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quinta-feira, 26 de julho de 2018

Nina Abreu - Folclorista, Artesã e Outros Predicados

Nina Abreu - Folclorista, Artesã e Outros Predicados
Adilson Rocha
Homenagem à Nina Abreu, realizada por seus familiares e artesãos de brinquedos de miriti de Abaetetuba, durante o XV Festival de Miriti. Exposição fotográfica desta genial artista da cultura popular, que além de produzir os famosos Brinquedos de Miriti, estimulou e produziu inúmeros Cordões de Boi, recebeu o titulo de Rainha do Folclore Abaetetubense. Justa e merecida homenagem a esta grande artista popular: NINA ABREU.


Família Abreu de Nina Abreu
José Alexandre Machado
. NINA ABREU, nascida e falecida em Abaetetuba que trabalhou uma vida inteira na arte, cultura e Educação, foi folclorista, vendedora de mingau, artesã de miriti, panos e outros materiais, tendo vivido até 82 anos, quando ficou enferma, foi hospitalizada no Hospital do Coração onde veio a falecer em ...casada e com filhos: Merian Abreu e Silva (52 anos em 2017) e Rita Abreu e muitos outros filhos adotados. Quando de seu falecimento, que consternou o setor artístico e literário e também o povo em geral, várias homenagens lhe foram feitas, sendo algumas com mensagens de seus  parentes e inúmeros admiradores e que recebeu adjetivos como: "Ícone da cultura de Abaetetuba",  "Baluarte da cultura abaetetubense", "Era a força, coragem e cultura do nosso povo", "Mito do folclore de Abaetetuba" "Rainha do Folclore de Abaetetuba", e mensagens sobre as artes e vida de Nina Abreu, como abaixo:

Naldo Araujo
Abaetetuba amanheceu triste, hoje, com a notícia da morte da Nina Abreu, às 2h, no Hospital do Coração, em Belém. Ela estava internada havia dois meses e não resistiu às complicações do diabetes e a problemas cardíacos. Tia Nina, como era carinhosamente conhecida na terra natal, tinha 82 anos e deixa uma longa história de incentivo à cultura local. Não à toa, era reconhecida como a rainha do folclore abaetetubense, sendo referência até internacional nas várias formas de artesanato, notadamente o brinquedo de miriti.
O corpo está sendo trasladado neste momento para Abaetetuba e o velório será no Centro Cultural Nina Abreu, na rua 15 de agosto. O sepultamento está marcado para as 8h desta terça-feira no cemitério de Nossa Senhora da Conceição.
Merian Abreu
É MINHA RAINHA, DEUS ME DEU 52 ANOS DE CONVIVÊNCIA COM VOCÊ DEDIQUEI MINHA VIDA PARA VOCÊ, POIS ME TORNEI FÃ Nº 1 DO SEU TRABALHO DEDICADO A ARTE CULTURA E EDUCAÇÃO A SUA VIDA FOI O TEMA DO MEU TCC DA UFPA CURSO DE ARQUITETURA,QUANDO CONCLUI A FACULDADE MEUS COLEGAS ME DISSERAM QUE EU ESTAVA LOUCA DE VOLTAR PARA ABAETETUBA ,POIS SERIA DIFÍCIL PARA EXERCER A MINHA PROFISSÃO.EU RESPONDI QUE EU PRECISAVA DAR CONTINUIDADE NO TRABALHO DE MINHA RAINHA,ONTEM FUI TE VISITAR NO HOSPITAL TE CHAMEI VÁRIAS VEZES E VOCÊ NÃO ME RESPONDEU, HOJE DE MANHÃ MINHA IRMÃ RITA VEIO ME DAR A NOTÍCIA QUE VOCÊ TINHA VINDO A ÓBITO,NO MEU CORAÇÃO ESTA PASSANDO POR DOIS SENTIMENTOS ALEGRIA POR VOCÊ TER IDO AO ENCONTRO COM JESUS, NOSSA SENHORA E SUA QUERIDA SANTA RITA E TRISTEZA PELA SUA AUSÊNCIA FÍSICA,SÓ DEUS SABE COMO ESTÁ MEU CORAÇÃO, SEI QUE AGORA TEREMOS UM LINDO ANJO PARA CUIDAR DE TODOS NÓS.MUITO OBRIGADO MINHA LINDA RAINHA POR TUDO O QUE FIZESTES POR MIM E POR TODAS AS PESSOAS QUE PASSARAM PELA SUA VIDA.VOCÊ É O GRANDE AMOR DE MINHA VIDA DESCANSA EM PAZ MINHA QUERIDA.

Antonio Ferreira
A artesã do brinquedo de miriti, das bonecas que fazia, que será eterna da cultura abaetetubense.
Linomar Ferreira
Agradecer a essa Mulher por tudo que fez pela nossa cultura que sua caminhada terrena sirvam as novas gerações como estímulos em defesa da nossa cultura.
Franci Bentes
Poeta Macedo desencarnou durante a Semana de Arte e tia Nina Abreu no dia da Consciência Negra. Não bastasse a grandeza enquanto pessoas, tinham que ir embora em datas comemorativas e relevantes.
Anderson Pena
(Com um texto poético: nota do autor de Blog)
Nosso Povo e Nossa Gente
Está de Luto, estamos perdendo uma Grande Baluarte da Cultura brasileira
Tia NINA vai deixar um LEGADO lindo e maravilhoso de obras, escrituras, artesanatos etc... morre com Tia NINA a gente morre eu e você
é a Morte é difícil de entender
porém um dia há de acontecer
e a Você Tia NINA meu poema de despedida....

Queria eu saber escrever
as entrelinhas desse enorme coração...
Não conseguiria pois cada qual com sua imaginação
Vieste de uma divindade divina
minha nossa Eterna Rainha
Escreveste o Amor
por onde quer que você passou
Teu sorriso foi a Marca
Dessa Morena cheia de Graça
Que o Mundo a conheceu graças às suas dádivas divinas
essa senhora menina
sabia como encantar
dos pássaros ao boi bumbá
quanta alegria ela tinha a nos dar
Mulher poeta, poetisa, escrevia com amor a tudo
e principalmente as coisas da Vida,
em luto fico meio sem saber o que escrever
porém sua Vida me ensina a Dizer
Que a CULTURA PRECISA VIVER
era esse seu ideal
Mulher de pensamento Genial
que hoje nos desola com sua Partida,
Vá com Deus minha querida

Para Sempre TIA NINA
Meus sentimentos...
By. Anderson Pena

Iacilda Freitas
Feliz pelo legado... Foi um alegria ter sido contagiada pela arte através dos teus primeiros ensinamentos... Vamos continuar Tia Nina. Saracura tá cantando...
Norma Cruz
Dona Nina seu legado fica para esse município, mulher cheia de alegria, esperanças e sonhos, com garra viveu sua arte e mostrou sua garra em defesa de suas ideias sempre compartilhadas ...viva dona Nina Abreu sempre viva nos corações do povo que ela recebeu de coração aberto e com seu sorriso encantador em tantos São Joãos vividos!
Wal Cerbino
Grande mulher, com o sangue puro de abaetetubense em suas veias. Lembro-me, até hoje das apresentações folclóricas, que assistíamos, no palco em sua casa.

Nina Abreu segundo Jorge Machado
Jorge Machado
Dona Solinha (Ana de Cristo) e Nina Abreu. Eu as fotografei em um momento em que sonhávamos (um bando de amadores da comunicação, entre eles eu) que o progresso chegaria a esta terra e o bem triunfaria, em nossa visão pueril e assimétrica, que só via o melhor na modernidade. O progresso realmente chegou, mas veio o pacote completo e hoje vivemos em um lugar que é ora subúrbio de São Paulo, ora filial do Inferno. Com dona Nina se vai um pouco da Amazônia que está a desaparecer. O banho de cheiro, os cordões de pássaro, as cantigas tradicionais, os doces caseiros; somos a última geração de amazônidas que viu e viveu isso. Obrigado, tia Nina, pelo privilégio de irmos levados por nosso pai até o seu salão onde um cordão de pássaros estava sendo apresentado, nos longínquos anos 1970. Obrigado por nos ter oferecido a sua arte. Esta permanecerá para sempre em nossas vidas, em nós que vimos, sentimos e amamos a Amazônia, a verdadeira, a que nos viu nascer antes da "modernidade" chegar.
Aran Neas
(Fotógrafo catalão que passou alguns meses em Abaetetuba - Nota do autor do Blog)
Conheci a Dona Nina Abreu em junho desse ano. Fui visitá-la com meus amigos Valdeli e Edney na minha rota pelas casas dos artesãos de miriti dessa cidade, Abaetetuba. "A Nina Abreu tem que estar no livro Aran", falava sempre o Valdeli. Quando entrei nesse mundo vi uma pessoa de idade avançada com a mobilidade ja bastante reduzida. A gente conversou com ela e a filha dela, Merian, que recebeu a gente também na casa. Quando a Nina començou a falar mudou totalmente a primeira impressão. O jeito de contar as histórias, as brincadeiras, de falar dos sucesso, dos fracassos, dos problemas, deixava ver uma pessoa diferente com grande vitalidade espiritual. Hoje a rainha do folclore nos deixou. Referência e incentivadora teatral, parte dos movimentos do carnaval, pássaro junino, e claro brinquedo de miriti. Mas eu me sinto privilegiado de ter conhecido a pessoa por trás desse peso patrimonial, essa porta que foi aberta uma tarde de junho agora fechou, mas esse mundo sempre vai fazer parte do meu.
Aran Rodriguez

Naldo Araujo
(De uma reportagem de Naldo Araujo - Nota do autor do Blog)
O adeus à Nina Abreu, na manhã de hoje, misturou a tristeza natural das despedidas à animação que marcou a existência de uma mulher que viveu para a arte e a cultura. O cortejo deixou a catedral de Conceição às 8:30h e seguiu por algumas ruas de Abaetetuba, com o caixão conduzido em uma viatura do Corpo de Bombeiros. O trajeto até o cemitério de Nossa Senhora da Conceição foi entre lágrimas e cantigas. Lá estavam músicos, escritores, artesãos, amigos, familiares, vizinhos, gente que admirava a trajetória da Tia Nina.
Nina Abreu foi uma mulher com múltiplos talentos. De vendedora de mingau à artesã, fez de tudo um pouco. Recorreria, como fonte de renda, às bonecas de pano que costumava fazer para brincar na infância pobre. Daí, experimentou outras formas de artesanato. Virou uma das referências do brinquedo de miriti. E seguiu em frente. Gerações ouvirão falar daquela mulher guerreira que lutou pela preservação da cultura de seu povo, que não deixou morrer a tradição dos cordões de bois e pássaros, que manteve a duras penas as festas juninas do banho de cheiro... que foi embora na mesma simplicidade com que viveu... na mesma humildade com que entrou para a nossa história como a Rainha do Folclore...
Nina Matos
Ontem nos deixou, uma grande mestra da cultura, uma extraordinária artista paraense que fazia poesia em miriti. Suas criações sempre acompanhavam o que estava acontecendo no mundo , suas miniaturas de ribeirinhos inseriam-se nesse mundo, com graciosidade e muita cor e em cada Círio, sua artesania se fazia presente... esteve à frente de um Centro de Cultura em Abaetetuba por muitos anos, difundindo sua poética e realizando um lindo trabalho de mérito pessoal junto à jovens, semeando e difundindo todo um riquíssimo acervo cultural. Palmas pra essa mulher ! Que seu legado permaneça para sempre entre nós! Obrigada Dona Nina Abreu!
Adriano Crocroká
Somente agora pude me retratar dessa figura incapaz de qualquer descrição, a sua vida fala por si só. Em 1998 eu tive meu primeiro encontro pessoalmente com Dona Nina Abreu. Ela nos ensaiava para a festa junina do Colégio SFX, a Dança da Cuia... Lembro integralmente de tudo daquele momento por ser encantado por sua figura e acima de tudo pela Cultura e folclore regional... A canção toava dela: " Dança da Cuia Maria sacode bem pro mingau não es...friar..."
Aqueles ensaios me encantaram até hoje, eu diante daquele ser de outro mundo, tão cheia de histórias e fazeres...
Nina Abreu não era rica de bens materiais e sem dúvida era a mulher com maior popularidade da cidade, como uma caixa de memória e nossa história contada e repassada por sua oralidade.
Nina Abreu do cabelo branco, mãos que lanham, bordam, lapidam, tecem, faz banho de cheiro, banho de tudo que é bom, das criações diferenciadas...
Nina Menina de criações em poesias. Nina das cantigas, de fazer quadrilha, carnaval, roda, cordões, boi bumbá, dança da cuia, carimbó...
Faz teu pássaro voar...
Faz teu cordão bailar...
Teu boi a ressuscitar...
Teu banho cheirar...
Teu pato no paneiro...
Canoinha singular...
Ensina...
Fascina...
MeNina Nina Abreu...
Roda peão...
Roda Ciranda...
A mais popular das populares...
De tantos folclores e histórias...
De tantas coisas...
Que símbolo nos deixou!
É poesia e prosa...
Inspiração de tantos enredos....
Bonecas de panos...
Brinquedos que reproduzem a realidade...
Nina cabelo de pipoca...
Se espoca em cores...
Pinta de tudo...
Carnaval e arte...
Folia e a Melhor festa de São João...
Quem se importava se caía numa segunda, terça, quarta, ... aquilo era um feriado....
Peso do nome...
Peso da tradição...
Cordão de pássaro e de miriti...
Morreu mil vezes e nunca foi enterrada...
Nunca será esquecida eternamente lembrada...
E se fez mesmo a mais célebre de todas...
Se fez o ditado que a Esperança é a ultima que morre!
O dia que as histórias ...
A Rainha e o reino...
A tradição...
Oralidade...
O folclore...
A cultura...
Ficaram sem luz!
O dia que tudo ficou no aBREU
Viva Nina MeNina
Fascina e sempre ensina
MeNina MINA Nina Nina Nina Nina Nina Nina Nina Abreu

Michele Fernandes
Lembrança do banho de cheio lançado daquela cuia...rss
Silvana Maués
Lança teu banho, teu cheiro, teu tradicional e eterno banho de cheiro... pra sempre Nina meNina.
Raphael Arkanjo
Poesia e Prosa como ela só! Sorri e brinca no céu de nuvens brancas como seus cabelos!
Márcio Cardoso
Palavras são poucas para descrever o quanto essa meNINA mulher ainda significa para nós e para nossa cidade de Abaeté. Viva a rainha do nosso banho de cheiro.



. MERIAN ABREU, com 52 anos em 2017, filha de Nina Abreu, formada no curso superior de Arquitetura, também é artesã de artes em papel e pintura, que, junto com sua mãe Nina Abreu, administrava uma escola infantil que inicialmente foi denominada Centro Artesanal Nina Abreu/CANA e que, posteriormente, mudou nome.
. RITA ABREU, filha de Nina Abreu, casada com Sotério Fagundes.
. David Abreu Jr, sobrinho de Nina Abreu

Blog do Ademir Rocha

sábado, 23 de junho de 2018

Intendente Antonio Lemos

Intendente António Lemos
Antônio Lemos, o melhor prefeito de Belém

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

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Antônio Lemos
3º Intendente de Belém
Período 1897 - 1911
Dados pessoais
Nascimento 17 de dezembro de 1843
Maranhão, Brasil
Morte 2 de outubro de 1913 (69 anos)
Rio de Janeiro, Brasil
Nacionalidade brasileira
Ocupação Político
Antônio José de Lemos (São Luís, 17 de dezembro de 1843 — Rio de Janeiro, 2 de outubro de 1913) foi um político brasileiro com base eleitoral no estado do Pará. Foi intendente de Belém entre 1897 e 1911.
Lemos foi o principal responsável pelo desenvolvimento urbano da cidade de Belém, tendo projetado uma série modificações que geririam a vida do cidadão paraense àquela época, sendo tratado como "o maior administrador municipal dos últimos tempos", além de ser dono do título de mais poderoso e recorrente mito político da Amazônia.
Era filho de Antônio José de Lemos e de Olívia de Sousa Lemos, casado com Inês Maria de Lemos e pai de cinco filhos: Antônio Pindobussu de Lemos, Maria Guajarina de Lemos, Olívia de Lemos Lalor, Cecília Ierecê de Lemos e de Manuel Tibiriçá de Lemos (com alcunha de Duca Lemos), além de tio e sogro de Artur de Sousa Lemos, deputado e senador pelo Pará.
A carreira política de Antônio Lemos se iniciou em 1885, quando o Partido Liberal, do qual era membro, o elegeu deputado provincial pelo 1º e 5º Distrito. Quando ocorreu a proclamação da República, Lemos estava exercendo cargo de presidente da Câmara Municipal, pois havia sido eleito vereador em 1889. Dessa forma, foi Lemos que empossou a primeira junta constituída por Justo Chermont, José Maria do Nascimento e José Fernando Júnior, que passaram a governar o Pará nos primeiros momentos do regime republicano.

Biografia
Filho do casal Antônio José de Lemos e de Olívia de Sousa Lemos, Antônio José de Lemos nasceu em 17 de dezembro de 1843 no estado do Maranhão e mudou-se para a cidade de Belém, no Pará, quando jovem. Antes de ingressar na carreira política, Antônio Lemos trabalhou como criado de bordo da marinha, tendo sido este emprego o responsável pela sua ida à capital do Pará. Assim que chegou ao estado, Lemos logo conseguiu um emprego no jornal local, A Província do Pará, devido as suas habilidades de leitura e escrita. Com a morte do dono do jornal, Dr. Assis, Lemos adquiriu-o por um preço simbólico, mudando a sede do jornal para o edifício onde atualmente funciona o Instituto de Educação do Pará, transformando o periódico no terceiro em circulação do país naquela época. Os anos como editor do periódico, fizeram com que Antônio conquistasse a "confiança" e "destaque" frente a sociedade paraense, o que lhe facilitou em muito o ingresso para a vida política.
Lemos foi, inicialmente, vogal de Belém, deputado estadual e até secretário de governo do estado, onde notabilizou-se por recepcionar e ser sensível aos apelos dos políticos do interior, enquanto que as outras autoridades os ignoravam, por os julgarem "políticos menores", e assim foi conquistando o respeito e o apoio de diversas autoridades.
Em 1897 chega ao ápice de sua carreira política, quando é eleito intendente (cargo correspondente hoje a prefeito municipal) da capital, Belém. Sua gestão ficou marcada pela galicização da cidade, pela edição de medidas que regravam os hábitos e modos urbanos, proibindo atos como cuspir em via pública, regrando as fachadas das casas, retirou cortiços do centro e inclusive fechou diversas casas que gerassem um nível desagradável de poluição sonora.

A construção da Paris n'América
O dinheiro gerado com a comercialização da borracha foi importante para a reestruturação urbana de Belém, a partir de 1897, que marcou o inicio do governo do intendente Antônio Lemos (1897-1911), responsável por modernizar a cidade de Belém, quando o país ainda iniciava o período da República, promovendo uma renovação estética e higienista da cidade no período do Ciclo da Borracha, também conhecido como Belle Époque Paraense", com o projeto de construção da Paris n'América (em francês: Petit Paris). Atendendo ao novo gosto da elite do látex (em destaque os seringalistas) e também demonstrar aos investidores estrangeiros que Belém era segura e salubre para transformar a capital em centro: financeiro, luxo, divertimento e de consumo. Fazendo parte do discurso republicano pautado no progresso com bases cientificamente no saneamento e higienização. Ressalta-se, que a maior parte da população era pobre, não possuía dinheiro sequer para comprar peixe, enquanto tentavam adotar hábitos europeus.
As ruas estreitas do bairro Cidade Velha e da Campina manteriam o estilo colonial português, mas era necessário construir avenidas largas de acordo com o projeto de embelezamento urbanístico até o bairro de São Brás. Assim, a construção do Boulevard da República próximo ao cais do porto, facilitando o escoamento comercial da borracha, simbolizando também o estilo europeu. Com calçamento das ruas, instalação de rede de esgotos, criação de serviço de transportes públicos, construção de praças.
O centro comercial tornou-se um centro de consumo de tecidos, conforme a moda de Paris e Londres (na loja Paris n'América, na Av. Presidente Vargas), bebidas e alimentos importados como carne, champagne, vinho (Piper Mint de Rivel), manteiga entre outros.
Preocupado com a paisagem urbana, Lemos implantou áreas verdes, recuperando o Horto Municipal, embelezando as praças, reestruturando o Bosque Rodrigues Alves. Havia também os quiosques (Bar do Parque), elegantes na paisagem urbana.
O poder público criou o Código de Conduta para repassar os ideais de moral e higiene nos espaços. Regulando o cotidiano da cidade: proibindo banhos nas praças e chafarizes; ficar de trajes “indecentes” em casa ou ir à janela; ordenou a demolição de todos os cortiços (como ocorreu em outras cidades, como o Rio de Janeiro), pois eram considerados locais focos de epidemias e desordem; os moradores construiriam as residencias de acordo com as plantas aprovadas pela intendência.
Quanto aos problemas com local de abate e comercialização de carne e de alimentos, construiu-se um matadouro público (atualmente chamado de Curro Velho) e um mercado no boulevard da República, o Mercado do Ver-o-Peso (em ferro ao estilo art nouveau) sendo considerado na época um dos melhores do país. Em busca de disciplinar o trabalho de vendedores ambulantes, foram proibidas barraquinhas de lanche, consideradas sujas e pontos de desocupados; Iniciou a construção de uma rede de esgotos (empresa londrina The Amazonia Development) e forno crematório; iniciou campanha de vacinação; recolhimento de lixo nas residências; O Código de Conduta impunha também a limpeza da sociedade, combatendo a mendigagem, principalmente às proximidades da Basílica de Nazaré.
Outro problema era o abastecimento de água, era vendida por aguadeiros nas portas das residências. Lemos encomendou nos Estados Unidos equipamentos para construir váris poços artesianos na cidade;
Em 1902 completou seu projeto, que incluiu construção de diversos: palacetes; bolsa de valores; grandes teatros; igrejas; necrotério; grandes praças com lagos e chafarizes; infra-estrutura sanitária; alargamento de vias nos principais bairros, com calçamento de vias com pedras importadas da Europa e malha de esgoto; aterramento de rios e córregos, a plantação de várias mudas de mangueira, importadas da Índia, nas novas avenidas e boulevards a fim de construir túneis sombreados devido muita incidência do sol na cidade. Tudo ao estilo da arquitetura francesa, no desafio delegado a um grupo de engenheiros de nações europeias, incluindo os responsáveis pela recente reforma urbanística de Paris.
Devida a sua localização geográfica, Belém centralizava as exportações da Amazônia, e durante o Ciclo, a Amazônia respondia por 40% da pauta de exportações do Brasil, igualando-se, em valor, ao que São Paulo exportava durante o ciclo do café. Belém era a sede de residências da maioria dos barões da borracha e a empresários, com negócios relacionados a cidade ou a logística de exportação do látex.
Antonio Lemos ordenou a expansão da cidade com a abertura de vias largas e quadras retas onde não havia cidade, área hoje compreendida pelos bairros da Pedreira e do Marco (considerado o segundo melhor em qualidade de vida da capital). Belém era invejada por brasileiros das zonas produtoras de café, retratada nos jornais do sudeste do país como uma verdadeira metrópole perdida na selva que Rio de Janeiro e São Paulo nunca conseguiriam construir, até que em 1905 a cidade de Rio de Janeiro realiza sua reforma urbanística com Pereira Passos.

Belém, cidade pioneira do Brasil
Na gestão lemista, Belém foi a primeira cidade do país a possuir energia elétrica, devido Lemos haver contratado profissionais diretamente de Londres para implementar a energia em Belém, quando foi criada a Pará Eletric and Railway Company, inclusive sendo esses mesmos ingleses responsáveis pela fundação do Pará Country Club, hoje simplesmente Pará Clube; o Pará foi o primeiro estado da nação a possuir plantações de café, através de sua importação direta da Guiana Francesa; foi a primeira cidade brasileira a possuir bondes elétricos; a segunda a possuir necrotério; o intendente costumeiramente contratava companhias europeias de teatro para apresentações em praça pública em Belém; a cidade também foi uma das primeiras a possuir bolsa de valores, demolida em 1914, durante o governo de João Coelho, para dar lugar à Praça do Relógio. Nessa época, quando a nação vivia sob uma economia de arquipélago, era mais fácil ir de Belém a Liverpool que ao Rio de Janeiro, por haver mais rotas para a Europa em detrimento dos destinos nacionais e a Belém manter mais relações com aquele continente que com o resto do Brasil.

O começo do fim
Porém o tempo conspirava contra a economia da borracha: após cerca de 14 anos no poder, em 1912 foi o começo do fim, a cotação internacional da borracha registra quedas preocupantes, começou a tornar-se um negócio menos atrativo, o governo municipal passou a arrecadar menos tributos devido a redução de tais lucros, começou a ficar difícil manter a mesma opulência e ostentação sustentada artificialmente sobre os lucros da borracha inflacionada, Belém começa a deixar de ser a capital dourada, título ostentado desde a reforma urbana. A gestão lemista sofre restrições orçamentárias, ficando difícil governar um menor orçamento para uma gestão acostumada a mais de uma década com fartura e abundância de recursos. No mesmo ano, o intendente é deposto por seus adversários, seguidores do então governador Lauro Sodré, arrastado por vias públicas, até que o famoso médico Camilo Salgado pede clemência por sua pessoa, mesmo assim, é obrigado renunciar a todos seus títulos e cargos. Antonio Lemos partiu para o Rio de Janeiro, assim como um exilado, onde teve apenas mais um ano de vida.

Os Lemos e a atualidade
A família Lemos sofreu uma dura perda com o fim da gestão lemista, porém existiu politicamente tendo como líder o senador Artur de Sousa Lemos até 1930, quando Getúlio Vargas acaba com a República Velha, nomeando Magalhães Barata para interventor do Pará. Na década de 1970, a prefeitura realizou uma homenagem aos Lemos, ordenando a exumação do corpo do ex-intendente no Rio de Janeiro e seu traslado até Belém, onde a população o aguardava para seu re-enterro no prédio da prefeitura, palácio construído por ele próprio e que inclusive ganhou seu nome.
Antonio Lemos não teve tempo, para ainda vivo, ver suas mangueiras adultas e frondosas como são atualmente. Hoje Belém é uma metrópole com 1,4 milhões de habitantes. O município possui 30% de sua área coberta por áreas verdes (o apontado como ideal por urbanistas), e percentualmente mais que outras metrópoles brasileiras, como São Paulo e Belo Horizonte; não teve tempo de ver suas largas avenidas preenchidas com as dezenas e dezenas de altos e modernos prédios que hoje compõem o Belém Skyline; não teve tempo para testemunhar o espanto que muitos turistas teriam com a megalomania urbana de Belém. Ruas, avenidas, museus, palácios, navios, estabelecimentos comerciais, entre outros, ganharam seu nome em homenagem às suas reformas radicais na paisagem da cidade.
Legado
Imagem do Palácio Antônio Lemos, sede municipal de Belém.
Mesmo após a sua morte, Antônio José de Lemos ainda é lembrado pelas suas construções e feitorias na capital do estado do Pará. A sede da prefeitura municipal de Belém recebe o nome de Palácio Antônio Lemos, em homenagem ao ex-intendente do município, principal responsável pela urbanização e desenvolvimento da cidade nos primórdios do século XX - durante a chamada Belle Époque brasileira. Além disso, Lemos é considerado o maior gestor municipal, o mais poderoso e recorrente mito político da Amazônia. O plano de urbanização municipal projetado por Lemos no final do século XIX e início do XX "é recordada pela população como um período o próspero da cidade".
“ Entendo o Lemos como uma pessoa muito inteligente e habilmente política. Ele tinha só o liceu, o que hoje corresponde ao ensino médio ou profissionalizante. Ele não era paraense, não pertencia a nenhuma família tradicional e não tinha feito curso superior no Brasil, muito menos no exterior. "

Dentre outras coisas, Lemos foi responsável pela arborização e urbanização da cidade de Belém, evidenciada pela construção de boulevards, rede de saneamento e esgoto, pavimentação de ruas, além da criação de um código de postura, que era baseado no modo europeu de vida.
Nota
Cargo equivalente hoje a vereador
Referências
Google Books - Paraíso Perdido, por Adelino Brandão (pág 321)
[file:///C:/Users/Inspiron%205448%20B30/Downloads/3551-18593-1-PB.pdf EDUCAÇÃO DE MENINAS ÓRFÃS NA CONCEPÇÃO DO INTENDENTE ANTÔNIO LEMOS EM BELÉM DO PARÁ (1900 − 1906) - Conforme Rocque (1977), Antônio José de Lemos nasceu em São Luís, no Maranhão, dia 17 de dezembro de 1843. Filho de Olivia...]
Colégio Estadual Antonio Lemos - A Era Lemos
Will Montenegro. «Antônio Lemos deu um passo ao futuro». Amazônia Jornal. UFPA - Faculdade de História. Consultado em 29 de outubro de 2012.
Letícia Paula de Sousa. «Os mercados municipais e a Intendência» (PDF). OS MERCADOS MUNICIPAIS E A INTENDÊNCIA. UEMA - Universidade Estadual do Maranhã. Consultado em 29 de outubro de 2012.
Anna Carolina de A. Coelho. «A urbanização de Belém no final do século XIX». Meu Artigo. Brasil Escola. Consultado em 31 de janeiro de 2017.

Reproduzido pelo Blog do Ademir Rocha