada cena musical.
Até os anos 2000, com exceções pontuais como Fafá de Belém, seus artistas saíam
pouco do estado. Em 2003, uma nova gestão assume a Funtelpa (Fundação Paraense
de Radiodifusão), que administra canais de rádio e televisão públicas estaduais.
Uma das primeiras medidas da nova administração foi o aumento da presença da
música feita no estado nesses veículos. “Foi ali que começamos a fazer um grande
trabalho de expor a música paraense”, contou ao Nexo Ney Messias, diretor da
Funtelpa à época. No espaço aberto para novos artistas, apareceu também o
Coletivo Radio Cipó, com Mestre Laurentino e Dona Onete. O executivo da emissora
conheceu então a cantora pela primeira vez. “Fiquei maravilhado. A primeira
analogia que fiz foi "É a Cesária Évora da floresta”, lembrou, em referência à
cantora cabo-verdiana de projeção internacional. “Foi o Ney que teve a ideia de
valorizar a música paraense”, explicou o produtor musical Carlos Eduardo Miranda
ao Nexo. “Primeiro, começaram a tocar na rádio, depois começaram a botar a
música ao vivo na TV paraense”. A abertura do Terruá Pará Nesse contexto, surge
a ideia de criar um festival para apresentar os estilos e artistas do Pará em
São Paulo. O primeiro Terruá Pará aconteceu no Auditório do Ibirapuera em 2006.
Miranda foi convidado por Messias para ser o diretor artístico. “O Miranda teve
a ousadia e a audácia de colocar dona Onete para abrir o festival”, disse
Messias. “Ela nunca tinha enfrentado um palco daquela categoria e tamanho”. De
acordo com Miranda, nesse tempo Dona Onete ainda era “uma velhinha professora de
escola, muito simples, muito fora de tudo”. Além de dona Onete na abertura, o
festival trouxe artistas do estado como Gaby Amarantos, Felipe Cordeiro, Gang do
Eletro e Sebastião Tapajós. Miranda sugeriu várias mudanças no som dos
paraenses, “limpando os arranjos” enquanto valorizava o elemento da raiz. O
segundo "Terruá" só aconteceu em 2011, pois o grupo responsável pelo primeiro
deixou a gestão da cultura entre 2006 e 2010 por motivos políticos. Mais uma
vez, dona Onete abriu os trabalhos no Auditório do Ibirapuera. “É a raiz feita
de maneira dançante, festiva, comunicativa, sem se meter a ser moderninha, sem
tentar ser cabeça” disse o Carlos Eduardo Miranda, produtor musical tremor do
jambu. “Nesse processo, Dona Onete não só se encontrou como artista, como
enxergaram o potencial dela”, declarou Carlos Eduardo Miranda. Em 2012, Dona
Onete gravaria seu primeiro álbum, “Feitiço caboclo”, com produção do cantor e
compositor paraense Marco André, veterano do cenário regional. “É a raiz feita
de maneira dançante, festiva, comunicativa, sem se meter a ser moderninha, sem
tentar ser cabeça” Carlos Eduardo Miranda Produtor musical É neste álbum que
surge o primeiro sucesso, “Jamburana”, uma homenagem à cachaça de jambu, erva
famosa por amortecer a boca. A bebida tem efeito parecido. Na letra gaiata de
Dona Onete virou “tremor”: “O tremor do jambu é gostoso demais… Chegar até o céu
da boca, a boca fica muito louca.” A referência ainda faz conexão com as novas
gerações: a palavra “treme” é “jargão” do tecnobrega, presente em músicas de
Gaby Amarantos e Gang do Eletro. Em 2016, Dona Onete passa a ser empresariada
pelo recifense Geraldinho Magalhães, que tem no currículo nomes como Lenine,
Sandra de Sá e Jards Macalé. “Ela ganhou então um planejador de carreira”,
explicou Messias. No mesmo ano, saiu seu segundo álbum, “Banzeiro”. “Quando vi
ao vivo pela primeira vez a percebi numa zona fora de conforto, falavam dela e
não achei aquilo tudo”, contou Magalhães ao Nexo. “Se é que houve planejamento,
foi esse tratamento de trazer para ela uma banda que lhe desse conforto. Ela é
uma artista de talento, mas não tem uma técnica incrível, nem formação. É muito
intuitiva e natural. Requer conforto musical.” O sucesso online Os entrevistados
pelo Nexo enfatizam o papel da internet no sucesso de Dona Onete. “Ela mesmo
reconhece que a internet fez a diferença na carreira dela”, afirmou Magalhães.
“Fosse em outra época, estaria dependente de outras mídias. Por causa da
internet, ela se tornou o que é: querida por vários nichos e públicos.” O que
atrai as pessoas ao som de Dona Onete, afinal? “É a raiz feita de maneira
dançante, festiva, comunicativa, sem se meter a ser moderninha, sem tentar ser
cabeça”, disse Miranda. “É meio um talento ‘naif’, mas super-refinado, porque a
escola dela veio do bolero, que ela chama de ‘chamegado’”. Geraldinho Magalhães
concorda, exemplificando com uma história: “Uma vez, em Nova York, estava com
meu amigo Bernard Purdie, diretor musical da Aretha Franklin. Ele disse que a
Dona Onete era espetacular, que ela tinha uma voz de ouro. Então, esse lado
primitivo é relativo, sua musicalidade é impressionante e ela é muito
sofisticada”. E o que diz a própria Dona Onete sobre tanto interesse em seu
trabalho? “Acho que talvez seja essa minha humildade, meu jeitinho carinhoso com
as pessoas. Lá no Pará o abraço é muito forte. Quando a gente se abraça,
sentimos o corpo do outro”, afirmou em entrevista à revista Carta Capital. Nota
de Esclarecimento: Este texto teve o título alterado. Originalmente, era "O
primitivismo refinado de Dona Onete". O termo "primitivismo" foi usado dentro de
um dos sentidos que ele possui no campo das artes. Na acepção pretendida, ele se
refere a uma abordagem, um jeito de fazer que se caracteriza pela simplicidade,
certa pureza, em que o artista realiza seu trabalho alheio à cultura dominante
ou ao mercado. Geralmente, este artista não conta com formação técnica
tradicional, não fez escola de artes, aulas de música ou conservatório. Neste
contexto, consideramos que ele não é um termo pejorativo, nem de julgamento de
qualidade. Por outro lado, entendemos que ele possa dar margem a interpretações
diferentes da intenção do jornalista quando optou por seu uso. Por este motivo,
decidimos trocar o título. ESTAVA ERRADO: A primeira versão deste texto dizia
que o jambu é uma fruta, quando na verdade é uma erva. O nome da cidade natal de
Dona Onete também estava grafado erroneamente como Igarapé-Mirim. A primeira
informação foi corrigida às 14h16 e a segunda às 19h16, ambas no dia 4 de
setembro de 2017. Link para matéria:
https://www.nexojornal.com.br/expresso/2017/09/03/A-história do sucesso de Dona
Onete em 2017. Todos os direitos deste material são reservados ao NEXO JORNAL
LTDA, conforme a Lei nº 9.610/98. A sua publicação, redistribuição, transmissão e
reescrita sem autorização prévia é proibida.
Blog do Ademir Rocha, em 12/02/2024
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